terça-feira, 21 de setembro de 2010

Discursos




Enormes transformações e abalos sociais foram executados por palavras.

Moisés ao falar das dez leis que organizaram sua sociedade e que até hoje são a base jurídica e das sociedades estruturadas.

O discurso de Antônio diante do cadáver de Cesar que reverteu uma revolução política no maior império da História.

O discurso de Henrique V antes da batalha de Augincourt motivando um exercito maltrapilho - we band of brothers - em inferioridade numérica de 5 para 1 que derrotou a poderosa França e com pouquíssimas baixas.

Enobardo falando da beleza e da sexualidade de Cleópatra que sem essa descrição talvez não passasse de mais uma rainha.

Hitler levando um dos povos mais cultos da história para uma catástrofe moral e material sem precedentes e a cometer atrocidades inimagináveis que até hoje parecem incompreensíveis.

Churchill mal armado, com poucos recursos prometendo uma vitória improvável, liderando corações e mentes e triunfando no final.



E para ficarmos nos dias de hoje o eletrizante discurso de Martin Luther King na grande passeata dos direitos civis. Ao falar de seu sonho de uma tarde de verão, ao descrever seu sonho de igualdade racial ele não poderia imaginar que a nação que lhe segregava nas escolas, que reservava bancos separados nos parques e em transportes públicos, terminaria por eleger um presidente negro.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Roteiro Gastronômico do Recife


Ontem eu estava com minha amiga Gaby Serejo num papo ping-pong meio engraçado no Facebook, ela reclamava:



- Será virose? A cabeça dói há 2 dias, o estômago não sossega se num se entope de chá e a porra da reforma do vizinho de cima num acaba nunca!! ai ai ai...




Como ela tinha acabado de chegar de uma semana em Salvador, que ela passou lá pros lados de Itapoã, eu disse:




- Virose nada Gaby, chama-se SATI - síndrome de abstinência de tardes em itapoã



- Você ama essa cidade, né?? Acho bonito isso...



- Londres é a segunda melhor cidade do mundo




- Tenho q discordar da primeira. :P




- Hehe, com certeza Gaby! Deixei em Recife alguns dos mais sérios, inteligentes, cultos e interessantes amigos que já fiz na vida, sniff, sniff...




- Eles estarão sempre aqui ou pelo menos em contato, se são realmente seus amigos. :) Chola não :P




- ...além do melhor escondidinho do nordeste, sarapatel do oitão, caldinho do neno, carne-de-sol do komida kaseira, agulha frita anyplace, bolinho de bacalhau do empório, coxinha de casaforte, charque com fava do bar da fava, costela do boi no bafo, chopp do buteco, tapioca de olinda, etc, etc...ai que fome caraca!!!


- tb com esse cardápio... deu fome mesmo.










Well well Gaby, para não ser injusto vou te fazer o roteiro gastro-etílico que me mata de saudades de Recife:










Saladas do La Plage, Arroz de Polvo em Tamandaré, Almoços e jantares chez Beta L.C., Crepes do Montmartre, Pastel de forno Padaria dos Quatro Cantos, Sanduiche 45 do Fiteiro, Acarajé da Guararapes, Filé ao molho Madeira do Leite, Hamburguer de picanha do Laçador, Caldinho de camarão do Bar da Praia, Grelhados do Ponte Nova, Bacalhau à moda do chef do Skillus, Cabrito ao vinho da Oficina do Sabor, Escondidinho de camarão da Teka, Tender com molho de manga e castanhas de Tereza CR, Ostras do Guaiamum Gigante, Caldinho de polvo do Só Caldinho Guaiamum, Peixada do Casa de Banhos, Bolo-de-rôlo da Casa dos Frios, Spaguetti al mare do Famiglia Giuliano, Charque da Edineide no Mercado da Madalena, Arrumadinho de charque do Largura, Iscas de filé do Casa da Moeda, Bolinho de bacalhau do Engenho Casa Forte, Carne de Sol do Cunha, tomar café da manhã no Parraxaxá, quase tudo no Restaurante da Mira, Salgadinhos da Nutella, Pizza do Armazém Guimarães, Filé Chateaubriand do Mingus, Sinfonia Marítima do Ilha da Kosta, Frango ao Molho Brie do Maison Bonfim, Aniversários temáticos do Paulo Cunha, Sushi da Quina do Futuro, Camarão Aglio e Olio do Palácio dos Camarões, Casquinho de Siri do Biruta, Cozido da D. Jelma, Cassoulet do Nez Bistrô, Tya Ja Myón do Burgoguí, Caipirinhas da Cachaçaria Carvalheira, Beijupirás malucos do Beijupirá, Carpaccio do Othelo, Bolinho de peixe do Recanto Lusitano, Surubim do Kweto, Sorvetes da Free-Sabor, Saladinhas do Giardino, Paella do Alphaiate, Bacalhau ao Murro da Tasca, Tepan do Zen, Feijoada do Vavá, Tripa de bode do Buraco da Otília, Nhoque do La Gondola, Lambretas do Tepan, o que tiver saindo no Bragantino no Mercado da Encruzilhada, Coisinhas do Empório Marítimo, Queijo Coalho marca Independencia, Salsichas, lombinho e chucrute daqueles alemães do Açude de Apipucos que aliás já se mudaram pro Rosarinho, Rodízio do Spettus, Sirigado do Porto Ferreiro, todos os bistrôs da Galeria Joana D’Arc, Bode Guisado com farofa de cuzcuz do Bode da Hora, Linguiça de bode do Entre Amigos, Mexilhões gratinados com gorgonzola do Seu Cafofa, Sarapatel do Oitão, Caldinho de feijão do Bar do Neno, Costela de porco assada do Komida Kaseira, os petiscos do Bar da Geralda lá no alto do Morro da Conceição, Carne-do-sol do Gordo, Agulha Frita do Gauiamum Treloso, Coxinha catupiry e Empada de queijo do reino do Bar Real, Charque com fava do Bar da Fava, Costela do Boi no Bafo, as empadas do Buteco e as Tapiocas do Alto da Sé de Olinda.










E last but not least o inesquecível Risotto de Camarão de D. Gracia sempre insuperável nestes assuntos de cama e mesa. 




Aliás hoje é o aniversário dela.




quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Klaus: nosso almoço tá fugindo



Nas férias de sonho que passamos em Tamandaré-Carneiros, Astha , Klaus e eu devemos ter engordado um bocado, apesar de todo o exercício que fazíamos andando, correndo na praia ou surfando sem prancha.



Além de curtir toda aquela paisagem, o clima e a praia nós só fazíamos dormir, comer e conversar muito. Mas de toda a nossa rotina a que mais me agradava era cozinhar.

E como tínhamos feito contato com um pescador local ele sempre passava na nossa casa com o que tinha para vender naquele dia.

Sempre frescas e recém-pescadas as surpresas eram deliciosas.

Por isso nosso almoço dependia do que esse nosso pescador tivesse trazido para aquele dia: polvo, marisco, camarão, peixe ou lagosta. Ele mesmo os limpava e quando havia polvo já o trazia amaciado.



Num desses dias compramos uns camarões coloquei-os num balde e fui lava-los na torneira do jardim.

Como enchi com água demais o balde transbordou e os camarões foram parar na grama. Ainda vivos eles se mexiam e pulavam.

Klaus ria muito e gritava:

- Pai nosso almoço está fugindo!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Conversa com a Vahine




Depois dos últimos textos sobre as crianças eu e a Vahine trocamos e-mails.




Vahine:


- Adorei ler todos os textos e foram todos nostálgicos!! E deixaste-me cheia de saudades.




Ivan:


Imagino o que sentistes, pois sei o que senti ao escrever.


Mas foi como se estivesse a vê-los e pudesse toca-los, assim tão longe dos olhos e tão perto do coração.







A saudade é em grande medida a medida do amor e mesmo as lágrimas que nos faz derramar não amargam, mas semeiam o coração.


E se a elas não nos rendemos por medo do chorar, então seca nosso pranto e se entristece nosso cantar.






Vahine:


É mesmo essa a essência meu Pai!


Uma das coisas bonitas da Vida, que às vezes nos dá força para construir outros objectivos.


As minhas memórias da infância são doces e as de Inglaterra são Mágica!


E adoro revive-las e conta-las todos os dias para mim mesma.


Aliás como sabes sempre tive muita dificuldade em adormecer, mesmo morrendo de sono. E uma coisa que eu costumava fazer quando era pequena era contar a mim mesma tudo aquilo que lembrava desde a minha primeira memória ate ao momento.


E claro que a cada dia essa história ficava maior...


Às vezes contava-a para as estrelas, outras vezes para a lua...e assim adorava conversar com elas antes de dormir até adormecer.


E é graças a isso que lembro-me de muitas coisas!!


Mas tenho penas de às vezes não poder revive-las com os manos, afinal também eles fizeram parte; ter estes momentos de troca de experiências e poder perceber a perspectiva de cada um.




Ivan:


This is my girl!!


Kisssssssssssss


Love u, Love u




Quem foi que fez?


Fizemos em casa o parto de Klaus e Astha.



O primeiro por necessidade, por urgência, o segundo por opção mesmo.




Na verdade tenho cá minhas dúvidas se mesmo o primeiro não terá sido uma "emergência" escolhida. Eu tinha experiência como parteiro dos anos em que estudei Medicina e das dezenas de partos que fiz nos plantões na maternidade do hospital Manoel Vitorino Vitorino, em Salvador na Bahia.









Sandra tinha se assustado, durante o nascimento da Taanit, com a incompetência da obstetra que continuou delivrando o bebê mesmo após ter ficado claro que ele estava laçado pelo cordão umbilical.




Eu estava assistindo o parto, vi o que estava ocorrendo, interferi imediatamente e fiz rapidamente a manobra para desfazer o laço. Consegui.




A médica se surpreendeu com minha atitude,




- Obrigado, eu não tinha percebido.




Depois disso os dois partos seguintes aconteceram em casa, foram perfeitos, bem sucedidos, sem complicações e acima de tudo muito divertidos. Tudo isso é uma longa introdução para uma história curta. Daquelas coisa que as crianças dizem coisas e que nos surpreendem.









Estávamos em Tamandaré, um paraíso do litoral sul de Pernambuco. Entre amigos estávamos fazendo um churrasco gaúcho enorme, daqueles que têm o dobro da carne que as pessoas em sã consciência são capazes de comer. Portanto daqueles que se estendem do meio da manhã ao fim da noite. O grupo se dividia entre os que estavam no jardim em volta da churrasqueira e os que estavam na varanda da nossa casa.




Eu estava no grupo da sombra. Astha, que na altura tinha quatro anos, também estava na varanda sentada no colo de um de meus amigos que gostava muito dela. Ele estava sempre procurando conversar com ela no que, aliás, não tinha nenhuma dificuldade, pois Astha além de muito alegre e carinhosa era muito divertida e gostava de conversar.









Ele começou a brincar com ela:




- Que olhos tão lindos, quem foi que fez?




Ela responde apontando o dedinho para cima,




- Foi o papai do céu.




- E esse nariz tão bonitinho, quem fez?




- Foi papai do céu.




- E este umbiguinho lindo, quem fez?




- Foi aquele papai ali, disse ela me apontando.