quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Você não mudou nada


O Brasil ultrapassou em 2011 a Grã-Bretanha, chegou ao sexto lugar entre as economias globais, deve ultrapassar a França em quatro anos e deixar a Alemanha para trás em oito. 


São excelentes notícias, mas há algo mais importante e muito preocupante por trás destes números. 






Renda. 


Considerando a renda per capita por ano 44 países têm renda melhor que a brasileira. 


Na distribuição da renda a situação é catastrófica. 


Segundo dados da ONU entre 187 países apenas sete apresentam distribuição pior do que a do Brasil. Colômbia, Bolívia, Honduras, África do Sul, Angola, Haiti e Comoros.


Um time para lá de vergonhoso. 





Custo de vida.


Na contramão dos avanços econômicos o custo de vida no país está aumentando muito. Em 2011 foi o país com maior alta no preço dos imóveis. 


Uma pesquisa do banco suíço UBS feita em 73 países indica que o poder de compra no Rio e em São Paulo vem caindo nos últimos cinco anos apesar da elevação dos salários. 


A consultoria Mercer divulgou em seu ranking anual que São Paulo é a 10ª cidade mais cara do mundo e o Rio a 12ª. 





Conhecimento.


Na área de Ciência e Tecnologia, essencial para a manutenção do crescimento a situação é péssima.


Um estudo da Royal Society, academia nacional de ciência britânica, mostra que do total global de investimento em pesquisas científicas o Brasil gasta ridículos 1,6%. 





Educação. 


Em aproveitamento e rendimento escolar o país fica entre os piores. 


Os últimos dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos - PISA - em 65 países colocam o Brasil em, 


51º lugar no ranking de leitura e compreensão,


55º no de matemática,


52º no de Ciências. 





Desenvolvimento Humano. 


No IDH, o índice de desenvolvimento humano que engloba áreas como educação, saúde e expectativa de vida, a posição do Brasil fica em 84º lugar.





Competitividade.


Na avaliação do Fórum Econômico Mundial entre 142 países o Brasil ocupa a modesta 53ª posição em competitividade.





Ambiente de Negócios. 


Segundo o Banco Mundial o Brasil piorou no ranking que mede a facilidade de se fazer negócios. Entre 183 países perdeu seis colocações, caindo da 120ª para a 126ª posição. 





Corrupção. 


A nota do Brasil avaliada pela Transparência Internacional sobre corrupção piorou, passando de 3,7 para 3,8. O país ocupa a 73ª posição entre 182 países.



Boa parte do crescimento brasileiro se deve à exportação de commodities como minério de ferro, carne, frango e soja entre outras. Produzindo muito petróleo, açúcar, madeira e álcool, sem investir em conhecimento e importando tecnologia.

Estruturalmente o perfil não é muito diferente do Brasil-Colônia.

Índia e China fazem o caminho inverso. O próprio governo tem se alarmado com a crescente desindustrialização brasileira.



Resumindo. 


Um país que não investe em conhecimento e onde seus jovens saem das escolas em situação lamentável. 


Uma nação de péssima distribuição de renda e de alto custo de vida.


Um país sem competitividade internacional e péssimo ambiente de negócios. 


Uma nação com baixíssimos índices de desenvolvimento humano, crescente criminalidade e corrupção assustadora.



Em 1974 o economista Edmar Bacha, da equipe que criou o Real, cunhou a expressão Belíndia para definir um Brasil que convivia com padrões da Bélgica e da Índia.

Já não serve, a Índia mudou. Hoje o Brasil se parece mais com Suíça e Haiti.

Quem sabe então Suití ?

Suit better e soa até meio indígena.



O Brasil é socialmente desigual, mal-educado, pouco competitivo, com baixa qualidade de vida, perigoso, caro e corrupto.

O país cresceu muito nos últimos anos, por conta da estabilização da moeda, do ambiente estável na economia, e do boom econômico global nos anos recentes, especialmente à reboque do crescimento chinês. Ainda assim aproveitamos mal estas oportunidades.

Euforia à parte, nos números que avaliam a realidade o Brasil é um dos cem piores países do mundo.



Chato jogar água fria na alegria de fim de ano, mas como lembra meu amigo Chico Lyra, citando Gramsci e Lênin, a verdade é sempre revolucionária.

Sexta economia mundial, mas infelizmente continua com a mesma cara.

Who giv'a fuck, do ya?

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