terça-feira, 31 de julho de 2012

Acordar na Holanda


Acordar numa cidade holandesa pode ser uma das coisas mais estimulantes para começar bem o dia.


A Holanda tem mais bicicletas que habitantes e nem é preciso falar das imensas vantagens para o bolso, para o ambiente e para a saúde. A bicicleta é parte física de um holandês.





Ainda hoje existe uma situação interessante na Holanda em relação aos rivais e vizinhos alemães. Se um turista alemão pede uma informação na rua a respeito da direção de um determinado lugar, ou de como se chega até ele, pode ouvir dois tipos de respostas.  A primeira é um gesto lhe indicando a fronteira. A segunda é uma pergunta: - Onde está minha bicicleta?


O gesto diz tudo. Já a pergunta tem a ver com o fato de que ao invadir a Holanda na segunda guerra as tropas da Blitzgrieg nazista seqüestraram todas as bicicletas dos holandeses. A idéia, taticamente correta, era quebrar a mobilidade da população.





Acordar numa cidade da Holanda é uma alegria para os olhos.


Você vai até a janela, abre as cortinas para deixar entrar a luz do dia e a alegria entra por elas. Dezenas de bicicletas estão passando na rua indo para o trabalho e para as escolas. Grupos e grupos pedalando juntos, conversando, rindo.


Algumas pessoas ainda estão tomando um iogurte ou comendo um sanduíche. A maioria conversa. Algumas mulheres e meninas pedalam lado a lado, de mãos dadas. A maioria delas com as saias recolhidas, as pernas à mostra subindo e descendo num ondular hipnótico.


Um balé inesquecível para começar bem o dia.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

London in a sunny day


Londres não é mais a cidade do fog da época do começo da industrialização, mas continua como todo o restante da ilha a ter aquele clima instável, quase sempre chuvoso e nublado. É um nublado aconchegante e a chuva quase sempre é uma gentle rain indispensável para irrigar aquele verde único "dos gramados campos de lá".


Quem gosta de Londres acaba gostando até do clima, mesmo por que as cores da arquitetura da cidade definitivamente não combinariam com um céu azul tropical, é tudo uma questão de ambiência. Surpreendente são os dias claros e azuis, a regra é outra. 





Voando para Londres pela British Airways o vôo estava chegando ao fim.


Como é de praxe faltando algum tempo para o pouso alguém da cabine sempre se dirige aos passageiros com as costumeiras informações de tempo para a chegada, temperatura local, condições gerais do clima e aqueles agradecimentos por ter voado etc, etc... O de sempre. 


Quase chegando ao Heathrow, aparece no sistema de som a voz tranquila do comandante falando pausadamente com aquele british accent delicioso, quase stiff upper lips, daquele jeito que os ingleses chamam de school-english, o inglês da rainha.





- Bom dia senhores passageiros aqui vos fala novamente seu comandante. Em dez minutos estaremos pousando em London Heathrow. São 11 horas e 23 minutos hora local Greenwich. Neste momento a temperatura é de 75 graus Fahrenheit aproximadamente 24 graus centígrados. O tempo está bom, sêco e sem pancadas chuvas, o sol esta brilhante e o céu está claro e sem nuvens. Não há ventos apenas uma leve brisa.


Espantado com a própria descrição ele completa,


- Oh my God! It´s a glorious day!

domingo, 29 de julho de 2012

Michelle Jenneke. Vade Retro Zechariah!


O vídeo da Michelle Jenneke tá fazendo o maior sucesso no YouTube com alguns milhões de acessos.

Competindo no IAAF World Junior Championship em Barcelona na semana passada, na prova de 100 metros com obstáculos, a gata australiana de 19 anos fez um alegre aquecimento antes da prova.

A galera se apaixonou imediatamente com a sensualidade, a alegria e o sorriso da aussie.



Teve gente que não gostou.

Zechariah Smyth, pastor evangélico americano, um wasp furioso desses que vivem mandando todo mundo para as labaredas eternas comentou:

Does she have to gyrate her hips like that? All of the other girls there (even the colored ones) are able to control their base urges, why can't she?  The Aussie whore tries to tempt unsuspecting sports fans. She’s trying to get men to sin!

Não tenho nem coragem de traduzir.

O endiabrado pastor é de uma tal Landover Baptist Chuch que segundo eles próprios estão "Guaranteeing Salvation Since 1620", o que é no mínimo pretensioso além de bizarro já que os cristãos estão fazendo isso há dois mil anos. Se o reverendo assistisse uma aula de aeróbica numa academia brasileira ou se visse as coreografias do carnaval na Bahia era capaz de como dizem os bahianos tirar a cueca pela cabeça.



Aqueles segundos da Michelle divulgaram mais a Austrália que milhões gastos em publicidade. A Austrália e a vizinha Nova Zelândia são dos países mais sem identidade do planeta, apesar da importância econômica, estratégica e das belezas da terra.

Eles têm tão pouca identidade que compartilham a mesma e melancólica data nacional. O 25 de Abril dia da derrota na batalha de Gallipoli quando as tropas do ANZAC - Australian and New Zeland Army Corps - foram massacradas pelos turcos na batalha pelo estreito de Dardanelos na primeira Guerra Mundial.

O ANZAC estava lá ao lado dos ingleses seus colonizadores e tradicionais aliados. A derrota atormentaria Churchill, o Lord do Almirantado na época, pelo resto de seus dias.



A batalha foi vencida pela tenacidade defensiva das tropas turcas comandadas por Atatürk e é o marco inicial simbólico da moderna Turquia. Após a falência do império otomano Mustafa Kemal Atatürk se tornou líder revolucionário, lutou pela independência, fundou e foi o primeiro presidente do país. Curiosamente a mesma batalha serve de marco nacional tanto para o vencedor quanto para os principais derrotados.

Para um país que tem seu feriado nacional na tristeza de uma derrota nada melhor que a alegria, e a vitória, da Michelle.

Vade Retro Zechariah!

Brunch to Kill


Hoje é domingo, dia de Brunch.


O brunch – breakfast + lunch – é um das idéias mais interessantes que conheço. Pelo menos na Inglaterra foi adotado como uma forma de manter o hábito de continuar a tomar um café da manhã substancial nestes dias modernos.


Como durante a semana já não é possível ficar tanto tempo à mesa pela manhã para o breakfast tradicional transferiu-se o prazer para o sábado ou o domingo.


Dorme-se até mais tarde e a primeira refeição do dia junta o café da manhã com o almoço. Se ganha tempo, desfruta-se de uma ótima refeição e convive-se mais em família ou com os amigos.





Antes de me mudar para lá, quando eu tinha uma reunião de trabalho em Londres eu sempre as marcava para as segundas-feiras para incluir na viagem um fim-de-semana de lazer. Já tinha meus hotéis preferidos, escolhidos justamente pelo brunch. Em matéria de brunch, com exceção dos hotéis alemães, nada como um bom hotel inglês.


A explicação é simples. Como a comida inglesa é péssima, bizarra, os hotéis ingleses além de seu cardápio tradicional precisam servir o cardápio Continental para atender os clientes de fora. 


Comida inglesa é bizarra? Põe bizarro nisso. Que outra palavra se aplicaria melhor para o tradicional beans-on-toast? Uma torrada, coberta com feijão cozido em molho de tomate adocicado, com um ovo frito por cima. Isto mesmo: pão, feijão doce e ovo frito. Argh.





Voltando aos hotéis ingleses, as opções do menu portanto duplicam. Você tem o menu local, de peixe frito, muitas salsichas, batatas fritas, saladas, presuntos, bacon, aves, fígado, ovos, os quatro tipos de cheddars, outros queijos e o divino Honeyham. E ainda mais o menu continental de geléias, queijos, presuntos, biscoitos, frutas, diversos pães, cremes, tortas, bolos e croissants. Além é claro do que a imaginação do Chef preparou.


Uma farra, principalmente para mim que sou guloso. Mortalmente guloso.





Mas eis que me acontece um daqueles dias em que os deuses decidem testar seu autocontrole. Quando entro no salão para tomar meu brunch me deparo com uma multidão de japoneses. Não existe um japonês, japonês é coletivo. Eles não andam em menos de vinte. Lá se ia meu sossego.


Mas como tudo na vida tem um lado bom e outro ruim, menos é claro os discos do Oswaldo Montenegro onde os dois lados são ruins, havia uma surpresa fantástica neste brunch. Como havia aquela multidão de japoneses no hotel o Chef gentilmente preparou também um menu japonês para agradar seus hospedes. Isso mesmo: um buffet imenso com o breakfast inglês, o continental e o japonês.


Quase morro.





Para ser justo, conheço um hotel-restaurante-posto de gasolina de beira de estrada na região do Pajeú no interior de Pernambuco que serve um café da manhã sertanejo que é alucinante. Os cabras preparam todas aquelas comidas tradicionais e juntam tudo numa espécie de Brunchist: brunch + northeast, um brunch do Nordeste.


Doces, bolos, queijos crus, assados e fritos, frutas, pratos de milho, canjicas, pamonhas, cuzcuzes doces e salgados, xerém, mingaus, tapiocas, beijús, farofas, carne de sol, linguiças de boi e de porco, mandiocas e outras raízes, ensopados e fritos de bode, carneiro, porco e boi.


O preço cabe em qualquer bolsa-família: inacreditáveis quatro euros.

sábado, 28 de julho de 2012

Que Alemanha é essa?


Philipp Rösler é uma das estrelas políticas em ascensão na Alemanha.

O atual Ministro da Economia de uma das maiores economias do planeta chamou atenção há alguns dias atrás quando admitiu que a saída da Grécia da eurozona é uma possibilidade concreta.

Rösler é o vice-chanceler da Alemanha, presidente do Partido Liberal Democrático e ex-ministro da Saúde, tudo isso antes dos 40 anos, além de ser médico e capitão das Forças Armadas Alemãs. Mas o que chama mais atenção em Rösler é que ele é vietnamita de pai e mãe. Ele foi adotado por um casal de alemães que o trouxe de um orfanato próximo de Saigon, no Vietnã do Sul.



Para o mundo ainda é difícil perceber a Alemanha como uma nação multiétnica e multicultural, mesmo que o país tenha cerca de três milhões de habitantes apenas de origem turca. Fora os milhares de eslavos, asiáticos, africanos e outros europeus. Um em cada dez habitantes é estrangeiro. Berlin tem escola de samba, campeonato de capoeira, trio elétrico e Lavagem.



A própria língua alemã está mudando.

Como o alemão tem quatro casos gramaticais - nominativo, genitivo, dativo e acusativo - de acordo com sua função sintática dentro da oração os pronomes, adjetivos e alguns substantivos recebem um sufixo distintivo, mais ou menos como no latim. Isso torna a língua difícil de ser aprendida para a maioria dos estrangeiros que vão substituindo as declinações por preposições. Curiosamente o português, o francês, o espanhol e outras línguas latinas não herdaram esta estrutura.

Para a maioria dos imigrantes é inevitável cometer erros e isso tem levado a uma mudança na linguagem coloquial que a própria população nativa acaba absorvendo. Resumindo o alemão está se simplificando.



Outro fenômeno interessante é o “code switching” quando imigrantes misturam as duas línguas ao mesmo tempo na mesma frase. O switching também é largamente praticado pelos próprios alemães, principalmente entre os ocidentais, que na quase totalidade falam inglês. Entre os jovens é comum falar apenas em inglês durante pequenos períodos ou misturar as duas línguas.

Nestes casos os erros são inevitáveis, pois quanto mais bilíngüe o código da comunicação maior a incidência de erros e simplificações.



Além de tudo uma curiosidade: na Alemanha ninguém é obrigado a saber falar alemão. Até para ser multado no trânsito você tem direito a um interprete se não souber falar alemão ou inglês. Eu conheci um português que trabalhava na policia alemã como interprete. Infelizmente, segundo ele, a maioria dos casos que ele atendia era de portugas bêbados que batiam nas mulheres.



Os policiais mais jovens inclusive preferem praticar o inglês.

Uma vez fui parado no trânsito por um jovem policial. Ele me pediu a carteira de motorista. Procurei e não achei. Eu tinha trocado de carro com minha mulher e minha carteira ficara em meu carro que estava com ela. Expliquei isso ao rapaz que me perguntou onde minha mulher estaria. Respondi-lhe que provavelmente ela deveria estar em casa. Ele me perguntou se eu não me importava de ir buscar minha carteira. Eu disse que não e lhe abri a porta do carro. Ele agradeceu e disse que preferia me esperar ali mesmo.



Fui, voltei, encontrei-o no mesmíssimo lugar e lhe mostrei minha carteira brasileira. Ele me perguntou que língua era aquela. Respondi que era português e ele me perguntou se eu poderia traduzir. Traduzi para inglês. Depois ele me explicou que eu tinha ultrapassado em 12% a velocidade permitida no local, como a tolerância é de 10% ele fez os cálculos da multa e me mostrou a conta para que eu verificasse a exatidão dos cálculos. Claro que estava correto.

Ele então me perguntou se eu concordava em pagá-la, pois se não aceitasse, não precisava assinar e poderia contestá-la em tribunal. Paguei é claro.



Que Alemanha é esta? Tio Adie não ficaria muito feliz em ver como o país mudou.

Pelo menos de uma coisa ele ia gostar: quase não há judeus ou ciganos.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Quando nos tiram a Razão.


Próximo a minha casa há na esquina um morador de rua.


Ele passa a noite inteira em pé, em frente a uma espécie de corrimão que protege a esquina. Uma armação metálica simples de três longarinas em forma de “u” invertido com ângulos retos, as duas pernas verticais fincadas no solo e a terceira paralela à calçada. Esta terceira não é fixa e gira em torno de si mesma.





O homem que certamente é limítrofe fica horas a fio parado em frente à haste móvel, olhando-a e girando-a ininterruptamente. Com o movimento a haste emite um rangido constante. O que se passará em sua mente?


Durante três anos estudei Medicina.


Neste período fui interno voluntário em uma maternidade e em um hospital psiquiátrico. Da maternidade, onde fiz centenas de partos, agreguei conhecimentos que me ajudaram a fazer o parto de dois filhos. O primeiro por circunstâncias o segundo por exigência da mãe.





Do período no hospital psiquiátrico guardo lembranças inquietantes, reveladoras. Lá me defrontei com a devastadora condição que os gregos sabiamente diziam que quando os deuses querem nos amaldiçoar nos tiram a Razão.


O inquietante é nos ver nos internos.


Não há praticamente nada no comportamento deles diferente do nosso. A diferença é na intensidade, na quantidade não na qualidade. A ira, o medo, a inquietação, a dúvida, a estranheza, os desejos, os afetos, a compulsão, a indecisão é a mesma. Varia o tom, a quantidade, somos absolutamente iguais, só nos separa uma leve fronteira.





O que se passará na mente deste fronteiriço, talvez bem mais que isso, o que se passará na cabeça deste irmão da ansiedade do ser e do estar?


À noite quando vou dormir posso ouvir ao longe o rangido da haste a girar me lembrando que o homem está lá. Parado, olhando para a haste, girando-a sem fim.


Girando-a inutilmente, talvez mostrando uma inutilidade existencial que só ele compreenda.

Jatos Presidenciais


Todo esse buzz em torno do futuro Aero-Dilma tem a ver com um dos símbolos mais visíveis de poder de um país. Todos os aviões presidenciais têm características de segurança e luxo inimagináveis para quem enfrenta filas intermináveis de check-in pagando low-fares.





O Aero-Dilma deverá ser semelhante ao Air Force One dos EUA, militarmente menos sofisticado é claro. O AF1 é um dos lugares mais seguros para se estar na face da terra. No 11 de Setembro o presidente Bush embarcou nele, passou o dia inteiro voando, só pousou para fazer uma breve declaração ao país e decolou novamente.


O presidente podia ordenar ataques militares, comunicar-se com o alto comando de guerra dos Estados Unidos, falar com um comandante de submarino, de um porta-aviões ou autorizar um bombardeio nuclear de dentro do avião. Que na verdade são dois, voando sempre juntos para o caso de uma emergência.





Além de extremamente seguros estes super jatos são naturalmente muito luxuosos, mas em matéria de luxo desvairado naturalmente nada se compara aos jatos dos potentados árabes.


O sultão do Brunei tem uma frota: um Boeing 747, um Boeing 767, um Airbus A-340 e três Gulfstream todos com suítes e detalhes em ouro.


Outro coleguinha das mil e uma noites viaja em dois Boeing 747 seguidos por caças da força aérea. Ele viaja no primeiro. No segundo seguem seus automóveis, seus serviçais e parte de seu harém.


No jato real do Marrocos o estoque de champgne era imenso. O falecido rei Hassan II adorava o espumante e contornava o preceito islâmico de não poder beber alcool com uma corretíssima pérola de raciocínio. Ele dizia que por ser descendente direto do Profeta quando o champagne tocava seus santos lábios reais se transformava em água.





Em matéria de segurança pessoal nada se compara aos cuidados de um outro humilde fiel do Profeta.


Em seu Boeing 747 viaja uma equipe multidisciplinar de médicos, cirurgiões e uma UTI completa com os mais modernos equipamentos imagináveis. Mas o aspecto médico mais espetacular não é um equipamento mecânico é um recurso biológico.


Junto com a equipe médica viaja um doador vivo, geneticamente compatível e pronto para a qualquer momento doar qualquer órgão necessário ao seu querido patrão.

Um súdito leal, com certeza. O fiday absoluto.

A Cidade é Suja Por Que o Povo é Porco


Em frente a meu prédio há um outro que está em reforma trocando todo o revestimento externo. A obra está em fase final. Os operários depois de cimentar novas placas cerâmicas estão agora retirando delas suas pequenas coberturas de papel.


Dos andaimes eles retiram uma a uma estas coberturas e as soltam ao vento. As folhas de papel marrom voam em direção a outros prédios, a telhados de casas ou caem na rua.





Conheço de perto o sistema de limpeza de uma cidade brasileira.


Lá a prefeitura paga cerca de onze varrições diárias no centro da cidade. Eu disse onze, não são duas nem três, são onze, praticamente uma a cada duas horas, ou se você considerar o período mais intenso é cerca de uma varrição por hora. E a cidade continua suja do mesmo jeito.


A conta chamou a atenção dos administradores da prefeitura que desconfiaram de sobre-faturamento da prestadora do serviço. Foram verificar in loco e era verdade.


Enquanto os garis iam varrendo as ruas, imediatamente a população ia sujando novamente jogando os mais diversos objetos no chão.



Também é comum você ver objetos, papéis e detritos sendo atirados das janelas dos ônibus e dos automóveis. Durante o período de chuvas os alagamentos nas ruas são comuns em conseqüência do entupimento por detritos das galeria pluviais. O prejuízo é imenso pelo que se gasta para limpar, pelo que se perde em reciclagem.


A conclusão não pode ser outra. As cidades brasileiras são sujas por que o povo é porco. Independente da classe social.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Medalha de Ouro para o Politicamente Correto


Infelizmente ao que parece o grande vencedor destas Olimpíadas em Londres vai ser o Politicamente Correto.


Primeiro foi o afastamento da Iziane, ala da seleção brasileira de basquete. A menina cometeu o pecado de levar o namorado para dormir com ela no hotel onde a seleção está concentrada.





Depois aconteceu a expulsão da atleta grega do salto triplo Paraskevi Papahristou. Voula, por sinal uma gata descida do Olimpo, fez um comentário considerado de mau gosto em sua conta no Twitter, falando sobre as incidências fatais do Vírus do Nilo em Atenas.





Agora o Comitê Organizador informou que retirou a bandeira de Taiwan da exibição de bandeiras no West End de Londres a pedido da embaixada da China. A hipocrisia do Politicamente Correto chega ao extremo kafkaniano de um país ser reconhecido como tal, ser aceito na competição, mas não poder exibir sua bandeira.

Sugestão: pega-se o Vírus do Nilo da Voula para fazer no Comitê Organizador o que o namorado da Iziane fez com ela.


Definitivamente o mundo está ficando cada dia mais chato.

O Ramadã, as Olimpíadas e a linda Mozah al-Missned


Estamos em pleno Ramadã e em plena Olimpíada.


No período sagrado para os muçulmanos deve-se jejuar do nascer ao por do sol para expiar os pecados.


Mas como o remador Mohamed Sbihi ou o lutador de judô Maher Abu Rmeileh vão encarar as provas, assim fraquinhos?


Os dois pelo menos já passaram por cima dos preceitos e vão preferir depois ser castigados com um jejum de 60 dias. Afinal a tradição só abre exceção para viagens, doença, gravidez, amamentação ou idade avançada. O Profeta não pensou nas Olimpíadas.





O jejum se estende também a relações sexuais.


Mas cá pra nós alguém acredita que se a Mozah al-Missned do Qatar lhe aparecer tem como resistir? Se atleta olímpico não resiste a uma medalhinha imagine como recusar esta divina flor do deserto. Nem mesmo a possibilidade de depois encontrar as 72 houris no paraíso é suficiente, mesmo por que o jornal dinamarquês Jyllands-Posten disse que elas já acabaram. Sinceramente Sheikh Hamad bin Khalifa, com todo o respeito, segunda esposa? Tadinha. Não quer? Libera.




Mozah é uma explosiva, sem trocadilhos, mistura de mulher linda, sexy, elegantézima, articulada, altiva e muito inteligente. Um pecado de mulher. Ôps, uma benção de Alah.

Procure assistir uma entrevista dela. Inglês cool, pausado, de uma altivez sexy que se você for homem ou vai ter uma ereção ou vai se sentir menor que um grão do Sahara. Se você for mulher, bem, se você for mulher, no way amiguinha.

É melhor você achar a lâmpada do Aladim e fazer seus três pedidos.

Socorro Picasso! A crise na Catalunha.


A Espanha não existe.


Não como um país homogêneo tal como a noção que temos de país-nacionalidade, nem cultural nem politicamente. A Espanha é um Estado de Autonomias formalmente unitário que funciona como uma federação descentralizada, muito mais que o sistema federativo americano ou o pseudo-federativo brasileiro.


  


As regiões autônomas espanholas são autônomas mesmo, e muito. Algumas são brutalmente separatistas e com forte sentimento nacionalista.


Muitas regiões têm suas próprias línguas como o espanhol, catalão, basco e galego, além de dialetos como aragonês e asturiano. Em algumas regiões fala-se até português. A Galícia inclusive faz parte como observadora da comissão de países de língua oficial portuguesa.





As rivalidades internas são tão grandes que há multinacionais que precisam ter duas sedes nacionais, uma em Madri e outra em Barcelona. Um amigo que foi diretor de marketing da FIAT me contava que as reuniões da diretoria eram alternadamente numa cidade e na outra para evitar ressentimentos. E pior: quando a reunião era em Madrid os carros dos colegas de Barcelona apareciam riscados, e vice-versa.  





A autonomia é tanta que há regiões como a Catalunha que têm seu próprio Ministério das Finanças e pasme seu próprio Ministério da Guerra.


E é de lá da terra Gaudí e Picasso que chegam péssimas notícias para o cenário já conturbado da economia européia. A região mais rica e a força motriz da economia da Espanha está quebrada.


Parece até maldição grega.





A Catalunha tem dívidas bem acima de 42 bilhões de euros e se ela apelar ao governo central a margem de manobra financeira do governo espanhol vai pro espaço. Depois de Valência e Múrcia a Catalunha deverá em breve pedir resgate.


Madri não tem de onde tirar dinheiro. O governo central precisa reduzir um buraco de 65 bilhões de euros no orçamento e atingir um déficit de no máximo 2,8% do PIB até 2014. 





Apesar das reformas no serviço público, redução do seguro-desemprego e aumento do IVA de 18% para 21% o país não conseguirá sair sozinho da crise da dívida nem arrecadar recursos suficientes.


O primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy deverá anunciar reajustes e novos pacotes de maldades, numa situação nacional de greves constantes onde até os bombeiros protestaram tirando a roupa numa situação bizarra se comparada com as deliciosas ucranianas.




Até parece maldição grega.


A crise bem entendido, não as bundas dos bombeiros, que como dizem as más línguas lusitanas "ó pá, estes gajos parecem ter fogo é no rabo".

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A Bíblia. Para maiores de 18 anos.

Ele tinha passado por maus momentos em sua terra. Seus irmãos o tinham atraiçoado. Mas ele recomeçou a vida em outra cidade, em outro país.



Competente ele conseguiu ganhar a confiança de seu novo patrão a ponto deste lhe entregar a condução de todos seus negócios.


Parecia que tudo havia se ajustado e a vida passava tranqüila.


Mas eis que a bela mulher do patrão resolve dar em cima dele. Ele não queria mais problemas na vida, mas a piriguete estava tomada de um desejo atroz. Ela queria o cara e pronto.


Um dia ela o atrai à casa, ao seu próprio quarto. Oferece-se a ele, ele recusa, ela insiste: - Venha pra cama comigo. Ela o agarra.  Ele recusa, se desvencilha, foge mas deixa sua capa nas mãos dela.


Ela grita para todos ouvirem que ele a tinha atacado, tentado fazer sexo com ela à força. O marido aparece, vê a capa nas mãos dela. O cara é preso.





Dois rapazes se hospedam na casa de um senhor. Eles são realmente muito bonitos, de aparência angelical. Os vizinhos percebem. Numa sanha erótica querem ser apresentados a eles. O dono da casa recusa. Os vizinhos insistem, forma-se uma tremenda confusão, querem invadir a casa. Os homens da vizinhança querem fazer sexo à força com os dois rapazes. Eles são bonitos como anjos.





Duas irmãs estão doidinhas para transar. Não encontram nenhum homem disponível nas redondezas Numa certa noite sem conseguir segurar o enorme desejo elas embriagam o pai e fazem amor com ele. Engravidam e têm os filhos.





O noivo prestes a se casar conta para quem quiser ouvir que quer os lábios da noiva lhe cobrindo de beijos, que o amor dela é melhor que o vinho. Ela responde - Vamos depressa, leve-me para seu quarto. Ele diz: - Como seus olhos brilham de desejo! Seus lábios são como uma fita vermelha, seus seios como duas crias gêmeas, sua língua é para mim como leite e mel. Ela responde que já passou a mão pela abertura da porta de seu amor e que seu coração estremeceu. Ele diz: - Como você é linda, como você me dá prazer, eu vou subir em suas palmeiras e colher seus frutos.


Ela confessa que ele lhe levou para o salão de festas e que ali se entregaram ao amor e pede que lhe tragam passas para recuperar as forças e maçãs para se refrescar pois está desmaiando de amor.





Calma, isso não é nenhum roteiro erótico.


Esta assim literalmente na Bíblia, ipsis literis. Respectivamente em Gênesis 39 1:23, Genêsis 18 16:33, Gênesis 19 30:38 e em Cântico dos Cânticos.


Há mais.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O Boeing 747 da Dilma

Não há psicanalista que não esteja pensando nisso. A piada é inevitável.



Dilma não quer mais o que herdou de Lula, ela quer o dela, maior, bem maior. Ela está sonhando em comprar um Boeing 747 igual ao Air Force One do Obama.


Há poucos símbolos fálicos mais poderosos que um avião a jato. Por que ficar com um simples Airbus A-319 quando se pode ter um Jumbo 747?


Inclusive por que uma das justas alegações da Dilma é que o A-319 tem pouca autonomia, precisa fazer escalas para ser reabastecido em viagens longas. Isto é, falta-lhe potência para longas jornadas noite à dentro.





A presidente também reclama que o Aerolula é muito suscetível a turbulências, que ela prefere algo mais estável. Certíssima, toda mulher precisa de uma relação estável.


Dilma tecnicamente é um ser castrati, portanto nada mais justo que sonhe em ter seu próprio Jumbo.


Calma amigas! Nada de partir pra cima de mim com a fúria de uma Lorena Bobbit. O conceito é lacaniano, pergunte pro seu psicanalista.





Para Lacan a Mulher não existe, já que ela não tem acesso à ordem simbólica. Existem mulheres, mas não a Mulher. Ela é caracterizada pelo que lhe falta - oh adorable absence - não pelo que tem e aí está a origem de seu complexo de castração, da inveja do pênis e do complexo de Electra, a variante feminina do de Édipo. Como Dilma é castrati, mas não é cega, está de olho numa coisa maior, mais poderosa.





Não vale a pena ficar discutindo a relação de Dilma com o Aerolula.


Vamos torcer para que ela consiga comprar um Boeing pra chamar de seu mesmo que isso, sorry Édipo, nos custe os olhos da cara. Para ser exato mais de um quarto de bilhão de dólares. É quase uma dívida grega.

Pamela Harriman


Ser uma cortesã é uma das melhores opções de vida que uma mulher pode escolher. Elas vivem sempre cercadas de amigos, homens e mulheres dedicados. Desfrutam de poder, muito poder, e respeito muito respeito. Têm mais dinheiro do que podem precisar e se divertem muito.


Atenção, cortesãs não são prostitutas.




Desde menininha Pam revelou sua grande vocação e estratégia. Quando o carro de sua mãe quebrou no meio da estrada ela a consolou: - Um homem vai aparecer e resolver tudo.

Tudo começa com uma boa educação. Não apenas no sentido convencional, não no sentido formal. Elas não se educam, os homens as educam. Orientam e conduzem.


E começam cedo, muito cedo. Logo aos 15 anos, às vezes menos ainda.


Pamela Harriman é o melhor exemplo da cortesã moderna. Uma mulher assombrosamente encantadora. Ela acumulou fortuna, maridos, amantes e poder. E fez tudo isso graciosamente, encantadoramente. Com elegância e sofisticação. Um charme.





Pamela Beryl Digby nasceu no interior da Inglaterra de família nobre.

Filha do 11° Barão Digby e neta do 2° Barão Aberdare ela foi educada por uma governanta na propriedade da família em Dorset.

Sobrinha em terceiro nível da belíssima aristocrata Jane Elizabeth Digby, Lady Ellenborough, que algumas gerações antes de Pam escandalizou as cortes europeias com sua agitadíssima vida amorosa.

Um de seus divórcios foi julgado no Parlamento Britânico. Maridos e amantes duelaram suas espadas por Lady Ellenborough.

Jenny, a Aurora, teve quatro maridos e muitos amantes. O poderoso estadista do império Habsburgo Prinz Felix zu Schwarzenberg, o rei Ludwig I da Baviera e seu filho o rei Otto da Grécia, o conde da Grécia Spyridon Theotokis, o barão alemão Karl von Vennigen, alguns generais, vários membros da aristocracia européia e mais alguns priminhos.




Tia Jenny terminou seus alegres dias em Damasco, sinceramente convertida ao muçulmanismo, nos doces braços do Sheikh Medjuel el Mezrab, 20 anos mais novo que ela.



Noblesse oblige, Pamela começou sua movimentada vida amorosa quando foi “raptada” aos 15 anos para uma temporada de paixão na França.



Aos 17 anos Pam foi mandada à Alemanha para estudar numa escola de moças para aperfeiçoamento e preparo para a vida social, em Munique. Depois foi para Paris onde teve aulas na Sorbonne. 


Com 19 anos ela voltou à Inglaterra e se casou com Randolph filho do primeiro-ministro Winston Churchill. Pamela foi morar em Londres com os sogros na 10, Downing Street, a residência oficial dos primeiros-ministros britânicos.


Churchill que não gostava do filho adotou Pam que se tornou a mulher mais bem relacionada social e politicamente da Inglaterra. Ela foi sua anfitriã preferida para entreter os líderes mundiais e eventualmente descobrir seus segredos. Foi assim que ela conheceu e se tornou amante de Averell Harriman, Fred Anderson, Bill Paley e Ed Murrow.





Eles foram alguns de seus mestres na sofisticada arte cortesã. Cortesãs têm uma enorme afinidade com homens mais velhos. Com eles elas se refinam.


Essa educação começa na mesa, na sala de jantar, muito antes de chegar ao quarto. Assim elas passam a dominar primeiramente a arte de ouvir, antes da arte de amar. Aprendem a se tornar companheiras antes de se fazerem amantes.


O grande talento da cortesã no quarto é que lá ela também sabe ouvir.


Tão treinado como a mente, o corpo da cortesã é um instrumento a ser usado com perfeição. Conhecendo as vulnerabilidades do homem ela complementa o espaço de confiança em sua mente com o espaço confiável de seu corpo. 


Entre outros Pamela foi amante do príncipe Aly Khan, de Alfonso de Portago, de Gianni Agnelli e do Barão Elie de Rothschild, Frank Sinatra e o príncipe Rainier de Mônaco.


Amante de homens casados Pamela certa vez passou pelo constrangimento de enfrentar a deselegância de uma dessas esposas que num acesso de ciúmes jogou seu próprio Rolls-Royce contra o Rolls-Royce de Pamela estacionado numa rua de Paris.


Uma indelicadeza imperdoável.





Perfeccionista, Pamela se tornou conhecida por sua grande atenção aos detalhes. Quando estava envolvida com um homem ela satisfazia plenamente seus desejos. Atenta às suas preferências ela foi exímia com todos eles na refinada arte de satisfazer suas mais específicas necessidades.


William S. Paley com quem ela teve um breve affair lhe fez lhe este delicado e supremo elogio,


– Ela é a maior cortesã do século. 


Depois de se separar de Randolph Churchill ela se mudou para Paris onde manteve um romance que durou cinco anos com o playboy bilionário Gianni Agnelli herdeiro da FIAT.


Durante estes anos o casal levou uma vida feérica. Muitas vezes eles jantavam em Paris, dançavam em Roma, amanheciam em Saint Moritz e depois ficavam na Côte D'Azur, disse a princesa Irene Galitzine.

Pamela e Gianni, um ferozi stradale, muitas vezes cruzavam loucamente pelas estradas numa Ferrari seguidos de cima pelo helicóptero da segurança.

Pamela depois descreveu este período como o mais feliz de sua vida.

La dolce vita.




Seu relacionamento seguinte foi com o Barão Elie de Rothschild, banqueiro bilionário e renomado vinicultor. Rothschild, que era casado, lhe apoiou-a financeiramente e lhe refinou em História da Arte e Enologia.


Durante este tempo ela também se divertiu com o escritor Maurice Druon e com o magnata e armador grego Stavros Niarchos.

Cativante na arte de faça seu homem feliz quando Pam morava na 10, Downing Street se tornou espiã, quando estava com Elie Rothschild aprendeu a conhecer vinhos, quando estava com Gianni Agnelli se converteu ao catolicismo.




Depois de Elie ela conheceu o produtor da Broadway Leland Hayward que ainda era casado com Slim Hawks e se mudou para New York. 


Após o divórcio dele ela se tornou a quinta Sra. Hayward do rico produtor de The Sound of Music e passou a levar uma vida agradável e suntuosa em Nova York e no Westchester County, até a morte do marido.


No dia seguinte ao funeral Pamela retomou sua relação com o ex-amante Averrel Harriman, Secretário do Comércio do presidente Truman, herdeiro de estradas de ferro, embaixador na União Soviética e Grã-Bretanha e governador de Nova Iorque.


Harriman estava com 79 anos e ficara viúvo recentemente. 





Com este casamento o foco social de Pamela se transferiu para Washington, DC, onde o casal tinha uma mansão em Georgetown, uma propriedade na Virgínia e um jato particular.


Como Pamela Churchill Harriman ela se tornou cidadã americana e por conta do envolvimento de Harriman com o Partido Democrata ela entrou no partido e começou sua carreira política.

O autor Christopher Ogden comentou maldosamente que se ela tivesse casado com Nelson Rockefeller teria entrado para o Partido Republicano. 


Pamela criou um sistema de angariação de fundos chamado Democratas para os anos 80 e depois Democratas para os anos 90, apelidado de PamPAC. Chegava a cobrar cinco mil dólares por cabeça nos jantares em sua própria casa.


Em 1980 o Clube Nacional das Mulheres Democratas nomeou-a como a Mulher do Ano.


Um reconhecimento justíssimo. 





Na campanha de 1992 ela levantou 12 milhões de dólares para Bill Clinton.

Casada três vezes com homens ricos e famosos que lhe deixaram as fortunas, ela teve a visão, o poder e a riqueza que precisava para ajudar a financiar o futuro presidente dos Estados Unidos. Se atrás de todo grande homem há uma grande mulher, Pamela foi esta mulher para Bill Clinton.


Depois de Clinton eleito a qualquer hora que queria vê-lo ela o chamava e ele ia direto para a casa dela em Georgetown.


Em 1993 Clinton a nomeou embaixadora dos Estados Unidos na França.


Quando assumiu a embaixada ela contratou o grande decorador Mark Hampton, que apenas na França tinha feito três casas para Estée Lauder, para redecorar a parte privada da embaixada.

Lá ela viveu principescamente até morrer em 1997 ao sofrer uma hemorragia cerebral quando nadava na piscina do elegantézimo Ritz de Paris, como ela fazia todas as manhãs.


O presidente da França Jacques Chirac colocou a Cruz da Legião de Honra em seu caixão. Esta foi a primeira vez que a condecoração foi concedida a uma diplomata estrangeira.


Por determinação do presidente Clinton ela foi levada para os Estados Unidos no Boeing 747 presidencial Air Force One.


No seu funeral, onde compareceram a fina flor da política e do poder mundial, ela recebeu merecidamente do governo americano honras de chefe de estado na Catedral Nacional de Washington.


Um grande réquiem para uma grande cortesã.




O grande escritor Truman Capote a descreveu como a gueixa que fez todo homem feliz.

Toda mulher que sonha em se casar com um milionário se pergunta como Pamela conseguiu fazer isso três vezes. Simples.


Pamela Harriman se tornou uma jovem amante destes homens enquanto eles eram casados com outras mulheres. Depois casou-se com eles, tratou-os muito bem, e quando eles morreram ficou com cada centavo.

Uma das melhores opções de vida que uma mulher honesta pode escolher.

domingo, 22 de julho de 2012

Presente de Grego


A Troika se reúne esta semana.


Será nos próximos dias a reunião da comissão formada pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI  que está inspecionando o cumprimento das reformas econômicas pela Grécia.




Atenas espera por algo em torno de 12,5 bilhões de euros em agosto e setembro mas seus principais credores, a Alemanha e o FMI não estão mais dispostos a colocar dinheiro bom em negócio ruim.


Philipp Rösler, ministro alemão da Economia diz que "se a Grécia não cumprir as condições que negociou, não poderá receber mais pagamentos" e que a falência da Grécia e sua saída da zona do euro "deixou de ser assustador há muito tempo". Os gregos se transformam em seu próprio presente anunciado.





O problema é que os gregos mentem, maquiam os dados, deixaram parados os planos das reformas durante a campanha eleitoral no início do ano e agora eles pedem mais tempo para a executá-las.

Além disso até as pedras da Acrópole sabem que os 130 bilhões de euros do segundo pacote já não bastam para sanar a economia.


Neste cenário Angie não irá novamente ao Parlamento alemão pedir a aprovação de um terceiro pacote grego quando nas últimas decisões parlamentares ela já teve dificuldades para chegar a um consenso dentro da própria coalizão de governo. A população então não quer nem saber dos problemas dos gastadores gregos, nem acha graça alguma trabalhar até aos 67 quando os gregos se aposentam aos 50 anos, com quatro horas de sesta.





O buraco é uma verdadeira tragédia de Sófocles, a dívida do país é 165% maior que o próprio PIB.

A Grécia precisa e espera receber 380 bilhões de euros até 2014. Isso é quase o tripo do que se gastou na reconstrução da Europa e da Turquia após a Segunda Guerra Mundial.

É mais do que o triplo que os 120 bilhões gastos na Reunificação da Alemanha, um gasto que desacelerou a economia européia e quase provocou uma recessão grave. Na verdade para alguns economistas boa parte dos problemas econômicos europeus atuais começou aí.



Na reunificação alemã foi preciso reconstruir integralmente um país inteiro, refazer todas as estradas, fazer autoestradas, refazer toda a infraestrutura inclusive a telefônica, de geração e fornecimento de energia, criar modernos centros industriais e reconstruir praticamente todos os domicílios. Isso para não falar de reformar toda a estrutura administrativa, legal, jurídica, econômica e financeira.

Isso num país que tinha uma população de 17,5 milhões contra os 11 milhões da Grécia. A grande São Paulo tem mais habitantes que a Grécia inteira.



No caso da Grécia a dívida é praticamente da farra financeira, refinanciamentos e gastos com a maquina do governo.


Até 2014 será preciso emprestar a cada grego o equivalente a 87 milhões de reais. É como premiar todos os gregos com uma mega sena de seis em seis meses. A todos, a cada um.

Não há Demóstenes que convença alguém em sã consciência a gastar tanto para salvar um pequeno país cuja população e classe política são percebidos na UE como inconsequentes.



A falência da Grécia e sua saída da zona do Euro mesmo que não desencadeie um efeito dominó dentro da UE terá conseqüências imprevisíveis, nenhuma delas boa, para a economia mundial que já não anda muito bem. A China já não está mais puxando a economia global como fez na última década.

Um ovo da serpente pode estar chocando debaixo das oliveiras. A Grande Recessão teve um gatilho bem menor.

O Prazer Feminino


A emancipação da mulher largamente associada a sua inserção no mercado de trabalho tem pouco ou precisamente nada a ver com uma conquista revolucionária. Aconteceu por uma necessidade puramente capitalista quando a Revolução Industrial precisou de mais mão de obra, e de mão de obra barata, para suas fabricas.





A verdadeira emancipação feminina vem de sua conquista ao prazer, também associada de certa forma a uma inovação tecnológica.


Esta conquista do direito ao prazer, que alterou profundamente as relações sociais, tem no Brasil dois marcos culturais importantes. A exibição do filme Les Amants de Louis Malle e um trecho de Engraçadinha de Nelson Rodrigues.





O filme de Malle causou escândalo principalmente por uma cena de insinuação de sexo oral. O filme criou protestos mundo afora e chegou a ser censurado tanto nos Estados Unidos quanto na então União Soviética.


Aqui no Brasil ele passou surpreendentemente sem cortes, mas gerou protestos indignados. A Igreja chegou a classificá-lo como tendo por único objetivo mostrar “publicamente cena de requintada libertinagem”.





O fato é que o prazer feminino foi para as manchetes dos jornais, para as conversas em familia, enfim tomou as ruas. Nelson, como sempre brilhante, traduziu o espanto masculino numa cena de Engraçadinha onde o juiz Odorico, depois que sua mulher exigiu que ele reproduzisse nela a tal cena, lamenta indignado,


- Essa fita miserável envenenou a imaginação de todo mundo... a família brasileira acabou...os casais viviam tranqüilos e consolidados no seu estável tédio sexual. Fui humilhado, ou melhor: violentado. Eu me violentei!





Estava aberta uma caixa de pandora que desestabilizou completamente a psique masculina que até hoje ainda não se refez completamente. Ao que parece esta nova mulher até agora ainda não encontrou o novo homem que merece.

sábado, 21 de julho de 2012

Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo


Myrna Escreve.


Com o heterônimo de Myrna, Nelson Rodrigues manteve uma coluna no Diário da Noite de conselhos sentimentais, uma coluna de cartas com as leitoras que ele recebia e respondia. Dificilmente se encontra o humor do divino Nelson de forma mais destilada do que aqui. A graça começa no próprio nome do jornal que sugere uma contradição que obviamente inexistente não deixa de ser engraçada.





Nelson criou pseudônimos e heterônimos femininos de sonoridade tipicamente escrachada e suspeita que por si só já são uma piada, Suzana Flag, Maria Amélia, Kalipsus Lucy. Myrna que na ilustração do jornal usava uma tarja negra lhe cobrindo os olhos se apresentava como uma alma irmã, uma guia para mulheres desamparadas. 





Certamente a maioria das cartas era escrita pelo próprio Nelson para justificar suas respostas deliciosas. Ou você teria coragem de pedir conselhos sentimentais a este anjo pornográfico? Nelson tratava as leitoras com um carinho histriônico. Era meu anjo para cá, minha doce leitora para lá. Myrna resolvia problemas insolúveis dava conselhos baseados em seus alegados e profundos estudos da alma humana.





Muitas vezes Myrna era implacável. Uma dona-de-casa que lhe escreveu se dizia infatigável, esposa fidelíssima e econômica, mas que o marido tinha deixado de gostar dela. Myrna responde que o marido estava certo, que virtude assim imoderada passa a ser defeito e defeito dos mais graves. 





Há uma destas cartas-diálogo que é Nelson em seu estado mais puro. Uma overdose.


Uma leitora lhe conta que é casada e bem casada. Que tem uma bela casa, uma vida confortável, que nada lhe falta, que tem filhos equilibrados e um marido fiel. Ela diz que ama o marido e que é amada, mas que não é feliz.


O problema da doce leitora já é de ter ataques de riso. Myrna lhe responde com esta pérola rodriguiana:


Meu anjo, não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo.

Da língua


Adoro línguas.


Suas sonoridades, a origem de suas palavras, seu ritmo e por mais estranho que pareça à primeira vista suas vocações. Que elas efetivamente as têm como qualquer ser vivo.


As circunstâncias de onde elas se desenvolvem é um de seus aspectos mais fascinantes. Houve uma delas, desaparecida infelizmente, que tinha uma palavra específica para o brilho de luz que se refletida de uma gota de água caindo após escorregar de uma folha. É sofisticado demais para imaginar que a tal língua era de uma tribo de desenvolvimento primário do Pacífico Sul. Mas de estética poética eles entendiam. Gauguin que o diga.





O caráter das sonoridades nas línguas é fascinante. Veja que enquanto temos na lusa fala cinco vogais o Turco têm oito. O Árabe apenas uma. 


Isso faz uma diferença enorme na suavidade da língua. Sem nenhum preconceito, quando se ouve uma conversa entre árabes parece que eles estão brigando. Tente falar o número sete em Árabe na frente de uma criança, é capaz dela começar a chorar de mêdo.





E por falar em crianças, tente repreender uma delas dizendo não em Francês. A pestinha vai continuar fazendo a besteira sem lhe dar a mínima. Agora diga não em Alemão. Ela vai congelar. Experiência própria, quando meus filhotes passavam dos limites e não atendiam em Português bastava dizer um sonoro não em Alemão.





As vocações são ainda mais interessantes.


Discutir negócios em inglês, falar de amor em italiano, expressar conceitos em alemão por exemplo.

Ou discutir qualquer assunto polêmico em Português, pois parece que nossa língua foi feita para permitir que você desdiga o que acabou de afirmar sem o mínimo constrangimento. Frases em Português carregam duplo sentido sempre, é só mudar o ritmo. A pretensa Flor do Lácio é língua de mentiroso.

Não importa quem você eleja, aqui como na Terrinha, ninguém é accountable. Não adianta cobrar, você vai sempre ouvir que não havia entendido direito.





Um divertido resumo da essência das línguas européias é de Napoleão.


- Falo Francês com meus generais, Latim com Deus, Italiano com as mulheres e Alemão com meu cavalo.

Mas com Josefina o corso não ia de língua, ia de nariz:

- Chego em duas semanas, não tome mais banho. 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Politicamente Incorreto


A praga do politicamente correto está não apenas aumentando tremendamente a intolerância pública, por servir de canal para o que há sempre dela latente nas populações, mas está fazendo uma grande vítima: o Humor.





O próprio Dedé Santana comentou isso, dizendo que está cada vez mais difícil fazer piadas. Ele lembra que chamava coloquialmente o Mussum de negão e este o chamava de paraíba, apesar de cearense, e que hoje nem pensar. Não dá mais para brincar com homossexuais, nordestinos, gaúchos, judeus, padres ou negros.


Piadas étnicas podem levar ao tribunal de Haia. Você ali do ladinho do Radovan respondendo por crime contra a Humanidade. Alias você conhece aquela do bósnio que.., bem deixa prá lá.





Acontece que qualquer pré-candidato a vestibulando de psicologia sabe que o riso é necessariamente uma desrepressão. E quanto maior for a repressão liberada maior a gargalhada.


Ontem por exemplo.


A Organização Internacional do Trabalho publicou um relatório onde mostra que 25,3% de jovens negras no Brasil entre 15 e 24 anos não estudam e não têm emprego remunerado. Uma em cada quatro jovens negras brasileiras não estuda ou não trabalha.


Trabalho e Educação? Imagine quantas piadas sarcásticas passaram pela minha cabeça. Tanto em relação aos quartos de empregadas vazios quanto à educação necessária ao bom desempenho nos mais diversos serviços domésticos.

Você entendeu.


Todas absolutamente impublicáveis, impensáveis.


Seria execração na hora, cadeia depois. Fiança e processo. E de nada ia adiantar Heron, Dinha ou Jacy, todas negras, todas ex-namoradas, aparecerem na frente do juiz para me defender.




A rigor, de todos, o humor sarcástico, o cáustico é o mais genuíno por ser o mais brutal ao tocar no proibido, no impensável. O Humor é essencialmente iconoclasta.


Lembro-me de uma charge fantástica do Jaguar mostrando um ceguinho, de óculos escuros, de bengala, vestido com uma bata modelito Grécia Antiga carregando uma placa pendurada no pescoço onde se lia “Amor só de Mãe”.


Uma outra do Henfil, publicada em pleno Natal, em que um Papai Noel, com cara de tarado mostra suas partes íntimas para um grupo de crianças horrorizadas, de cabelos em pé. O bom velhinho lhes pergunta,


– Vocês querem ver o saco do Papai Noel?


Claro que a barreira do mau gosto é o limite.


Limite alias que o Obama ultrapassou vergonhosamente esta semana ao expor a Michelle no programa da Ellen a um trocadilho infame com “go all the way down” da Michelle na Ellen, que é declaradamente lésbica. Se alguém aí tá pensando que ele não fez na entrada mas fez na saída está enganado: ele fez na frente de milhões de espectadores.





No dia-a-dia eu perco o amigo, mas não perco a piada.

Quando um grande amigo me telefonou para contar exultante que a esposa estava grávida eu não resisti e lhe perguntei,

- E você já sabe quem é o pai?

Não perdi o amigo, sou o padrinho da segunda filha do casal. É bem verdade que ele não esqueceu e anos depois me devolveu a piada em dose dupla. Eu ri em dose tripla.

Tive uma namorada que também era de perder o namorado, mas não perdia a piada. Estávamos num grupo apenas de amigas dela e o papo era o quanto era importante para os homens que as mulheres fossem boas de cama. Eu ali servindo de material de pesquisa. A certa altura eu disse que ela era ótima no assunto. Ela me olha espantada com um ar de desaprovação:

- Não diga isso para minhas amigas! Conte para os seus amigos.





Na Alemanha qualquer material relacionado ao nazismo não apenas é proibido como dá cadeia imediata.

Há até um livro interessante com expressões típicas da era nazi que se devem evitar, tais como raça superior, minha luta, solução final, etc.


Quando morei lá eu me divertia me fazendo de desentendido, já que estrangeiro, perguntando ao fim de alguma reunião de trabalho:


- Mas qual a solução final (Enderlösung ) para este problema? Ou ainda: 


- Minha luta (Mein Kampf) é para fazer o melhor trabalho possível. Ou então:


- Lindo este seu cachorro, é comum ou de raça superior (Überberlegene Rasse)?


Os caras ficavam mais vermelhos que uma wurtz.





Rir de si próprio é ainda mais saudável, melhor ainda se for com ironia ou sarcasmo. Um dos alemães com quem trabalhei se tornou meu amigo. Um belo dia ele faz o gesto da saudação nazista e me pergunta:


- Você sabe o que significa isso?


- Pare com isso Horst, você quer ser preso?


- Sabe ou não sabe?


Então ele repetiu o gesto bem lentamente enquanto dizia:


- Olha só o tamanho da merda que estamos fazendo!





Durante os últimos dias da segunda guerra mundial, faltando dois dias para a rendição incondicional, com os russos às portas de Berlim, bombardeando, saqueando e estuprando apareceu em um dos últimos muros que ainda estavam de pé na cidade em ruínas o graffiti:


Dá- se aulas de russo. Aprenda enquanto é tempo.





Imagine as piadas que se contavam nos tradicionais cabarés da cidade que não fecharam, nem pararam seus shows nem mesmo por um dia. Principalmente por naquele momento tio Adie estava dando umas balinhas de ácido cianídrico para a cadela dele.


Qual? A Blondi é claro.


Se você pensou na Eva é por que entendeu o espírito da coisa. Pode rir, ela também tomou.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Francisco de Oliveira Ferro


Francisco de Oliveira Ferro.


Ferro, mais simplesmente, foi um tio que tive há até umas semanas atrás. Cearense, duro, macho e determinado, ele era erroneamente conhecido por sua intolerância.


Muitas vezes ele foi rude e áspero, mas ele era muito mais que isso. Ferro era uma figura muito complexa para ser rotulado assim superficialmente. Ferro na verdade foi um ser humano muito culto e fascinante.





Estávamos no malfadado (pelo menos para minhas primas) bar Garagem, na Boa Viagem em Recife, tomando uns refrigerantes. E cervejas não o são? Refrigeram mesmo.


A certa altura notei a falta de um garçom, uma rapaz jovem e simpático que sempre nos atendia com muita gentileza.


- Cadê fulano? perguntei.


- Não trabalha mais aqui. Ele casou e como foi morar longe arrumou outro emprego.


- Casou? Quem é a mulher?


- Não é mulher é um homem, o namorado dele. Um sujeito super gente boa.


Ferro disse isso com uma simplicidade e uma naturalidade como se fosse a coisa mais normal do mundo os homens saírem por aí se casando uns com os outros.


Apesar dele se dedicar alegremente ao esporte nacional pernambucano de falar da vida alheia, Ferro era com certeza da filosofia viva e deixe viver.



Nos primeiros dias após o golpe militar de 64 foi com sua carteira de identidade que Diógenes de Arruda Câmara conseguiu escapulir das forças da ditadura que o procuravam no Nordeste. Um risco incalculável, uma dívida impagável.

Médico sanitarista ele foi o responsável na Organização Mundial de Saúde pelo controle da malária na America do Sul. À frente do ministério da saúde brasileiro ele efetivamente a conseguiu erradicar durante o período em que assumiu esta responsabilidade no Brasil.

Pragmático, quando era estudante de medicina e interno na Tamarineira, o hospital psiquiátrico público de Recife, numa noite já cansado do plantão ele foi dormir e encontrou um "louco" deitado em sua cama. Ferro deitou-se na cama ao lado e ficou conversando com o paciente. Na boa.



Quando conheceu a mulher com quem se casou e viveu até que ela se fosse ele me confessou:

- Era linda, jamais vou esquecer de cada detalhe do dia em que a vi pela primeira vez.

Ele tinha um grande conhecimento de cinema e assistimos juntos a muitos clássicos em sua casa. Ele sabia tudo a respeito. Assistimos muitos filmes em seu escritório.

Acima do sofá ele colocou aquele poster icônico da década de 60 de um menino guerrilheiro vietcong com um fuzil na mão. Até hoje não lembro se fui eu quem lho deu, se compramos juntos um para cada um ou se foi ele que me deu um igual de presente.

Informadíssimo era assinante da Folha de São Paulo, dos dois jornais locais, Veja, Isto É, Época, Gourmet e Dinheiro. Lia tudo mesmo.



Colecionador de bonés, canivetes, sapatos e armas ele chegou a ter um arsenal em casa que dava para promover uma rebelião. Ele tinha uma impecável Lugger P.08 9mm Parabellum que os oficiais da Wehrmacht usaram na II GG. A coleção era tão parabellum que ele foi aos poucos se desfazendo dela. Menos de uma obra prima tcheca calibre 22 que cabe na palma da mão. Tão pequena e delicada que uma vez lhe perguntei,

- Será que funciona?

- Está carregada.



Tínhamos algumas grandes preferências em comum. Bacalhoada, salmão grelhado, azeite hyper virgem, Fados e naturalmente (para desespero de minhas primas) Dimple 18 anos e Dão.


E para quem ainda possa pensar que ele não tinha sensibilidade, certa vez estávamos ouvindo Aquarela do Brasil do Ary Barroso.


Ferro passou então a me explicar longamente o significado de "merencória luz da lua". Convenhamos que merencória é uma palavra que só o Ary conhece. Pois bem, Ferro me explicou a sutil diferença entre merencória e melancólica. Merencória, aprendi, é algo singelo, sereno e suave o que assim lhe diferencia de uma simples e aparente melancolia.


- Assim é o luar, disse ele.



Imediatamente liguei para um amigo compositor e lhe contei a história.

- Preciso conhecer este cara!


Ferro era phodda. Com pêagá de phamarcia e dois dês de toddy.

Saudades do cabra.

Resumo das maiores obras da literatura mundial


Meu amigo Paulo Welzel me mandou estes textos muito bem humorados para quem não tem tempo a perder, mas também não quer ficar por fora das maiores obras da literatura mundial. Atenção para o resumo das 1.200 páginas de Guerra e Paz.


Thanks Paulo. 





Romeu e Julieta. William Shakespeare.


Dois adolescentes doidinhos se apaixonam, mas as famílias proíbem o namoro, as duas turmas saem na porrada, uma briga fodida, muita gente se machuca. Então um padre filho da puta tem uma idéia idiota e os dois morrem depois de beber veneno, pensando que era sonífero.





Madame Bovary. Gustave Flaubert.


Uma dona de casa mete o chifre no marido e transa com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do boteco, o dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois entra em depressão, envenena-se e morre.





Guerra e Paz. Leon Tolstoi.


Um rapaz não quer ir à guerra por estar  apaixonado e por isso Napoleão invade Moscou. A mocinha casa-se com outro.





À La recherche du temps perdu, Em Busca do Tempo Perdido. Marcel Proust.


Um rapaz asmático sofre de insônia porque a mãe não lhe dá um beijinho de boa-noite.  No dia seguinte come um bolo e escreve um livro. Nessa noite tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos. Tudo termina num baile onde estão todos muito velhinhos, e pronto.





Os Lusíadas. Luís de Camões.


Um poeta com insônia decide encher o saco do rei e contar-lhe uma história de marinheiros que depois de alguns problemas, logo resolvidos por uma deusa super gente fina, ganham a maior boa vida numa ilha cheia de mulheres gostosas.





Hamlet. William Shakespeare.


Essa é foda. Um príncipe com insônia passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada que, entretanto, se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira e morre assassinado pelo irmão da namorada, a mesma  que era doida e que tinha se suicidado.





Othelo. William Shakespeare.


Um rei otário, tremendo Zé Roela, tem um amigo muito filho da puta que só pensa em fazê-lo de bobo. O malandro não ganha um cargo no governo e resolve se vingar do rei convencendo-o de que a rainha está dando pra outro. O Zé Mané acredita e mata a rainha. Depois descobre que não era corno mas apenas muito burro por ter acreditado no traíra. Prende o cara e fica chorando sozinho.





Édipo-Rei. Sófocles.


Maluco tira uma onda, não ouve o que um ceguinho lhe diz e acaba matando o pai, comendo a mãe e furando os olhos. Por conta disso, séculos depois, surge a Psicanálise que, enquanto mostra que você vai pelo mesmo caminho, lhe arranca os olhos da cara em cada consulta.

Parada muito doida.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Axé Music Genereitor


Prova definitiva de que músicas de Axé são produzidas genericamente por um software onde você digita umas palavras chave e a musica já sai prontinha.


Já estão nas ruas de Salvador os carros da campanha política tocando todos a mesma música. A diferença é o nome do candidato, o resto é absolutamente igual.


O Axé Music Genereitor é produzido pelas Organizações Tabajara à partir de uma cópia pirata do altamente secreto programa original desenvolvido pelo Chiclete há mais de vinte anos.





Já o MS Arroxeitor Genereitor este se compra fácil por 3 reais em qualquer pirata da esquina. Se você comprar junto com o Adobe Forrozeitor Calipzeitor os dois saem na promoção apenas por 5 reais e você ainda leva uma linda calcinha preta de brinde para dar de presente para uma garota safada, dessas que tem cheiro de menina.


Sem parangolé, na bronka.


Há dois modelos o ivete e o joelma, mas cuidado por que o joelma poder ter uma manchinha.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Alguns avós Câmara


João Gonçalves Zargo foi um muito honrado homem natural d’a Villa de Mattosinhos, segundo a opinião d’o Padre Mestre Fr. João de Deus, melhor investigada; foi muito sciente n’a Arte d’a navegação, pelo que o Infante D. Henrique, filho d’EI Rei D. João 1°, o tomou por cavalleiro de sua Casa, e se serviu d’elle pãra os seus descobrimentos; foi o Primeiro que achou a Ilha d’a Madeira, d’a parte d’a qual, a que chamão d’o Funchal (nome d’a Cidade) o fez Capitão Governador e Donatario, por concessão que para isso tinha de seu sobrinho El Rei D. Affonço 5°, cuja mercê lhe foi feita em o 1° de Novembro de 1450 annos.


Morreu provecto de annos e jaz enterrado n’a Egreja de Nossa Senhora d’a Conceição que hoje é Convento de Freiras de Sancta Clara, a qual elle fez pãra seu enterro.Casou com Constança Rodrigues Almeida, outros dizem de Sá, e que era filha de Rodrigo Annes de Sá, e de Cecilia Colonia, em titulo de Sás, e irmãa de João Rodrigues de Sá, o d’as Gales; cuja opinião é commummente seguida.





João Gonçalves d’a Camara, filho 1° de João Gonçalves Zargo, nasceu n’o anno de 1414, succedeu n’a Casa de seu pae; e foi segundo Capitão d’a parte d’o Funchal, d’esta Ilha; chamárão-lhe o d’a porrinha em razão de um pau que trazia n’a mão em signal de castigo contra os malfeitores. Serviu em Africa, e se achou n’a tomada de Arzila, foi muito valoroso e devoto d’a Religião; fundou o Convento de Sancta Clara; e n’elle metteu suas filhas, em cuja Egreja jaz sepultado com seu pai; morreu em 26 de Março de 1501 com 87 annos de edade e 34 de governo d’esta Ilha.





D. Izabel que foi Freira n’a Conceição de Beja, d’onde veio n’o anno de 1497 pãra fundadora d’o Convento de Stª Clara d’esta Cidade, d’o qual foi primeira Abbadeça.





Simão Gonçalves d’a Camara, filho 2° de João Gonçalves d’a Camara, nasceu n’o anno 1463, succedeu n’a Casa de seu pae, e foi 3° Capitão d’esta parte d’o Funchal: chamárão-lhe o Magnifico pelo generoso d’o animo, foi varias veses com socorros á Africa em vida de seu pae, e ao depois n’o tempo d’o seu governo, em o qual fez mercê  El Rei D, Manuel de fazer pelos seus serviços, Cidade d’o Funchal a esta que até então foi Villa, cuja mercê foi feita n’o anno de 1508.





João Gonçalves d’a Camara, filho 1° d’o primeiro matrimonio de Simão Gonçalves d’a Camara, nasceu em 1489, e succedeu n’a Casa e Capitania de seu pae, excepto n’o Senhorio d’a Ilha Dezerta, que se desmembrou pãra pagamento de seu irmão Luiz Gonçalves de Atayde pelo dote de sua mãe; foi bom cavalleiro, e serviu a El-Rei em Africa varias vezes: 





Luiz Gonçalves d’a Camara, que foi Padre d’a Companhia de Jesus, e Mestre de El Rei D. Sebastião.





Fernão Gonçalves d’a Camara, que os Mouros mattárão em Tanger, solteiro. 





Martim Gonçalves d’a Camara, que foi Clerigo, e o primeiro Reitor em Coimbra, Presidente d’a Consciencia, Escrivão d’a Puridade d’El Rei D. Sebastião, e Presidente d’o Dezembargo d’o Paço, e d’o Conselho Real, Védor d’a Fazenda, e muito privado d’o dicto Rei; sem que nunca se valesse d’o dicto valimento não quiz nunca acceitar Bispado nem Arcebispado; morreu recolhido n’a Companhia de Jesus.





Simão Gonçalves d’a Camara, filho 1° de João Gonçalves d’a Camara, succedeu n’a Casa e Capitania de seu pae, e foi o 5° Capitão d’esta Jurisdicção d’o Funchal, serviu a El Rei em África por muitas vezes, e accompanhou a El Rei D. Sebastião n’a primeira jornada anno de 1575, por cujos serviços, e pelos de seus Avós, lhe fez mercê o dicto Rei n’o anno de 1576 d’o titulo de Conde d’a Villa d’a Calhêta d’esta Ilha, pãra elle, e pãra seu filho, e com outras mercês entre duas despensas d’a Lei Mental; morreu em 4 de Março de 1580 com 68 de eda de, e jaz sepultado com seu pae e avós em / Nossa Senhora d’a Conceição d’o Convento d’e Sancta Clara d’o Funchal. 


Casou em 4 de Outubro de 1538 com D. Izabel de Mendonça, Dama d’a Rainha D. Catharina, com a qual veio de Castella, e era irmaã d’o Conde de Orgas, filha de Rui Dias de Mendonça, Senhor de Moron, em Castella; Mestre-Salla d’os Reis Catholicos, e de D. Brites de Noronha, filha de Rui Vaz Pereira, o Velho; a qual morreu em 13 de Septembro de 1561 annos. 


De quem houve  D. Aldonça de Mendonça, mulher de D. João Mascarenhas, Commendador de Mertola, a qual, depois de Viuva, se recolheu n’o Mosteiro de Freiras de Monte Mór, e viveu com opinião de Sancta; e quando lhe trasladárão o corpo lhe achárão a mão direita inteira, com a qual tinha dispendido em vida grandiosas esmolas.





João Gonçalves d’a Camara , filho 1° d’o Conde Simão Gonçalves d’a Camara, e foi 6° Capitão d’esta Jurisdicção segundo Conde d’a Calhêta.  Casou com D. Maria d’Alencastre filha de D. Luiz d’Alencastre, e de D. Magdalena de Granada, em titulo de Alencastres, Casa d’o Commendador Mór de Aviz em Portugal.





Simão Gonçalves d’a Camara, filho d’o Conde João Gonçalves d’a Camara, succedeu n’a Casa de seu pae; foi 7° Capitão d’a Ilha, e 3° Conde d’a Calhêta. Casou 1° vez com D. Maria d’Alencastre, que morreu d’o primeiro parto. Casou 2ª vez com D. Maria de Meneses; Dama d’a Rainha D. Margarida, e filha de Rui Mendes de Vasconcellos, Capitão de Tanger, e primeiro Conde de Castello Melhor, e de D. Izabel de Meneses, em titulo de Vasconcellos em Portugal.





João Gonçalves d’a Camara  succedeu n’a Casa de seu pae; e foi o 8° Capitão d’esta urisdicção e 4° Conde d’a Calhêta. Casou com D. Ignez de Meneses, Comdessa d’os Arcos





Rui Dias d’a Camara, filho 2° d’o Conde Simão Gonçalves d’a Camara, serviu em Africa, onde ficou captivo n’a jornada d’El Rei D. Sebastião, anno de 1578, foi Commendador de Arganil, cuja Commenda largou pela de S. Martinho de Bornes d’a Ordem de Christo n’o Arcebispado de Braga.





Luiz Gonçalves d’a Camara, que casou com D. Marianna d’a Silva , filha / de Martim Affonço de Beja ao qual chamárão o Porquinho





Rui Gonçalves d’a Camara, filho 5° do Capitão João Gonçalves d’a Camara, serviu n’a India , e foi Capitão de Barcelor e de Ormuz, e Capitão Mór d’o Mar d’a India, onde morreu solteiro





Jorge d’a Camara, que serviu n’este Reino, e foi Governador d’esta Ilha d’a Madeira


D. Manuel de Noronha, filho 2° d’o segundo matrimonio d’o Capitão Simão Gonçalves d’a Camara, foi Clerigo, Camareiro d’o Secreto de Leão 10°, por cuja ordem trouxe n’o anno 1516 o Capello de Cardeal ao Infante D. Affonço, de cuja mão o elle recebeu em Lisbôa. Foi Bispo de Lamego, onde deixou oito Capellães com 60$rs de Ordenado, cada um





Manuel d’a Camara, filho B. d’o Bispo D. Manuel de Noronha, foi Conego de Braga





Domingos d’a Camara, filho B. d’o Conego  Manuel d’a Camara, serviu n’a India, onde foi por Capitão-Mór d’os Patachos d’o Soccorro n’o anno 1627, pelo que teve despacho d’a Capitania de Diu.

domingo, 15 de julho de 2012

Tikopia


A construção mental é muito dependente da nossa perspectiva espacial, do lugar onde vivemos. Isso não é novidade alguma, mas me surpreendi quando um amigo falando de sua pequena cidade me disse que a população era ainda mais provinciana por viver numa cidade cercada de montanhas. Ele sustentava que esta limitação para o olhar se perder no infinito tinha mais importância do que se poderia imaginar.





A respeito de lugares muito pequenos e suas populações há uma história interessante que conta Jared Diamond, um geógrafo da UCLA de Los Angeles.


Tikopia.


Tikopia é uma ilha minúscula e isolada no sudoeste do oceano Pacífico. Tem apenas 4,7 km2 e somente 1.200 habitantes. A ilha é tão pequena que a distância máxima de seu centro até a praia é de meros 1.200 metros. É tão pequena que raramente se está longe do mar ou de seu barulho. Um nativo certa vez perguntou ao geógrafo,


- Amigo, existe algum lugar no mundo onde não se ouça o barulho do mar?





O conceito de espaço e distância dos nativos está evidentemente ligado a estas dimensões. Eles usam sempre como referencia de localização as expressões “em direção à terra” ou “em direção ao mar”. Não usam à esquerda, à direita, em frente ou para trás. Jared conta que ouviu um homem avisar a um outro que,


- Há um salpico de lama na sua bochecha da direção do mar.

sábado, 14 de julho de 2012

Maria Antonieta, a dos brioches


Hoje é 14 de Julho aniversário da Revolução Francesa.

Maria Antonia Josephe Johanna, ou simplesmente Antoinette, a filha mais nova da imperatriz Maria Thereza da Áustria. Tia-avó tanto de Maria Luísa, segunda esposa de Napoleão quanto de Maria Leopoldina esposa de D. Pedro II.



Maria Antonieta foi escolhida aos 14 anos para consorte do delfim francês, o futuro rei Luiz XVI. Caprichosa, atrevida, mimada. Insolente e superficial, mas bela, belíssima. Gostava muito de homens, muitos homens, e de música. Ela tocou com Mozart.

Em 1770 ela chega à França, casa-se aos 15 anos com o delfim e em 1774 torna-se rainha. O casamento só se consumaria depois de sete anos pois Luiz XVI tinha uma fimose que fazia de sua vida sexual um tormento.



Maria Antonieta, que não se atormentava, compensou alegremente os anos de esposa inconsumata. Bailes e mais bailes de máscaras, a que o rei não comparecia, vestidos extravagantes, partidas e mais partidas de jogo. Altiva, as pessoas não podiam lhe dirigir a palavra a menos que solicitadas. O Petit Trianon vivia repleto de amigos, cortesãos, favoritos, amantes e intrigas, muitas intrigas. Gastavam-se fortunas nesta festa permanente. Em 1785 a joalheria Bohmer cobrou da rainha 1,5 milhão de libras pelo colar de diamantes encomendado em seu nome pelo Cardeal de Rouen. O escândalo foi parar no Parlamento.



Em Maio de 1789 Luiz XVI convoca os três estados gerais - a nobreza, o clero e os comuns - em meio a uma grave crise, a Revolução Francesa esta se gestando. Após um impasse o terceiro estado declara-se único integrante da Assembléia Nacional e os deputados juram não se separar até ter uma Constituição. O rei não aceitava nem igualdade para todos os cidadãos nem abolir os privilégios da aristocracia.

A crise leva à Queda da Bastilha, começa a Revolução.



L'Autrichienne, a Austríaca como as tias francesas de Luiz XVI maldosamente lhe apelidaram, passeando com seu cocheiro pergunta o motivo de tanta agitação.

- Majestade não há pão.

- Se não tem pão comam brioches.

A situação se agrava, a familia real tenta fugir, mas é reconhecida em Varennes, detida e levada de volta a Paris. A insurreição arrebenta, as Tulherias são tomadas, a família é colocada na prisão de Temple.

O duque de Brunswick comandando tropas prussianas vem em socorro da monarquia francesa, mas é vencido pelas forças revolucionárias na batalha de Valmy. Goethe que fazia parte da comitiva do duque comenta: - Hoje, aqui e agora começa uma nova época da história universal.



Luiz XVI é decapitado na Place de la Révolution.

Maria Antonieta agora na prisão Conciergerie é apenas a viúva Capet. O promotor Fouquier-Tinville inicia um processo contra ela. No julgamento de quinze horas as acusações vão desde traição à França até relações incestuosas com o filho de menos de dez anos. Como infelizmente era tudo verdade, a bela princesinha da Áustria estava realmente com problemas.



Maria Antonieta sobe lentamente no cadafalso, o carrasco demora-se nos preparativos, leva quatro minutos intermináveis até soltar a lâmina. A cabeça rola, ele a toma pelos cabelos e a mostra triunfante ao povo que em delírio canta La Marselheise e grita vivas à Revolução.

O jornalista Jacques-René Hébert escreve no jornal Père Duchesne:

Finalmente a maldita cabeça foi separada do corpo da puta. Mas tenho de admitir: o cadáver foi até o fim ousado e atrevido.