quarta-feira, 27 de junho de 2012

Streptococcus Bahianus Intensus


Estou padecendo nestes dias de manifestações mais agudas de uma doença cardíaca crônica que carrego desde que o streptococcus bahianus intensus lá se instalou se sobrepondo ao bacillus ipanemensis.


Uma sintomatologia que já tinha sido observada nas anamnesis de um certo poetinha, sendo que no caso dele o SBI se sobrepôs ao bacillum heloisa femina ipanemensis gratia plena dulcis adductius via mares in solis aureo corpus. Um nome tão grande quanto seus encantos.




O caso do Poetinha se tornou perigosamente crítico quando completamente desprevenido ele contraiu a síndrome Meridianus Itapoensis agravada pela Luna Localis. 


Aí não deve jeito: ele teve de procurar ajuda especializada no Hospital do Gantois onde foi atendido por uma mãe menininha que lhe administrou altas doses de ilêaiêoxumbabá.


Seu estado era tão grave que ele demonstrava desejos incontroláveis de mandar para a tonga da mironga do kabuletê todos que reclamam do ritmo de trabalho soteropolitano.





O problema é que o SBI se potencializa no organismo hospedeiro sempre que se come um acarajé da Cira, uma abará da Dete, qualquer tipo de moqueca (sendo a de siri mole fatal) ou quando se faz uso do Elevador Lacerda por mais de três vezes numa mesma semana.


Há registros de pacientes que foram vistos na praça Castro Alves gritando desvairadamente que ela é do povo como o céu é do avião.


Outros já em alto grau de dependência ficam exigindo que a familia lhes dê um pouco de chuva, suor e cerveja.




Pacientes rebeldes precisam ser contidos para que não deixem o hospital. Um deles que fugiu foi flagrado consumindo sem nenhuma moderação capsulas de dodôeosmar na Ladeira de São Bento.


Os mais mansos ficam repetindo para as enfermeiras que não saia do meu lado, não se esqueça de mim, não se perca de mim, não desapareça.




Trata-se de um contágio perigoso que nem um riodejaneiro administrado em fevereiro e março consegue curar. Alguns pesquisadores da Fiocruz acham que talvez com aquele abraço se consiga alguma melhora temporária. Mas o experimento só foi realizado um unica vez quando o Chacrinha ainda balançava a pança. Mesmo assim o paciente pode relatar alucinações garantindo que se vê em Londres e longe daqui. Normalmente eles apresentam sinais de falta de calor, de cor, de sal, de sol, de coração pra sentir.




Acho que se os sinais e sintomas desta patologia se agravarem, e para que ela tenha um bom fim, terei de fazer caminhadas diárias de 8 km.


Partindo da Igreja de N. Sra da Conceição da Praia é claro.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Uma Andorinha para Klaus


Apesar de não ser verão, muito pelo contrário o inverno acaba de começar aqui no hemisfério sul, há muitas andorinhas a voar em frente à minha janela. São muitas, em bandos. Gosto de vê-las.


Mas há uma especial. Gosto de vê-la.





Ela quase sempre voa sozinha e voa diferente. Não bate tanto as asas como as outras, não é aquele bater frenéticocom poucos intervalos de planeio. Ela bate as asas com vigor e toma muita altura, depois desce num mergulho, muda a atitude de vôo, dá um longo rasante, depois ainda com o que sobrou do impulso sobe um pouco e provoca um pequeno stall.





Bate novamente as asas sem tomar muita altitude, voa quase em linha reta paralela ao solo e começa a fazer voltas para um lado e para o outro. Depois subitamente ela se eleva e começa a ganhar altura novamente. Agora ela bate muito as asas, ssobe muito alto e vai aumentando o ângulo de ataque até que estola novamente, agora ela gira sob uma das asas e desta vez ao invés de se deixar cair ela continua a bater forte as asas e aumenta a aceleração deste novo mergulho.





Quando ela já está com muita velocidade e já sem bater as asas ela sai do mergulho num planeio elegante, quase dá um touneau e faz uma longa curva para a direita. Antes de completar 180 graus ela reinicia a bater as asas. E agora ela aos poucos aumenta a potencia até que já em grande velocidade ela para as asas, eleva o bico e ganha bastante altura. E sobe o quanto pode. Imediatamente antes do stall ela faz um touneau.





Ela repete várias manobras de um lado para o outro. Ela recomeça a bater as asas ganha bastante altitude e quando já tem muita altura ela subitamente gira para a esquerda e desce planando num arco largo e longo. Ela vai fechando o ângulo até que quase provoca uma glissada. Antes de glissar ela gira, toma velocidade e da um loop. 





Nenhuma das outras andorinhas do bando lhe acompanha. Ela não segue as regras de vôo do grupo. Ela voa por prazer.


Ela enche o céu de alegria e liberdade. Ela voa claramente pela simples elegância de voar. Ela desfruta do talento de naquele momento ser apenas uma andorinha.

Talvez eu nunca mais te veja, mas muito obrigado.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Processo de Seleção de Equipe Técnica na Bahia


Na seleção de uma equipe de profissionais na Bahia, além da avaliação técnica do currículo dos candidatos é imprescindível que seja aplicado o seguinte teste de capacitação constituído de sessenta tarefas e perguntas banais. Sendo todas elas eliminatórias.





1. O candidato deverá explicar por que a Bahia tem agá.


2. Cantar São Salvador de Caymmi. Ao final o candidato deverá estar emocionado.


3. Cantar Tarde em Itapoã de Vinícius de Moraes. Ao final o candidato deverá demonstrar dificuldades em terminar a canção, já com a voz embargada.


4. Cantar o Hino do Senhor do Bonfim. O candidato não deverá conseguir terminar a canção já sob forte emoção.


5. Visita a uma baiana de acarajé. O candidato deverá salivar ao ver o tabuleiro e não conseguirá sequer respeitar a fila. Ao receber o acarajé o candidato deverá pedir por mais pimenta mesmo antes de prova-lo.


6. Citar qual o nome do primeiro jornal gay da Bahia e qual o lema do segundo.


7. Citar qual a comida preferida do chefe tupinambá Itaparica.


8. Simulação da caminhada dos 8 quilômetros da Lavagem do Bonfim. Como quem tem fé vai a pé o candidato deverá chegar em plena forma, mesmo que alcoolizado. No começo da prova o candidato deverá se apresentar na Igreja da Conceição da Praia com um atraso injustificado de pelo menos meia hora.


9. Comprovar recibos de doações nos três últimos anos às Obras de Irmã Dulce.


10. Posse de abadás do Ilê-Aiyê ou dos Filhos de Gandhy. Os abadás deverão ter no mínimo quinze anos.


11. Performance com 3 tipos de atabaques em frente ao Olodum.


12. Performance com berimbau em frente a reitoria da UFBa. Explicar por que o berimbau só tem uma corda.


13. Performance com guitarra bahiana na Praça Castro Alves.


14. Performance de capoeira, tanto a tradicional quanto a de Angola, no Pelourinho.


15. Camisa original do Bahia ou do Vitória. Muito suadas de preferência.


16. Explicar a importância do Corneta Lopes na batalha do Dois de Julho.


17. Citar a verdadeira data da Independência do Brasil.


18. Explicar quando um determinado forte se transformou em farol.


19. Localizar o local onde Caramurú chegou, onde Catharina Paraguassú usualmente tomava banho, o nome dessa fonte, quantos e quais os nomes dos filhos do casal.


20. Carteira de Habilitação emitida na Bahia. Posteriormente fazer um teste de direção em um caminhão de trio elétrico. O teste deverá se realizar em uma sexta-feira na região do Iguatemi/Rodoviária no horário entre 18 e 20 horas. O candidato não poderá despender mais de 15 minutos para cumprir uma volta completa.


21. Citar os nomes e quantas vezes o aeroporto de Salvador mudou de denominação.


22. Explicar por que toda menina bahiana tem um jeito, uns encantos, e uns defeitos também, que deus dá.


23. Explicar por que o Carnaval da Bahia é uma festa criada pelo diabo que deus abençoou.


24. Citar qual o metal utilizado para revestir a parte interna de uma certa igreja e qual a quantidade utilizada. Explicar a relação entre o metal e o santo padroeiro da Igreja.


25. O candidato deverá explicar o significado de uma das cores e a razão do tamanho da medida do Bomfim.


26. O candidato deverá em degustação cega, com uma venda nos olhos, provar e identificar entre quatro acarajés qual o de Dinha, o de Regina, o de Cira e o de Dete. Ao final do teste, ganhará um ponto extra se no momento de pagar o candidato alegar que esqueceu o dinheiro em casa. 


27. O candidato deverá explicar a importância da praia de Arembepe na década de 60 e 70 e que tipo de chá e cigarro eram mais utilizados no local.


28. Mencionar quais celebridades visitaram Arembepe no período acima, o hotel em que se hospedaram em Salvador e as conseqüências dessas visitas na musica pop internacional.


29. O candidato deverá explicar como, quando, por que e quem criou a escuna bahiana.


30. Explicar com quantos dez mil réis se faz um vatapá.


31. Dizer quantos buracos tinha a mortalha de um careta.


32. Dizer nome do bairro de Salvador do bloco dos Apaches, e se havia alguma fonte no local.


33. Aonde num samba de roda fica o lêlêlê da bahiana.


34. Qual a igreja que no início de sua construção foi refeita várias vezes e por que.


35. Qual o local da primeira “sinaleira” bahiana, de onde veio o relógio que se encontra no local e qual seu santo padroeiro.


36. O que é a pena de um saveiro.


37. Citar a verdadeira identidade da Lua de Itapoã, em que local e quem posteriormente realizou o casamento. Quem apresentou ele a ela e usando qual expressão.


38. Que deusa bahiana confrontou um papa. Quando, onde e por que.


39. Qual a irmã do mano Cae famosa por sua risada e qual o pássaro que fez uma outra famosa.


40. Recitar e explicar pelo menos 37 expressões bahianas tais como Lá ele, Consideração é ..., Eu só lhe digo uma coisa, Hora de relógio, Mais enfeitado que jegue de Lavagem, Com duas que lhe botaram, Ficar de prega, Boca de Zeronove, A sua é nen-um-ma, etc...


41. Origem da expressão “acorda pra cuspir”, local onde surgiu e em qual movimento musical.


42. Realizar uma visita à Feira de São Joaquim. Durante a visita o candidato deverá ser cumprimentado espontaneamente por pelo menos 25 barraqueiros.


43. Explicar quem é a Dama de Roxo.


44. Contar por que Firmino mora com a tia, usa camisas Volta Ao Mundo e comprou um terreno na Ilha.


45. Em que clube de Salvador “preto não entrava nem pela porta da cozinha”. Em que o clube, por castigo, se transformou.


46. Qual a ultima tarefa que Vovô sugere às candidatas a Rainha do Ilê Aiyê.


47. O que acontecia na sala especial do Cine Bahia.


48. Quem Ary Barroso encontrou na Baixa dos Sapateiros e o que ele pediu.


49. O que Marina Morena não deveria fazer.


50. O que uma bahiana coloca no tabuleiro de manhã cedo.


51. Qual a média de quiabos usados no Carurú da Festa de Santa Bárbara e quanto custa cada prato.


52. Quem era o candidato a prefeito que na campanha se intitulava “discaradamente bahiano”, seu pseudônimo. Cantar o jingle da campanha.


53. Qual o autor e o apelido da escultura que está hoje no local do antigo Mercado Modelo.


54. Que tipo de ação o candidato tomaria “se essa mulher fosse minha” e qual o instrumento utilizado.


55. Atestado de Antecedentes emitido oficialmente por Gil, Caetano, Gal, Novos Bahianos, Ivete, Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Bel Marques, Vovô do Ilê ou por qualquer terreiro tradicional de Candomblé. Atestado assinado por Claudia Leite não será aceito por a mesma não ser nativa, apesar dos grandes esforços. Atestados psicografados de Mãe Menininha, Raul Seixas, Jorge Amado, Mestre Pastinha ou Caymmi poderão ser aceitos desde que comprovada sua autenticidade em três cartórios. Atestado psicografado por ACM será aceito desde que não esteja em disputa judicial.


56. Qual o verdadeiro significado da sigla da construtora OAS. Qual das letras ficou com a filha de Painho.


57. O candidato deverá esclarecer com objetividade por que Deus entendeu de dar a primazia, pro bem, pro mal, primeira mão na Bahia. Por que o primeiro chão, o primeiro carnaval, o primeiro pelourinho também? Por que esses encantos que Deus deu, esse jeito que Deus dá?


58. O candidato deverá ser capaz de inscrever a própria mãe na APROSBA – Associação das Profissionais de Sexo da Bahia. Quando for chamado daquilo deverá responder com dignidade: - Sim sou, mas de uma da Bahia.


59.   Explicar a importância da Rua Padre Manoel da Nóbrega na linguagem coloquial, na música e qual a principal atividade que ali se exercia.


60. Finalmente o candidato deverá ser levado a Itapoã pela equipe de avaliação e demonstrar a posse, com nota fiscal, de um velho calção de banho. Ao lá chegar uma enfermeira credenciada deverá verificar se o candidato apresenta sinais de arrepios no corpo e se ele levou, espontaneamente, uma esteira de vime e uma cachaça de rolha. Findo o teste e quando a equipe se preparar para deixar o local o candidato deverá necessariamente agradecer o oferecimento da carona e dizer que tirou o dia para vadiar naquele mar que não tem tamanho. 


Ou melhor ainda: dizer com o olhar esquecido no encontro de céu e mar, que depois nos espaços serenos sem ontem nem amanhã vai dormir nos braços morenos da lua de Itapoã.





Portanto, se o candidato chegou até aqui contrate-o imediatamente pois como diria o Millôr Fernandes ou ele é um sábio ou é um hipócrita. Mas Bahiano com certeza ele é, mesmo que tenha crescido em Ipanema. O que afinal dá quase no mesmo. 







Anexo Técnico e Operacional.

Considerações importantes quanto ao item 4.

O candidato poderá disfarçar sua compreensível emoção disparando fogos de artifício. A equipe examinadora à bem da imparcialidade dos trabalhos deverá a qualquer custo tentar manter o autocontrole, evitar confraternizações, orações, agradecimentos de milagres, novos pedidos, banho de folhas, banhos de cheiro e troca de fitinhas. Caso não consigam devem armar uma barraca na segunda quinta-feira de Janeiro após o Dia de Reis. Lá na Colina Sagrada.

Se por acaso a data estiver muito distante, qualquer escada serve, desde que a intenção não seja lavá-la.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Globalização

A globalização além de ser uma palavra da moda, está sendo usada indiscriminadamente para pagar pela maioria dos medos e males atuais. Desemprego nos países ricos, crise financeira, aquecimento global, desflorestamento, perda de identidade cultural, massificação na alimentação, etc,etc...





Nada mais míope, mais provinciano, mais irritante.


O homem começou a se globalizar desde que saiu da África há 50 mil anos atrás para povoar o planeta. O comercio, as guerras, o estabelecimento de impérios, a curiosidade cultural e científica têm levado as sociedades a interagir desde sempre.


Vamos imaginar o seguinte cenário. Farol da Barra, Salvador, Bahia. A Bahia todo mundo conhece, nem que seja por fotografia como diz a Rita Lee. Esta americana, esta melhor tradução de Sampa. Mas montemos nosso cenário.





Farol da Barra, no mar um saveiro veleja tranquilo carregado de mangas. Em terra uma baiana de acarajés vende os próprios. Num restaurante ali próximo alguém come uma moqueca, um xin-xin de galinha. Na balaustrada da calçada um turista português desfruta da vista maravilhosa e imagina coqueiros ao longe na ilha de Itaparica.


Nada mais típico, nada mais local que tudo isso. Com exceção do turista tudo é familiar, tudo é local.





Nada é local. Absolutamente nada é local.


O Farol da Barra tem arquitetura colonial portuguesa.


O saveiro tem o formato trazido de Gôa, o leme é da China e a vela é uma vela latina do Mediterrâneo. As mangas vieram da Índia.


A baiana do acarajé naturalmente é descendente de africanos. Suas roupas típicas são brancas pelo fato de seus ascendentes escravos terem sido muçulmanos, convertidos pelos mercadores árabes que os comercializavam no Magreb. Seus colares representam os santos de sua religião que é uma mistura sincrética de crenças animistas africanas, do muçulmanismo árabe e da religião que surgiu de um deus judeu que nasceu na Palestina. 


As fitinhas do N.Sr. do Bonfim que ela talvez lhe ofereça representam a distância entre os braços de uma imagem feita no Porto, Portugal. O próprio acarajé é o falafel libanês, feito de feijão. Feijão: Phaseolus Vulgaris da família Fabaceae provavelmente grego. Mas a suprema heresia, valei-me N.Sr. do Bomfim é o nobre vatapá: uma simples açorda portuguesa. É só trocar o azeite de oliva pelo de dêndê, só não troque a nêga bahiana que não pode parar de mexer.





No restaurante o xin-xin de galinha está sendo degustado. O azeite de dendê veio da África, o leite de côco veio da Indonésia e a galinha foi trazida da Ásia. Resta o turista português e os coqueiros. Bem, os coqueiros como se viu vieram da Indonésia.





Nada do que está nessa cena tão tipicamente local tem algo em comum umas com as outras. A única coisa que as liga é exatamente o português que as “descobriu”, que as espalhou mundo afora e que as trouxe para cá.


Exatamente ele, justamente ele. O globalizador.



PS.:  Se por acaso nesta hora passar um trio elétrico ele estará tocando instrumentos franceses, africanos e asiáticos em cima de um veiculo criado na Europa movido por um motor alemão. Local mesmo só uma parte da galera que está pulando atrás dele, pois afinal só não vai atrás quem já morreu ou que está do outro lado, do lado, lado de lá.

E se por acaso, no meio desta festa italiana, depois de beber um bocado de líquidos tchecos, russos ou escoceses, você não resistir aos impulsos estudados por aquele austríaco e ficar com alguém não deixe de usar aquela proteção que tem nome de deusa grega, que os ingleses chamavam de french shirt, que os franceses chamavam de chemise anglais e que agora os chineses fabricam baratinho, baratinho. Aos milhões.

Segredinho: nesta cena aí de cima há algo realmente local, a sacanagem é tipicamente bahiana. 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Carnevale di Firenze - Ó tempora, ó mores.


As músicas de Carnaval, e a maioria da atual musical popular brasileira estão repletas de apelação sexual e vulgaridade. Especialmente na Bahia a enxurrada de apelações é tsunâmica. Já existem até projetos de lei tentando regulamentar a baixaria cada dia mais explícita. 


Uma mesmice irritante.


Quousque tamdem abutere patientia nostra?





Não existe cidade mais emblemática do desenvolvimento das artes e do bom gosto no Renascimento que Firenze. 


Em Florença se produziram a mais sofisticada arte, etiqueta, culinária e moda. E certamente não existe um clan que melhor represente tudo isso que os Médicis. 


Maiores banqueiros e industriais europeus da época, os Médicis marcaram a história da Italia, da Europa e do Renascimento. Políticos, clérigos, militares, nobres, grandes mecenas das artes e da arquitetura, da família saíram grandes estadistas e quatro papas.





Lorenzo di Médicis foi um dos membros mais destacados desta família de ilustres e governou Florença por anos durante a Idade de Ouro da Renascença.


Lorenzo, o Magnífico também era um músico inspirado e compôs esta delicada "Canção dos Camponeses" para o carnaval de Florença de 1474.






Temos pepinos e bem grandes


Embora quando se olha para eles


Pareçam esquisitos e manchados


Mas eles abrem portas fechadas




Devem ser colhidos com as duas mãos


Descascados na cabeça


E chupados com a boca bem aberta


E em breve não haveis de querer parar



Ao alegre refrão "Cetrioli abbiamo e grossi" o povo respondia eufórico "Apri ben la bocca e succia,  chi s’avvezza, e’ non fa male”.





Para outras criações os Médicis preferiam contar com Maquiavel, Donatello e Michelangelo. Um trio, convenhamos, bem menos elétrico.

Mas que o povão preferia Il Magnifico, isso preferia.



Ó tempora, ó mores, aqui não se aplica.