terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Quase!




Eu estava muito cansado. 


Haviam sido três dias de trabalho intenso em Londres em longas reuniões com compradores em perspectiva da China e Alemanha e com agencias de criação inglesas.

Meu amigo de trabalho Gary Bergman já tinha voltado para Eindhoven na Holanda e eu estava, como sempre, sentado numa cadeira de janela num avião indo para Lisboa.






Antes de embarcar eu havia estranhado que o Heathrow estivesse tão frenético, com militares armados, coisa inusitada na Inglaterra.


No avião todos já estavam sentados à espera da decolagem, o piloto já havia fechado as portas, pressurizado a cabine, mas o A-320 não saía do lugar.


O tempo foi passando e dez minutos depois o piloto avisou pelos sistema de som que decolaríamos em cinco minutos. Passaram-se mais dez e nada.






Mais vinte minutos e ele repetiu o aviso se desculpando pelo excesso de tráfego no aeroporto, mas que esperava a qualquer momento a licença da torre para decolar.


Depois de meia hora vejo pela janela dois jeeps Land Rovers do exercito se aproximando do avião junto com um carro de bombeiros.


Pararam próximos da asa esquerda bem embaixo de minha janela. Logo depois chega um Land Rover Defender. Dele saltam três soldados armados e um homem de turbante.






O porão do avião foi aberto, uma esteira foi colocada e todas as bagagens começaram a ser retiradas até que o homem de turbante apontou para uma delas.


A mala foi rapidamente colocada em um dos jeeps que saiu em disparada. As outras malas foram recolocadas, e o aparato militar se desfez . Passaram-se mais alguns minutos, o piloto se desculpou pela demora e anunciou a decolagem.










Quase!

sábado, 26 de dezembro de 2009

Sic Illa Ad Arcam Reversa


Há poucas terras e cidades tão mágicas quanto Salvador. Salvador tem características que são únicas e raras. Uma culinária própria, uma etnia miscigenada, um oásis de paz negra, uma religião sincretica de cristianismo-islamismo-candomblé, artes marciais próprias, um forma de ser e de estar e uma fonte aparentemente inesgotável de poesia, beleza, musica, ritmos e festas.


Até Catharina Paraguassú, a mãe simbólica de todos os brasileiros, é soteropolitana.






Mesmo a data da independência é própria e a rigor é historicamente a mais correta já que o 7 de setembro é de 1822 e o 2 de julho é de 1823 quando os portugueses realmente foram vencidos e capitularam.


O Sete de Setembro é apenas a proclamação, e aliás é assim mesmo que se diz. É só uma intenção. 

Já o Dois de Julho é a verdadeira independência. Conquistada com sangue, não com um grito, mas num campo de batalha. O Dois de Julho é a vitória sobre as tropas de Portugal. Os baianos venceram a Batalha da Independência quando os portugueses finalmente foram derrotados, em Pirajá, próximo a Salvador.






Mas é no brasão de São Salvador, a Cidade da Bahia, que está a melhor expressão de tudo isso.

No brasão está escrito, Sic Illa Ad Arcam Reversa.


Quando Deus ordenou a Noé que fizesse uma arca foi para preservar as espécies para uma nova terra prometida. E Ele fez a recomendação final de que quando as águas começassem a baixar Noé soltasse uma pomba que lhe indicaria a terra escolhida.



Depois de dias de fúria divina as aguas do Diluvio começaram a baixar. Noé então soltou uma pomba esperando que esta retornasse com um sinal de que já havia terra firme.

Quando a pomba retornou Noé desembarcou na terra que Deus queria.

Sic Illa Ad Arcam Reversa. E assim a pomba voltou à barca.


Salvador, a terra que Deus escolheu.



E Ele em sua Generosidade permitiu que muitos outros deuses para lá também se mudassem e disso fizessem uma grande e eterna festa.


Este mesmo Deus que se não hesitou em entregar seu único filho ao martírio da Crucificação, reservou a seu povo amado as alegrias da Terra da Felicidade.





Ivan Camara Correa

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Vácuo na Europa Oriental




Com os países da Europa Oriental vivendo nervosamente entre uma Alemanha quase neutra, uma Rússia revisionista e um uma America ausente, eles estão à procura de um parceiro poderoso com fortes interesses na região.

A Grã-Bretanha já preencheu esse papel. Mas com a estrela imperial em declínio quem poderá preencher a lacuna?



Talvez a China.

Ela tem motivos de sobra para desenvolver uma presença forte na Europa do Leste, que vão desde o comércio à geopolítica. Ela já manifestou interesse em comprar Estonian Air que esta à venda pela SAS. Isso daria à China uma companhia aérea domestica na União Europeia com acesso aos aeroportos de baixo custo.



A China também poderia emprestar recursos à Ucrânia para pagar as contas de gás russo, para evitar o desastre do inverno passado, em troca de privatizações favoráveis de alguns patrimônios cobiçados pelo Kremlin.

O resultado de tais movimentos seria colocar uma presença forte no jardim da frente da Rússia. Do ponto de vista chinês isso seria potencialmente provocador, mas talvez bastante satisfatório.

Pequim ficaria feliz em ter aliados dentro da UE além dos que já tem, como o Chipre.



A Europa Oriental também poderia ser uma base de fabricação de baixo custo para aumentar a quota de mercado chinesa dentro da UE. Isso evitaria pressões protecionistas, altos custos de transporte e outros impedimentos, para satisfazer a necessidade europeia de produtos baratos vindos diretamente da própria China.



A crescente presença chinesa poderia colocar a Europa de Leste de volta ao mapa. Mas flertar sempre traz o risco da sedução. Admitir o afastamento da influencia russa para dar lugar à da China na Europa parece um erro perigoso em 20 anos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Blümchenkaffee - café florido




A palavra "Blümchenkaffee" significa literalmente "café florido". Mas não se trata de um café com flores.



É mais uma dessas palavras em alemão em que reúnem outras para se criar uma palavra nova e unica. Do tipo Außenbordmotoren, fora-de-borda-motor. Motor de popa.






"Blümchenkaffee" surgiu na Alemanha do pós-guerra, quando o abastecimento era critico e faltava quase tudo.




Nesta época comprar um pouco de café além de dificil era caro.






E assim como aconteceu com tantos outros produtos, o café passou a ser um artigo de luxo. E quem tinha a sorte de encontra-lo, e dinheiro para comprar um pouco, fazia um café bem fraco para render ao maximo.






De tão ralo era o café que era possível ver as flores que decoravam os fundos das xícaras.


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Matmata, as cavernas do Sahara.



Foi numa edição do Partenariat Europa-Magreb, em Túnis, que conheci Musthafa Grissi.




O mega evento é promovido pela Comunidade Européia para aproximar empresas europeias e magrebinas, facilitar negócios, mas sobretudo para apoiar o desenvolvimento econômico dos países do Magreb - Marrocos, Argélia e Tunísia - no norte da Africa. 




A preocupação européia com o desenvolvimento social e econômico do Magreb se justifica não apenas pela proximidade física mas pelos problemas de todos os países europeus com imigração indesejada. Boa parte do Magreb é a outra costa do Mediterrâneo em frente da Espanha, França e Itália, a menos de 15 km da Europa.




Para apoiar a região existem financiamentos, apoio tecnológico, subsídios a fundo perdido, facilidades aduaneiras e tarifárias.










Fui convidado pela Câmara de Comercio e Industria Luso-Arabe para participar do Partenariat em Túnis. Assim conheci Grissi, jovem diretor de uma fábrica francesa instalada na Tunísia. Sucessivas visitas e contatos profissionais terminaram por se transformar em grande amizade. Grissi era um pessoa muito especial.





Quando o líder nacionalista Habib Bourguiba proclamou a Tunísia independente da França em 1956 ele fundou uma república secular muito liberal na época para os padrões de uma nação árabe de maioria islamica. O pais se modernizou, ocidentalizou-se, aproximou-se de Israel, impôs legalmente a tolerância religiosa, incentivou o turismo e acelerou economia. Nestas transformações o novo estado investiu em educação para tirar o país do atraso colonial.










Grissi nasceu quando Bourguiba chegou ao poder.


Ele nasceu e morava com a família nas cavernas de Matmata, escavadas abaixo do solo do deserto do Sahara, formando redes subterrâneas como túneis de cupins. Elas se interligam formando um labirinto subterrâneo onde vivem famílias inteiras há centenas de anos.




A estrutura social das tribos é rígida e patriarcal. Não se ensina as mulheres a falar, elas raramente saem dos túneis e não dirigem o olhar a nenhum homem, só ao pai. Depois de casadas passam a olhar apenas ao marido.










Com a nova ordem Grissi frequentou uma escola de ensino básico. Um dia representantes do Estado vieram buscar o menino. Excelente aluno ele foi separado da família para estudar na capital.




Ele se destacou desde os primeiros anos até chegar a hora de iniciar um curso universitário. 




Pelo excelente desempenho o Estado mandou-o para Paris para a École Polytechnique que desde 1794 forma a elite francesa. De lá saíram alguns Nobel. 




Grissi passou nas provas de admissão, cursou a escola e formou em Engenharia como melhor aluno da turma. O menino árabe tirado das cavernas do Sahara foi o mais brilhante aluno em Paris.










Choveram ofertas de trabalho para ele ficar na França, mas Grissi sempre respondia que só aceitaria trabalhar na Tunísia. Já casado com Martine, uma francesa, ele repetia:




- Vou voltar para dar retorno por tudo que meu país investiu em mim.




Ele voltou para a Tunísia, com sua Martine.


Pelas condições locais ele sempre trabalhou em funções muito aquém de sua formação e capacidade, até que uma industria francesa instalou uma fabrica de eletrônicos e lhe entregou a direção.


Quando retornou à Tunísia, Grissi tentou tirar o restante da família dos túneis de Matmata, mas enfrentava a resistência do pai. Mesmo assim havia conseguido, há alguns anos, trazer o irmão Ámor para estudar e morar com ele em Tunis.






Convidado para um jantar, uma noite estávamos Grissi, Martine, Ámor e eu na casa deles bebendo e conversando. Enquanto Martine preparava mais um daqueles excelentes jantares franceses Grissi me conta:




- Tenho uma grande novidade. Consegui trazer minha irmã Bouchra para morar conosco.




Fiquei surpreso. Muito surpreso e contente. Era uma vitória que o pai dele tivesse permitido que a filha saísse do ambiente patriarcal. A menina tinha 15 anos e só agora estava começando a aprender a falar. O choque cultural era enorme. Ela saíra de uma caverna para morar numa cidade, numa casa de hábitos franceses. Grissi contou as dificuldades de adaptação de Bouchra a tantas mudanças. O máximo que Bouchra tinha aceito fôra freqüentar uma escola de costura numa pequena turma de mulheres.






- Pelo menos assim ela vai aprendendo a falar francês.

Grissi tinha de leva-la e traze-la todos os dias, ela só saia de casa com ele, agora substituto do pai. Em casa ela não saía do quarto, nem mesmo para se sentar à mesa nas refeições. E da casa não saía nunca a não ser para ir à escola.

Fiquei muito curioso de conhece-la.



Grissi disse que naquele exato momento ela estava no quarto, no andar de cima, mas que certamente não iria descer. 




- Principalmente por que há outro homem na sala.




Mudamos de assunto, continuamos a beber e conversar até que Martine diz,


- J'ai une surprise pour vous.


- Surpresa para mim? Martine o que estás tramando? Ela ri um sorriso enorme.




- Une cassete de musique. Gravei uma fita só com música brasileira para esta noite.


- A gentileza de vocês não tem limites!








Enquanto ela colocava a fita para tocar fiquei imaginando que tipo de música Martine teria escolhido. Que tipo de musica brasileira eu iria ouvir ali na Tunísia? Tinha que me preparar para ouvir qualquer coisa e principalmente para gostar, por pior que fosse.




Ela colocou o volume muito alto, a música encheu a sala. Levei um choque de alta voltagem. Som de tambores,  marcação inconfundível. 




Longe de casa, num país árabe, há tantos anos sem ver Salvador, de repente os tambores do Olodum estrondaram alto pela sala. Engoli em seco, tomei um gole de vinho, segurei o soluço.




- Vous connaissez? Vous aimez?




- Se conheço? Se gosto? Eu adoro! Martine, você não poderia ter escolhido melhor. És uma bruxa! Esse  grupo é o Olodum - deus dos deuses - são da cidade onde eu morava. 





Martine, Grissi e Ámor riram espantados com tamanha coincidência. 










Em seguida ao Olodum a fita tinha muitas músicas, todas da Bahia, sabe-se lá por que. Mais eis que de repente se ouve a voz de Gal Costa.  Gal começa a cantar as primeiras notas de Caymmi,




- São Salvador, Bahia de São Salvador... Foi demais, eles notaram.




Levantaram-se, se aproximaram, me deram um abraço enorme. Um tunisino, uma francesa e um brasileiro unidos num abraço amigo. A voz doce de Gal:





- São Salvador, Bahia de São Salvador, a terra do Nosso Senhor, pedaço de terra que é meu...




Até eles choraram.










Depois vieram outras músicas, todas de carnaval. No meio de tanta alegria eles me pediram para ensinar a dançar aquelas músicas. Daí a pouco estávamos todos pulando, dançando e cantando. De mãos dadas, fazendo roda. Segurando na cintura uns dos outros, fazendo trenzinho. Um carnaval.




Subitamente Grissi para de dançar. Olha surpreso para o alto da escada. Todos paramos sem entender o que estava acontecendo. Seguindo seu olhar,  tivemos o mesmo choque.




Lá estava Bouchra.




Parada no alto da escada, meio escondida, observando.










Uma menina morena da cor árabe, cabelos longos levemente ondulados, rosto muito bonito, nos olhos um brilho curioso. Grissi desliga a música, sobe a escada até encontrar a irmã. Diz-lhe alguma coisa, nota-se que ele pede para ela descer. Ela reluta mas começa a descer bem devagar. Fico observando a situação, procurando não olha-la, não constrangê-la. Ámor e Martine também esperam parados, espantados no meio da sala.




Algo extraordinário estava acontecendo, a música, a nossa alegria tinham arrancado aquela menina do quarto. Enquanto Bouchra desce a escada Martine vai até o aparelho de som e recoloca a fita no principio. Os tambores do Olodum voltam a tocar. Ela toma minhas mãos e as de Ámor e recomeçamos a dançar. Bouchra fica olhando.




Grissi a traz pelas mãos, se junta a nós e começa a dançar.






A menina lentamente começa a se mexer. Se movimenta devagar, depois acelera os movimentos e de cabeça baixa, tenta nos acompanhar. Em pouco tempo aquela menina vinda das cavernas do deserto, que vivia trancada num quarto, sem olhar nos olhos de ninguém já estava dançando. Começou sorrindo discretamente, agora já sorria  alegremente.





Bouchra descontraía. Bouchra nos acompanhava. Bouchra fazia trenzinho. Ela segurava nossa cintura, nós segurávamos na cintura dela. Ela ria, cantava, dançava. Ela renascia ao som do Olodum.










- É um milagre, dizia Martine eufórica, um milagre brasileiro!




quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A Visita de Ahmadinejad



Independentemente de tudo, receber Ahmadinejad no Brasil é coerente com as praticas tradicionais da diplomacia brasileira.

Acima de tudo é a velha Realpolitik que todas as nações exercem, são as questões praticas e econômicas que contam.



Depois das visitas do presidente israelense Shimon Peres e da autoridade palestina Mahmud Abbas agora não podia faltar a do iraniano Ahmadinejad. Após mover a primeira peça é preciso mover as seguintes para se manter o equilíbrio do jogo diplomático.

Há também a constante procura brasileira por apoios para obter uma vaga permanente no conselho de segurança. E apesar de potencialmente perigosa a visita do líder iraniano fica como uma afirmação de independência política e diplomática mesmo que na pratica isso não signifique muito.



Além de tudo há aspectos tecnológicos e estratégicos importantes na aproximação já que o Brasil não tem domínio sobre a tecnologia nuclear e precisa abrir portas para programas que assegurem um salto tecnológico imediato e real transferência tecnológica.

O Irã procura apoios de países “idôneos” e o Brasil pode se beneficiar desta situação.



Mas é sobretudo na área econômica que a visita faz sentido.

Desde 2002 as exportações do Brasil para o Irã passaram de 500 milhões de dólares anuais para mais de 1 bilhão de dólares, número que o país pode e deve aumentar. Ahmadinejad veio acompanhado de 150 empresários e 23 acordos de cooperação devem ser assinados durante a visita.

Realpolitik, o termo que Bismarck tanto usava, é nome do jogo. Países não têm amigos, têm interesses.







domingo, 22 de novembro de 2009

Ataques Cibernéticos


Há poucos dias a McAffe em um relatório sobre Guerra Cibernética revelou sérios ataques neste ano a órgãos governamentais, agencias de inteligência e bolsa de valores americanas.

Também nas ultimas semanas mais dois ataques sérios ocorreram. O ataque aos bancos alemães e ao Acelerador de Partículas Sub-Atomicas de Genebra.



Centenas de milhares de cartões de crédito acabaram de ser trocados em toda a Alemanha numa mega-operação que terminou dia 19. O ataque foi originado na Espanha e o alarme foi dado pelas operadoras Visa e Mastecard.

Somente o Sparkasse teve de trocar 190 mil cartões de crédito. O Deutsche Bank, o Barclaycard e a Lufthansa também cancelaram cartões. O custo e o prejuízo financeiro é enorme e apesar de ter sido absorvido pelos bancos e operadoras ele será evidentemente repassado ao consumidor.

E hoje os jornais britânicos divulgaram um ataque de hackers gregos ao LHC (Grande Colisor de Hádrons) o acelerador de partículas sub-atômicas de Genebra. O complexo bilionário de pesquisas nucleares procura reproduzir as condições iniciais da origem do universo e os buracos negros.



Os ataques estão cada vez mais audaciosos e mostram que se pode chegar a graves conseqüências tanto civis quanto militares.

Há um mundo absolutamente novo e inesperado para a maioria da humanidade se formando em pequenos centros de desenvolvimento de armas cibernéticas.

sábado, 21 de novembro de 2009

Jari


N. Sr. do Bomfim sempre Grande e Poderoso me enfeitiçou com Jari uma negra de lábios carnudos, olhos rasgados, um sorriso imenso e a fala com a música das filhas de São Salvador.




Ela tem a cor das cocadas. Na pele o moreno escuro de umas Os dentes mais brancos que as outras. No olhar tem a doçura das duas




A voz tambem tão doce é suave como as brisas de Itapuã e tudo nela se move com um dengo  que enternece o coração.




Só não sei como ela chegou por estas praias, se é a própria ou um presente de Iemanjá.



sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Um Novo Equilibrio Na Europa


O The Economist sempre foi a bíblia do pensamento liberal europeu e vale a pena prestar atenção em suas opiniões. Por isso traduzi um editorial da revista que saiu hoje.






Um Novo Equilibrio na Europa


Teoricamente diplomatas russos acreditados junto da OTAN são bem vindos. Por mais de uma década, as autoridades russas tem sido permitidas na sede em Bruxelas, como qualquer dos enviados de outros países parceiros, como Suécia, Finlândia e Malta.


Mas na prática, diz um diplomata, todos sabem que "toda a missão russa é composta por espiões". Isto leva a jogos de gato e rato que vão desde os graves - em fevereiro, um funcionário estoniano foi condenado a mais de 12 anos por vender segredos da OTAN para Rússia, quanto aos cômicos - guardas foram colocados nas portas das reuniões reservadas para o pleno membros da OTAN, depois que autoridades russas foram encontrados escondendo seus crachás e tentando penetrar nas reuniões.







As relações da Rússia com a União Europeia são quase sempre ambíguas. Os dois lados têm muitos interesses comuns. A UE compra mais de metade de todas as exportações russas e responde por dois terços do investimento estrangeiro na Rússia. No entanto um clima de indiferença tem cercado as relações Rússia-UE. Parte do problema é que o interesse do Kremlin pela Europa caiu após a retomada dos laços com os Estados Unidos este ano.



Mas algo maior está acontecendo. Desde o fim da Guerra Fria, a política européia e americana em relação à Rússia foi ofuscada pelo processo de Alargamento. Primeiro a expansão da OTAN e depois a da própria EU, profundamente, dentro do antigo bloco soviético. Isso alarmou a Rússia.






Em 2007 o então presidente Vladimir Putin chamou a expansão da OTAN de “uma provocação grave". Autoridades russas sempre afirmam que no final da Guerra Fria lhes foi assegurado que forças estrangeiras não ficariam estacionadas nos ex-estados comunistas.


Além disso o Kremlin ficou particularmente irritado com a reunião de cúpula da OTAN de Bucareste, em Abril de 2008 onde os líderes concordaram que um dia a Ucrânia e a Geórgia iriam se tornar membros. Logo depois em agosto de 2008 estourou o conflito na Geórgia e um diplomata alemão não hesitou em referir a ele como "uma guerra por causa do Alargamento".


Agora que o Alargamento está muito retardado, um novo equilíbrio entre a Europa, Rússia e EUA pode surgir. A Rússia tem falado insistentemente em criar uma nova "arquitetura de segurança Europeia". Isso soou para muitos como uma tentativa de subverter a OTAN. Mas atualmente parece que os Estados Unidos esta prestando mais atenção, no mínimo para saber o que a Rússia quer.






O governo de Obama saudou, em particular, um novo empreendimento da Carnegie Endowment for International Peace, um think-tank americano, que vai criar um grupo com aposentados de alto calibre de políticos e diplomatas russos, europeus e americanos para discutir um "sistema de segurança Euro-Atlântico” que poderá responder às questões da Rússia.


Autoridades russas falam de garantias jurídicas de segurança para o seu país, ou de uma entidade tipo um Conselho de Segurança das Nações Unidas para a Europa, em que a Rússia teria um assento e elas sugerem que um tratado de segurança poderia ser anunciado no próximo ano.






Se a Rússia quer garantias de que OTAN nunca vai atacá-la, diz um ministro das relações exteriores do leste europeu, ela pode te-las “assinadas e seladas em papel porque não temos qualquer intenção de atacá-los". Mas se a o que a Rússia quer é o poder de vetar acordos de defesa de seus vizinhos, como a implantação de bases de mísseis americanos ou os sistemas de defesa, então ela estaria cruzando a linha vermelha.






Em qualquer caso, é difícil ver como essa discussão pode ir adiante sem expor profundas divisões entre os europeus sobre a Rússia.


Um dos benefícios do artigo 5 º, o compromisso de defesa coletiva que é a base da OTAN, é que ele deixa de mencionar quem são as fontes potenciais de perigo para os membros da aliança.






Para os novos membros, vindos do antigo bloco comunista, o artigo 5 º é, sobretudo, uma apólice de seguro contra a Rússia, pois para a Alemanha ou para a França um ataque russo é impensável.


Esta discussão sobre garantias jurídicas com a Rússia, mesmo garantias de não-agressão, correria o risco de expor tais diferenças entre os aliados.






Na verdade, dizem diplomatas europeus, os russos podem já ter conseguido muito mais do que eles queriam.


A grande meta da Russia era deter o Alargamento da OTAN e parar os planos americanos para estacionar radares de defesa anti-mísseis na República Checa, juntamente com interceptores na Polonia.


Os Estados Unidos agora dizem que a primeira fase do sistema será baseado em navios, com um radar próximo ao Irã. E a adesão da Ucrânia e da Geórgia a OTAN agora é uma perspectiva distante.






O mesmo acontece com o Alargamento da UE.


Os líderes russos queixam-se sobre a “parceria oriental" da EU com seis países que a Rússia considera parte de sua esfera de influência: Arménia, Azerbaijão, Bielorrússia, Geórgia, Moldávia e Ucrânia. Mas esta parceria é um paliativo para os países em que a UE não pretende aceitar como membros plenos.






Melhor na esfera de influencia dos Estados Unidos do que na da Rússia é o que pensa a Europa.


Vinte anos depois da guerra fria, com os Estados Unidos vivendo seu momento unipolar, a Europa está entrando numa nova fase relativa a sua segurança.


E algumas ilusões precisam ser desfeitas, começando com a idéia de que a Europa, Estados Unidos e a Rússia são amigos com valores comuns.


No entanto, eles não precisam ser inimigos e apesar da espionagem continua importante ter a Rússia na OTAN.






A Rússia tem o direito de sugerir novas regras de convivência. Mas a Europa e os Estados Unidos têm o direito de pedir à Rússia para manter os compromissos existentes, e principalmente respeitar o estado de domínio do direito. A Rússia não será um garantidor da segurança para a Europa em nenhum tempo, pelo menos por agora.


Para Já a Europa acredita que só os US podem desempenhar este papel de forma credível.





The Economist, 20 de Novembro de 2009

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Guerra Cibernética


Quem pensa que Guerra Cibernética é coisa de filme de ficção científica deve prestar atenção no recente relatório da McAfee uma das maiores empresas de segurança da internet.




O relatorio mostra que nos EUA, a Casa Branca, o Departamento de Segurança Interna, o Serviço Secreto e o Departamento de Defesa foram vítimas de ciber-ataques com motivações políticas.


Na forma muito simples de provocar DoS (negação de serviço) nos servidores, eles aconteceram de forma coordenada no dia 4 de julho afetando o Departamento do Tesouro, a Bolsa de Nova York, a Nasdaq, a Amazon e a Yahoo.


Os ataques foram originados à partir de 50.000 computadores facilmente reunidos em rede por programas disponíveis a qualquer um que se disponha.




O Google também tem sido alvo constante de ataques e cada vez mais tem ficado fora do ar.


No Brasil ataques sem motivação politica têm causado grandes prejuízos aos grandes bancos que por uma questão de imagem preferem absorver as perdas.





As evidencias que mais e mais países e organizações estão se armando com instrumentos de ataque cibernético são alarmantes. Nada de equipamentos militares caríssimos e sofisticados, basta uma boa estrutura de software agressivo para invadir e desestruturar orgãos e instituições.







Para um país ou organização terrorista desenvolver estes instrumentos é fácil, barato e rápido. E nada como fazer uso destes instrumentos para se deixar inoperantes estruturas inteiras. Não é preciso usar bombas nem aviões, nem tropas. Basta colapsar e deixar inoperantes as estruturas de governo, de abastecimento de agua, eletricidade, financeiras e militares de um país adversário.




Várias tentativas já foram realizadas com sucesso.


Globalizado, interligado e inteiramente dependente das estruturas de informação, todo o planeta, tudo e todos estamos à mêrce de quem quiser deflagrar uma guerra cibernética definitiva.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Muro de Berlin




Muito sintomático que na festa de comemoração da queda do Muro de Berlin e conseqüente Reunificação estivessem apenas 100.000 pessoas, quando em 1963 na visita de Kennedy à Berlin uma multidão de cerca de meio milhão tenha ido para as ruas.


Esta divisão que separou a Alemanha em dois países adversários deixou marcas muito profundas no povo. Ossies, os orientais, e Wessies, os ocidentais ainda terão muito que conviver para se tornarem uma nação realmente única.


Motoristas de táxi em geral são um ótimo termometro da voz do povo e eu ouvi em Berlin um deles dizer que não acreditava que em menos de duas gerações se chegasse a uma normalidade. E ao que parece vai ser mais ou menos por aí.






Considere-se que Helmut Kohl, o chanceler na época, prometeu que a Reunificação se faria sem maiores custos econômicos. Mas até agora foram torrados bilhões de Euros para reconstruir a parte oriental e as diferenças continuam muito grandes.


A Alemanha em conseqüência destes gastos entrou em recessão e como locomotiva da Comunidade arrastou junto a União Européia.


Além de tudo os Wessies se resssentem de pagar o “imposto da solidariedade” para ajudar os irmãos orientais. E os Ossies se sentem não menos ressentidos pelo fato dos Wessies se sentirem como os vencedores da História e se portarem como conquistadores.






No lado oriental já surgiu inclusive um sentimento chamado Ostalgie, a nostalgia do tempo em que ainda havia uma Ost, uma Alemanha Oriental. Até alguns dos produtos de segunda qualidade típicos da RDA, do tipo café misturado com cevada, chocolate misturado com centeio estão voltando a ser produzidos nos Neue Länder, os cinco novos estados. Aliás esta denominação soa um bocado complicada já que dá um tom não de reunificação mas de apropriação.






Voltando à visita de Kennedy em junho de 1963.


JFK ficou extremamente emocionado quando se viu frente a frente com o Muro e quando percebeu havia 500.000 pessoas esperando para ouvi-lo.


Emocionado ele começou a falar e saiu radicalmente do discurso que estava preparado e falando de improviso entusiasmou-se e excedeu-se. A situação ficou extremamente tensa e temeu-se que a multidão se descontrolasse e avançasse contra o Muro.


O barril de pólvora quase foi acendido e ele comentou depois, meio arrependido, com seu assessor militar McHugh:


- Se eu lhes dissesse que saíssem dali e fossem derrubar o Muro de Berlin, eles o fariam.






Este acabou por ser um de seus discursos memoráveis terminando com o famoso Ich bin ein Berliner. Eu sou um Berlinense. Esta frase tão forte no contexto em que foi dita terminou virando quase uma piada por uma desculpável incorreção gramatical.


Diz-se Ich bin Berliner sem o ein, pois usando o ein (um) da-se a impressão de que se está afirmando ser um Berliner que é um doce, conhecido como Bola de Berlin. Sonho no Brasil.






De qualquer forma é bom não esquecer que aquele Muro nunca seria construído sem algum tipo de consulta entre os antigos aliados, soviéticos e americanos.


Dificilmente a Alemanha Oriental tomaria uma iniciativa tão radical sem tomar o pulso da reação dos outros países. Tanto quer ao saber da construção do Muro o mesmo Kennedy disse:


- It's not a very nice solution... but a wall is a hell of a lot better than a war.


Não é muito legal mas um Muro é bem melhor que uma Guerra. 



Não há inocentes nesta história. Só perdedores, e o maior deles é o Povo Alemão.







sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Cuidado Paulistas!


Deu na Folha de São Paulo que um grupo de defesa do meio ambiente publicou no dia 11.11.09  um relatório em que adverte que a contaminação do Rio Potomac, em Washington, alterou o sexo dos peixes.


A piada é inevitável: Cuidado paulistas!


Será por isso que a parada gay de São Paulo já é a maior do mundo? Amigos e amigas gays, sorry mas eu perco o amigo/a mas não perco a piada, principalmente as incorretas politicamente que são sempre as melhores.


Não existe humor a favor.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A Escolha de Taanit

Taanit minha filhota de 16 que estuda numa escola de super-dotados ganhou agora pelo segundo ano consecutivo um premio de 1.000 euros do Governo pelo bom desempenho. Mas o melhor é que ela já escolheu a faculdade para o próximo ano: não estudará física quântica, astronáutica ou coisas do gênero.



Vai estudar Gastronomia.


Gehaktballen

Todo país, toda nação tem seus bolinhos de carne. Kibes, croquetes, almôdegas.


Um dos melhores que conheço e facílimo de fazer são as Gehaktballen Holandesas. Tente que você não vai se arrepender.





Ingredientes:

1 xicara de carne magra de boi

1 xicara de carne magra de porco

1 ovo

2 fatias de pão branco sem a crosta só o miolo

1 cebola pequena picada

1 1/2 colher de chá de sal

1/2 colher de chá de curry

1/2 colher de chá de macis (macis é noz moscada ralada, mas rala-se apenas a parte superficial só a casquinha)

1/2 colher de chá de pimenta preta ralada

3 colher de chá de manteiga (de preferencia àquela dos Açores, mas se não tiver pode ser até mesmo uma margarina que aguente fogo alto)

1/2 xicara de caldo de carne, pode ser aquele da Maggi mesmo.



Preparação:

Misture as carnes com o ovo, o pão, o sal e os temperos e faça 4 a 5 Gehaktballen redondas.

Resfrie na geladeira por 30 minutos.

Aqueça a manteiga e doure as Gehaktballen por 15 minutos virando-as algumas vêzes.

Reduza o fogo e cozinhe as Gehaktballen por mais 15 minutos, virando-as algumas vezes.

Retire as Gehaktballen e reserve. Adicione à panela o caldo de carne e leve ao fogo alto. Adicionar um pouco de Ketjap Manis à mistura para fazer o molho que acompanhará as Gehaktballen.

Pode-se usar este molho, que na verdade é um roux, ou então maionese.



Eu prefiro comer sem acompanhamento. Somente as Gehaktballen, e muitas!

O Melhor Amigo Do Homem


Que tal tentar proteger seu melhor amigo contra os vírus e ameaças envidadas pelos seres orgânicos em sua inveja malsã. 


É grátis, apesar de ser da Microsoft.


Vamos então instalar duas ferramentas: um anti-virus e um anti spyware respectivamente o Security Essentials e o Defender.


Primeiro desinstale qualquer anti-virus ou proteção que aja no PC. Se houver mais de uma, tire uma de cada vez: tire uma e reinicie a máquina, tire outra e reinicie, etc... É um saco mas é melhor assim.


Segundo vá até o sítio (como quer o Aldo Rebelo) http://www.microsoft.com/Security_essentials/ baixe e instale este antivirus. Reinicie o PC.


Terceiro, chame novamente o Aldo Rebelo para passear no sítio http://www.microsoft.com/downloads/details.aspx?displaylang=pt-br&FamilyID=435bfce7-da2b-4a6a-afa4-f7f14e605a0d baixe, instale e reinicie a maquina.


Mas cuidado: só baixe, não abaixe na frente do nobre deputado que ele é muito rigoroso de língua.






Depois de voltar destes dois sítios aí voce já estará com seu PC protegido. Protegido inclusive contra o Aldo Rebelo. Putz Aldo você é um político notável, mas manera aê.


Menos camarada, menos.

Fado

Dizes que não tenho do que reclamar, pior se não tivesse de quem sentir saudades.

Dizes que plantei e colhi quatro lindas rosas, dizes que não tenho do que reclamar.

Mas se nesse jardim não posso ir,

Se não posso vê-las a cada amanhecer e lhes desejar um lindo dia,

Se não posso toca-las a cada anoitecer e lhes desejar lindos sonhos,

Se nem sequer nelas minhas mãos se ferem em seus doces espinhos,

Me restaram do jardim que tão amorosamente plantei outros espinhos, a me sangrar.

Ó mar salgado que nos separa, quanto de teu sal são lágrimas minhas?

Por que tenho todos os dias passar além do Bojador?

Impossibilidades


Há coisas que ficam no circulo das impossibilidades


Mas que teimam em instigar o reino dos desejos e lá ficam a zombar da compreensão, a atormentar as noites de solidão, a lamentar a boca que se ausentou, a gemer pelo corpo que se foi. E lá ficam a tentar prencher com tanta presença enormes ausencias.