sábado, 29 de janeiro de 2011

Fé Cristã


Fé. Há um tipo de fé que todos parecem ter. Num partido político, num time de futebol, numa empresa, num produto, em si mesmos.


Fé em Deus. A maioria das pessoas diz que tem, é aquela coisa meio vaga de que só se lembra quando as coisas andam mal.





Tiago em 2.19 pergunta, Você crê que há somente um Deus? Ótimo! Os demônios também crêem e tremem.


Essa é a noção de deus que está em quase todas as pessoas. Uma mistura de medo do desconhecido, crença em um criador, em algo que comanda o universo.


Essa é a Fé Natural. Mas não é dessas que falo.


Falo da Graça, a que salva, a Fé Cristã, a operada pelo Espírito Santo, como lembrou Paulo aos Coríntios: Ninguém pode dizer Jesus é o Senhor se não for guiado pelo Espírito Santo.


Esta é um dom de Deus que nos faz reconhecer Jesus como o seu filho e nos trás o amor e o perdão do Pai.





Dois exemplos desta fé são o leproso e o centurião de Cafarnaum.


O leproso era um judeu que desde a infância esperava pelo Messias. Sendo leproso ele era um excluído da sociedade. Um dia ele ouve falar de Jesus, de seus sermões e dos sinais que estavam chamando atenção na Galiléia.


Vai procura-lo, reconhece nele o prometido nas escrituras, se ajoelha e o chama de Senhor.


Já o centurião era romano acreditava no Deus de Israel e por isso se tornou filho de Abraão, amigo dos judeus e construiu uma sinagoga.


Ele também acabou reconhecendo o que muitos ainda não percebiam: aquele era o Messias.


Os dois reconheceram em Jesus o Senhor e nele tiveram confiança absoluta.


Eles tiveram fé.


O leproso já não tinha nenhuma esperança de cura, mas disse Senhor se quiseres podes me purificar.


Já o oficial romano tinha um servo doente, paralítico, sofrendo muito, quase morrendo segundo Lucas, e então decide pedir a Jesus dizendo, dê somente uma ordem e meu empregado ficará bom.


Isso é fé.





Fé no amor que Jesus tem por nós e que ele nos oferece no Evangelho. Fé no amor que o fez vir a este mundo que lhe fez sofrer e o matou na cruz.


Fé no amor que fez com que ele procurasse os perdidos, os pecadores, a você e a mim, para nos perdoar e nos salvar.


Ter esta Fé nem sempre é fácil. Somos fracos e nossa fé falha, enfraquece, duvida. Vinicius fez uma definição de felicidade que se aplica à fé.





A felicidade é como uma pluma


Que o vento vai levando pelo ar


Voa tão leve, mas tem a vida breve


Precisa que aja vento sem parar.





Este vento que mantém a pluma sempre leve a voar é a fé que exercitamos em orações e na intimidade que mantemos com o Salvador e com sua palavra. Vinicius também diz que,


A Felicidade é como uma gota de orvalho


Numa pétala de flor


Brilha tranqüila, depois de leve oscila e cai como uma lágrima de amor.





Para que a fé não seja assim passageira, para que brilhe, não oscile nem caia, é preciso se apegar à promessa divina.


Essa promessa cura nossa alma e dá força à nossa vida, mesmo quando estamos fracos.


Jesus disse, e depois Paulo lembrou aos Coríntios, que a Minha Graça é tudo quanto você precisa pois o meu poder é mais forte quando você está fraco.


Está fé nunca deixará de produzir frutos em abundancia. Ela é alimentada diariamente pelo estudo da palavra de Deus e na comunhão com Jesus na Santa Ceia.


Alguns destes frutos estão bem claros no Evangelho: humildade, confissão e amor ao próximo.





Veja a humildade do oficial romano.


Ele não alega que já havia trabalhado muito pelo reino de Deus, ele também não diz que construiu uma igreja, ele nem sequer tem coragem de procurar Jesus pessoalmente.


Lucas conta que ele mandou amigos e anciãos com seu pedido: Senhor não se incomode pois eu não mereço que entre na minha casa, dê somente uma ordem e meu empregado ficará bom.


Jesus ficou tão admirado quando ouviu isso que disse à multidão:


- Eu afirmo a vocês que nunca vi tanta fé nem mesmo entre o povo de Israel.





Outro fruto da fé é a confissão.


Os conquistadores romanos eram os orgulhosos donos de todo o mundo conhecido e um oficial romano simbolizava este poder. Apesar disso ele não se envergonhou de abandonar a religião de seu império, de praticar a religião dos desprezados judeus e diante da multidão confessar sua fé em Jesus.


A verdadeira fé não se esconde, ela brilha e ilumina nosso caminho.


Jesus disse que se uma pessoa afirmar publicamente que, Pertence a mim, eu também no Dia do Juízo, afirmarei diante do meu Pai, que está no céu que ela me pertence.


Dá para dispensar um advogado como esse?





Não há por que se envergonhar de ter fé, conte para todo mundo, colegas, amigos, família. Paulo disse aos romanos que,


- Não me envergonho do Evangelho pois ele é o poder de Deus para salvar todos os que crêem. Viverá aquele que por meio da fé é aceito por Deus.


Um fruto muito especial da fé é o amor ao próximo. Um pivô desta história é um simples servo de um oficial do império romano. Mas a fé mudou o coração deste oficial e ele implorou pela cura do servo.


A fé os transformou em irmãos e despertou num orgulhoso romano o verdadeiro amor.


O amor ao próximo. O amor verdadeiro é incondicional, apenas dá sem esperar nada em troca.





A vinda de Jesus trouxe duas profundas revelações: uma histórica e uma divina.


Historicamente quando Jesus disse “amai o próximo como a ti mesmo” ele estava mudando a história social da humanidade.


Antes de Cristo nenhuma sociedade havia se organizado em torno da fraternidade ou da solidariedade.


1789 anos depois a Revolução Francesa se fundamentaria em Liberdade, Fraternidade e Igualdade. Estes conceitos revolucionários são tipicamente cristãos.


Depois de Cristo novos sistemas políticos, novas filosofias, novas nações e uma nova mentalidade começaram a florescer, fazendo deste sonho a base de nações, constituições, bandeiras, hinos e países.





Jesus tratou do amor tanto nessa vida quanto na eternidade.


Mas é principalmente da salvação e da vida eterna que fala esta Fé. Da fé na sua promessa que nos abençoa, nos salva e nos leva eternamente de volta para Ele e para o Pai.


Hoje é domingo e em alguns domingos alguns cruzam a porta de um templo cristão.


Cada um tem motivos especiais para fazer isso. Ser perdoados, louvar, ofertar e participar da ceia do Senhor.





Cada vez que cruzamos por aquela porta nós vemos aquela cruz. E ela está vazia.


Isso nos lembra que Ele tomou o caminho de volta para o lado de Deus Pai. E é exatamente esse caminho que Ele nos oferece e nos promete.


Hoje. Neste domingo. Todos os dias. Sempre.


Pela Graça. Pela Fé.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Irmã Dulce


Irmã Dulce o Anjo Bom da Bahia.

É só uma questão de tempo para o Vaticano santificar Irmã Dulce. Já beatificada após o primeiro milagre, com mais um ela vira santa. Santa ou não, irmã Dulce era uma mesmo uma santa.

Lembro dela todos os meses no escritório da construtora de meu pai recolhendo a doação mensal. Ela mesmo dizia que,

- Esse é o trabalho que mais faço. Pedir para meus pobres.



Franzina, pequena, delicada.

Ela se dedicou a pedir e construiu aos poucos um complexo hospitalar respeitável. Para seus pobres. Tranqüila, doce, sem nenhuma aparência de piedade ou servilismo. Ela tinha a característica rara da Compaixão.

Rara por que pressupõe a capacidade de sentir a dor do outro. Muito poucos são capazes disso. Não é a piedade pela dor do outro, é sentir a dor do outro. Não é lamentar o sofrimento alheio, compartilhar ou se solidarizar com ele. Ter compaixão é sentir efetivamente a dor do outro.

Já se mapeou a região do cérebro onde acontece a atividade elétrica durante a experiencia da compaixão. Parece que é genético. Genético ou não, fisiológico ou não, Irmã Dulce era uma santa.

Considero um privilégio tê-la conhecida e convivido alguns momentos com ela.

Um deles foi marcante para mim.



Eu fazia uma restruturação administrativa na Tropical Turismo agencia do grupo Varig, que ficava no Hotel da Bahia também do mesmo grupo. Um dia o pessoal da agencia me pede um favor. Estava para chegar, em visita de turismo a Salvador, um grupo de executivos de empresas farmacêuticas americanas.

Além de passear por alguns dias na cidade eles também tinham uma doação conjunta em medicamentos para fazer ao Hospital Santo Antonio, de irmã Dulce. Pediram-me para acompanhar o grupo em alguns passeios e na visita ao hospital.

Eu que tinha acabado de chegar da Inglaterra me diverti muito com o grupo que era agradável, culto e interessante. Passeamos bastante pela cidade, navegamos pelas ilhas da baía, fomos à shows e restaurantes.

Finalmente chegou o dia de entregar o cheque simbólico da doação.



Fomos todos ao Hospital Santo Antonio.

Percorremos todas as instalações, verificamos todo o trabalho e depois de percorrer tudo fomos para uma sala conhecer Irmã Dulce. Ela nos esperava quando chegamos.

Os americanos ficaram espantados com sua fragilidade, ela tinha na época 75 anos. Fiquei ao lado dela e servi de interprete nas perguntas e respostas.

Disse-lhe que aquele grupo estava doando alguns milhões de dólares em medicamentos e que bastava o corpo técnico especificar quais eram necessários. Emocionada ela agradeceu muito a todos eles.



Nos últimos momentos do encontro fiquei ao lado dela. Estávamos só os dois sentados a um canto da sala enquanto os outros tomavam café.

Ela me olha ternamente e diz:

- Eu também queria agradecer a você.

- Não fiz nada Irmã Dulce, só os acompanhei.

Sorrindo ela passa a mão magrinha na minha cabeça,

- Você é um homem bom.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Annabi um árabe misterioso


Sintra é um desses lugares cheio de estrangeiros que quando um dia a conheceram, se encantaram e se mudaram para cá. A maioria são ingleses, alemães e suíços.


Eu era amigo de um desses ingleses. John era um diplomata aposentado. Morava numa casa charmosíssima e tinha uma pequena gráfica de serviços rápidos e encadernações que eu usava freqüentemente para meus trabalhos.





Annabi era um árabe com quem eu tinha contatos profissionais. Filho de um matemático e de uma artista plástica, sobrinho de ministro, neto de banqueiros de uma família milionária e influente. Ele me contactara em Túnis, interessado em contratar estudos de viabilidade econômica de projetos industriais no norte da África.


Jovem, ele estava considerando oportunidades de investimentos apoiados pela Comunidade Européia para o Magreb. Ele queria construir sua própria carreira com apoio da família influente. Tivemos vários encontros de trabalho e o último deles nós marcamos em Londres, um ponto intermediário para nós dois. Ficamos no mesmo hotel por dois dias analisando possibilidades e projetos.





Pouco depois de voltar de Londres estive na gráfica de meu amigo inglês.


Fui encomendar a encadernação de um projeto em que estava trabalhando. Depois de tomar nota do serviço John me pergunta:


- Como foi a viagem a Londres?


Fiquei surpreso porque não me lembrava de ter comentado sobre a viagem com ele.


- Foi ótima, bastante produtiva e ainda deu para fazer umas compras.


- E o árabe, também gostou?


Aí fiquei realmente muito surpreso.


- Como você sabe disso?


John riu discretamente.


- Ivan eu sou aposentado do serviço diplomático.


- Sim, eu sei mas e daí?


- O árabe já tivera o pedido de visto para Londres negado. Quando você lhe passou um fax de sua empresa convidando e marcando o encontro em Londres, ele voltou ao consulado e contornou o problema. Eu fui acionado por morar em Sintra. O ministério me pediu informações sobre você, qual era seu trabalho e sua empresa. Como eu tenho lhe feito todas estas encadernações foi fácil responder.





- John você é um informante inglês?


- Oh no, please, informante é muito rude, deselegante!


- Então vamos mudar a forma da pergunta, você é colaborador do MI6?


John abriu um sorriso maroto.


- Oh no, 'course not, spy is too charming. Na verdade todo diplomata faz um pouco deste tipo de atividade. E além disso my dear friend, com esta aposentadoria que recebo é preciso complementa-la com algum income extra.


Pronto, ali na minha frente acabava de se desfazer todo o charme do MI6. Um senhor simpático, bonachão, meu vizinho em Sintra, complementando a aposentadoria não tinha nada a ver com 007.


- Bem, deve ser bem interessante este seu bond-work.


- Muitíssimo menos do que você possa imaginar, nada de mulheres, carros, iates, lutas e tiros. Na verdade is very boring e burocrático.


- Sim mas afinal o que há de errado com o árabe?


- Nós o estamos observando.


- Vocês também me seguiram?


- Digamos assim, protegendo. Você não achou estranho que ele preferisse um encontro em Londres ao invés de Túnis?  Nem chamou sua atenção o fato de ele ter ficado lá por mais alguns dias depois que você voltou?


- Ele me disse que estava esperando uma pequena peça da Ferrari.


- E você sabe verdadeiramente a fonte dos rendimentos dele?


- Acredito que seja da família que é muito rica. O cara é perigoso então?


- Digamos que há pessoas melhores para se trabalhar. Aliás, eu definitivamente não lhe entusiasmaria a dar continuidade a esta relação.


- Mas qual é exatamente a atividade dele?


- Melhor não saber.


- Thanks, thanks a lot, John. See you.





Comecei a juntar pedacinhos da história. O Annabi certa vez quase se descontrolara ao falar dos EUA e disse que ainda veríamos a queda do império americano. 


Uma outra vez, numa tarde almoçando numa enseada belíssima próxima a Cartage, ele me mostrou umas casas nas encostas e apontou para o mar:


- Foi por ali que chegaram os Mirage de Israel bombardeando a casa de Arafat. Nós estávamos aqui neste restaurante e vimos tudo, nos jogamos no chão, minha mãe gritava e meu pai tentava nos acalmar. Eu e minha irmã éramos pequenos e chorávamos assustados. Vimos os caças chegarem, invadindo nosso espaço aéreo, disparando as metralhadoras, despejando mísseis e bombas. Era um estrondo ensurdecedor de disparos, motores e explosões. Depois os judeus arremeteram os caças e voltaram por onde vieram.





Na época esse bombardeio fora um ato terrível pois Israel invadiu o espaço aéreo de um outro Estado para bombardear um bairro civil de um país com quem não estava em guerra. Foi uma atitude brutal que chocou o mundo e apesar de Arafat não estar em casa outras pessoas morreram.


A Tunísia tinha sido o único país árabe a aceitar a OLP - Organização de Libertação da Palestina - em seu território. Arafat morava nos arredores de Túnis de onde comandava suas operações, fortemente protegido pelo Al Fatah, ele e seus homens tinham imunidade no país e de lá partiam para suas ações.


O governo de Bourguiba e de Ben Ali não tinham o menor controle sobre eles.


Annabi odiava os EUA, Israel, os judeus e a Inglaterra que segundo ele não era nada mais que um porta-aviões americano.





Comigo ele teve algumas atitudes estranhas.


Um dia me convidou para ir até as montanhas da Argélia conhecer uma reserva ecológica de caça. A viagem foi deslumbrante através do litoral de um Mediterrâneo quase intocado. Chegamos na reserva e paramos em um restaurante que ele dizia ter uma carne excelente de javali, caçado ali mesmo. Achei estranho um muslim elogiar carne de javali. Pedimos o assado. Estava delicioso, a carne firme, um pouco adocicada e menos gorda que a de porco. Meio sem graça lhe perguntei porque ele, um muçulmano, se permitia comer carne de javali. Ele respondeu que era um muçulmano liberal em que eu podia confiar.


Annabi levava uma vida muito acima do que o pequeno negócio que tinha poderia lhe permitir. Não tinha cartão de crédito apesar de ser sobrinho de banqueiro. Também não era comum o UK negar um visto de turista a tunisinos ricos. Muito menos ser alvo de interesse do MI6.





Até hoje continuo sem fazer a menor idéia de que real utilidade eu tive para ele ou de qual era seu verdadeiro negócio.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A Night In Sintra


Quando voltei, fascinado, de minha primeira viagem à Tunísia encontrei como sempre a casa em festa, toda enfeitada. Sempre que eu viajava o retorno era literalmente uma festa. Desta vez encontrei a casa toda decorada com corações, estrelinhas e luas de papelão pregadas nas paredes. E muitas faixas de papel escritas “Viva o Papai”.





Cheguei, ganhei sorrisos, beijos e abraços. Distribuí presentes. Trajes típicos, lenços e káfias para as crianças, perfumes exóticos em frascos delicados e um vestido árabe para Sandra. Depois dos presentes ela me toma pela mão e diz ter uma surpresa para mim. Me leva até o banheiro e mostra a banheira cheia de água morna, sais e espuma.


- Você deve estar cansado da viagem, venha relaxar.





Mal eu entro na água e relaxo, ouço uma música tocando suavemente e tenho uma surpresa emocionante. Ela com muita sensibilidade colocara para tocar “A Night in Tunísia” do Dizzy Gillespie uma das minhas músicas favoritas. Nada poderia ser mais apropriado. Eu olho feliz, agradecido e emocionado para ela. Antes de sair ela acende um luzinha e me serve um uísque com gelo.


- É um Dimple 18 anos, seu preferido.





Uns cinco minutos depois a porta se abre e ela volta. Alta, magra, loura, olhos azuis, pernas imensas. Usando o vestido árabe negro, um enorme sorriso e um daqueles perfumes. A Night In Sintra.

Ostalgie











Ostalgie é um neologismo alemão para a nostalgia do Ost (oriental) dos bons tempos da DDR. A Alemanha Oriental.






Foram relançados no mercado da Alemanha unificada aquela mistura de café com soja e malte que era vendida como Kaffe e um doce que apesar de conter quantidades ínfimas de chocolate era vendido como Schocolade.










Até o Trabie, o velho Trabant virou cult.




O carrinho que usava a tecnologia anos 50 do antigo DKW era feito em duraplast, uma mistura de fibra de vidro com só Got sabe o quê. O Trabie  tinha uma fila de espera de oito anos e custava o salário médio de uns quatro anos.




O motor tinha a potência de um cortador de grama moderno e exalava uma fumaça horrorosa. Pois agora pode-se comprar esta fumaça engarrafada em latinhas. É o Trabie Parfüm.




Vale a pena lembrar das piadas da época.









Um cãozinho alemão consegue saltar o Muro de Berlim e chegar ao lado ocidental. Ao ser entrevistado na televisão:

- Como era sua vida no lado comunista?


- Muito boa.


-Mas você tinha onde morar?


-Sim, tinha uma boa casa.


- A casa tinha aquecimento?


- Sim claro, a casa era boa e confortável


- Seu dono lhe tratava bem?


- Tratava muito bem e sempre passeava comigo


- E havia o que comer?


- Eu me alimentava muito bem.


- Mas então afinal por que fugiu?


- Para latir!









Um sheik árabe ouve dizer que na Alemanha Oriental um Trabant leva em média 8 anos para ser entregue. Ele imagina que o carro deva ser extraordinário e encomenda um. Quando o pedido chega na fábrica de Zwickau o diretor fica muito orgulhoso com uma encomenda tão importante em dois meses envia um Trabie num container.

O sheik reúne todos os amigos para assistirem à abertura do contêiner. Ao verem o carro todos ficam impressionados:


- Que maravilha como o tempo de entrega do carro é incrivelmente longo os alemães mandam um modelo feito de papelão para se ter uma prévia! E o que é melhor: dá até para dirigir!






Como se faz para dobrar o valor de um Trabie? 




Encha o tanque dele.










Honecker, o presidente da DDR comenta com Markus Wolf comandante da Stasi a policia secreta do estado:




- Meu hobby é guardar as piadas que fazem sobre o regime.




Markus responde,




- O meu é parecido, eu gosto de guardar os que fazem essas piadas.




quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Mein Lieber Spione






Rainer Rupp nasceu no Sarre, sudoeste da Alemanha, em 1945. Em 1968 quando estudava Economia em Mainz ele foi recrutado pela Stasi, o serviço secreto da DDR, República Democrática Alemã, a Alemanha Oriental comunista.






Em 1970 ele conheceu a inglesinha Ann-Christine Bowen com quem se casaria em 1972. Funcionária do Ministério de Defesa britânico ela havia sido transferida para o quartel-general da OTAN em Bruxelas. Os dois jovens condenavam o imperialismo norte-americano, a guerra do Vietnã e amavam os Beatles e os Rolling Stones. Quando ele revelou que trabalhava para a Stasi os dois passaram a espionar juntinhos sob os romanticos codinomes de Topázio e Turquesa.






Como Rainer trabalhava num departamento econômico da Otan ele podia transitar displicentemente pela organização com pilhas de documentos sem que alguém desconfiasse de que se tratava de material militar ultra-secreto. Em casa o agente fotograva tudo alegremente.


Durante onze anos e até do fim do regime da DDR em 1989 Topázio transferiu planos  ultra-confidenciais do alto-comando militar da OTAN. A Stasi deu ao simpático e idealista Topázio uma mansão em Bruxelas e mais de meio milhão de dólares.






A CIA começou a investigar as operações do casal mas só os descobriu em 1993. Depois de expostos em 1994 Rainer foi condenado a 12 anos de prisão e Ann-Christine a 22 meses de liberdade condicional. Várias personalidades, como o escritor Martin Walser, na Alemanha defenderam o agente e muitos o visitaram na prisão.


Rainer chegou a ser convidado pelo sucessor do partido único da Alemanha Oriental para exercer a função de assessor de política de segurança interna e externa. Seis anos depois Topázio saiu da prisão. Livre, leve e solto.






A CIA, o MI6 e os serviços secretos ocidentais reconheceram que Topázio e sua esposa poderiam ter causado uma guerra de proporções catastróficas.







Você sabe o valor do dendê?









Não existe maior generosidade do que a dos povos negros que povoaram e mesclaram este país. E que nos devolveram em alegria, esperança e vida as chibatadas mortais que receberam para construir esta nacionalidade. Negra é a Luz.







Não consigo expressar melhor meus sentimentos em relação ao momento que hoje vive este povo do que nessas palavras, às vezes meio delirantes, ditas no meio da excitação de uma grande festa.


E principalmente por esta frase genial atirada à multidão: Quem está feliz levante a mão!






Só mesmo Odoyá, Babalú, Japepé,Ajansu, só mesmo eles sabem o desígnio deste povo, chamado Povo Negro que nasceu Natureza e como natureza nasceu rico. 


E como rico diluiu seus pensamentos, seu grau de instrução, sua história, sua arte no mundo inteiro. E transformou-se na Beleza Reverenciada.


Somos fortes, por que isso é a Expiação do povo negro.






Mas isso também está mudando por que há um interesse em todos nós de sermos acima de tudo a continuidade e a iniciação do progresso moral. Por que não adianta nós só fazermos batucada não.


Nós queremos fazer batucada e educar. 


Mas não queremos que a sensualidade das nossas batucadas provoquem prostituição, e acima de tudo nós, nos nossos próprios ambientes, precisamos ter um carinho muito mais acirrado diante da mulher.


Não violenta-la, ao contrário saber compreender a mãe, o ventre, a doçura, para que verdadeiramente conheçamos a força.






Por que?


Por que homem nenhum tem poder, só o Encantado, só Deus tem poder. E lhe digo mais: que essas palavras sirvam para mim como cidadão.


Valei-me Telepé, humildade pra que eu seja um homem-cidadão e saiba compreender o destino do mundo, da vida, das pessoas.






Me faça pequeno Ogum, me faça pequeno, mas me faça grande no coração.


Eu tenho um mestre, ele se chama Pintado do Bongô, ele me ensinou isso, ele me levou pro meu padrinho Caetano pra que hoje a meia-lua inteira estivesse lá no céu, testemunhando que o Ancestral é que vence, que o desejo de ser feliz é que vence.






Viva o Ilê Aiyê.






Carlinhos Brown.

Die endgültige Lösung, a Solução Final




Hoje 20 de janeiro é aniversário da famosa Conferencia de Wansee em 1942.

Na rua Am Grossen Wannsee, à beira do lago Wansee, um dos endereços mais requintados de Berlim, ficava a Fundação Nordhav que  adquiriu o palacete no final dos anos 1930 para servir de lazer à Gestapo, SS e famílias. Ali se decidiu pela catástrofe humana que ficaria conhecida como o Holocausto.









Líderes nazistas, 14 secretários adjuntos, altos oficiais da SS e funcionários ministeriais, reuniram-se no palacete para discutir Die endgültige Lösung, a Solução Final e os detalhes operacionais do extermínio em massa dos judeus e outros untermenschen na Europa. Parte dos presentes terminaria seus dias condenados no Tribunal de Nuremberg por crimes de guerra e contra a humanidade.









O humor é uma traço essencialmente iconoclasta. O humor dificilmente é politicamente correto, as duas condições são excludentes. Não existe humor a favor. Ouvi de alemães e judeus, ótimas piadas em relação a esse tema infame. E por serem tão infames é que estas piadas são excelentes.









Em um belíssimo palácio polonês em pleno inverno de 1940 as temperaturas estão abaixo do 20 negativos, um frio terrível.




O palácio havia sido tranformado no quartel-general da região, recém invadida pela Blitzkrieg alemã.




Frau Schanabel, secretária do comandante entra no enorme salão onde Herr Heinchhardt esta trabalhando. Faz a famosa continência da SS e diz,




-  Gutten Tag Herr Kommandant, bom dia comandante




- Bom dia Frau Schanabel




- O senhor está precisando de alguma coisa?




- Nein, alles gut, não está tudo bem




- A sala está bem aquecida?




- Ja Frau,danke, sim esta ótima, obrigado




- Herr Heinchhardt, o senhor não quer que se coloque mais um judeu na lareira?










Dois velhinhos alemães estão sentados no banco de uma praça conversando.




- Como foram suas férias?




- Péssimas, fui à Polonia.




- Mas como péssimas a Polonia é um bom lugar.




- Não foi para mim. Hoteis caros e desconfortáveis, poucas mulheres, vinho ruim e além de tudo fui muito mal tratado, os serviços são péssimos!




- Mas que coisa estranha. Quando eu estive na Polonia havia belas mulheres, vinho excelente, comida farta, acomodações excelentes e fui muito bem tratado.




- Mas quando foi isso? Por qual companhia?




- Bem isso já faz muito tempo. Eu fui pela Companhia no. 44 da Wehrmacht.










Herr Dietrich, comandante de um campo de concentração, adoece gravemente.




Os médicos fazem todas as tentativas para cura-lo mas ele continua a beira da morte. Nos momentos finais um oficial de ordens sugere ao Kommandant,




- Herr Dietrich não sabemos mais o que fazer, mas eu tenho uma sugestão. Aqui no campo se encontra um dos mais famosos médicos judeus da Alemanha, o senhor permite que o procuremos?




- Ja bitte, sim, por favor, traga-o imediatamente.




Os soldados saem à procura do médico e o encontram já no corredor da morte, na porta da câmara de gás.




Tiram-no da fila e o levam para tratar do comandante.




Depois de algumas semanas o comandante está completamente curado. Ele chama o médico judeu e diz,




- Voce me salvou a vida e eu salvarei a sua. Voce não irá mais para a camara de gás.




- Danke herr kommandant, muito obrigado comandante.




- E em sinal de minha generosidade pode pedir o que quiser, qualquer coisa.




- Qualquer coisa comandante?




- Pense e peça. Qualquer coisa, tem minha palavra.




- Herr Kommandant, sendo assim eu quero a concessão do fornecimento de gás.



terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O bom humor de Churchill




Winston Churchill além de tudo que foi e representou no século XX, tinha hábitos e características muito peculiares, um delas o bom-humor.














Quando Bernard Shaw ia estrear a peça Pigmaleão enviou um convite ao estadista:






Tenho o prazer e a honra de convidar o Digno Primeiro Ministro para a primeira apresentação da minha peça Pigmaleão. Venha e traga um amigo. Se tiver.






Churchill respondeu:







Agradeço ao Ilustre Escritor o convite tão honroso, infelizmente não posso comparecer à primeira apresentação, mas irei à segunda. Se tiver.









Numa visita aos Estados Unidos na década de 30 depois de fazer uma palestra onde falou dos aspectos positivos e benéficos do Império Britânico ele foi abordado por uma americana fortemente imperialista. Ela lhe fez uma pergunta a respeito do movimento de independência de Gandhi na Índia:


- O que vocês pretendem fazer com seus indians?


- Pelo menos, minha senhora, não o que vocês fizeram com os seus.














Lady Astor, a primeira mulher a ser eleita para o Parlamento Inglês, era amiga de Winston e o ajudou a se eleger primeiro ministro. Mas durante uma discussão com ele Nancy se irritou e disse:






- Se você fosse meu marido eu colocava veneno no seu chá.






- Se eu fosse seu marido eu tomava este chá.





segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Anita Merkel, a Stasi no poder











Trowbridge Ford agente do Corpo de Contra-Inteligência do Exercito dos Estados Unidos, aposentado e professor de política em Estocolmo.







Oleg Gordevsky chefe do escritório em Londres da KGB a agencia de inteligência soviética.










Vassili Mitrokhin arquivista senior da PGU a seção internacional da KGB.










Christopher Andrew historiador de Cambridge em relações internacionais, história dos serviços de inteligência e historiador oficial do MI5 o serviço de inteligência britânico.






Andrew juntamente com aqueles dois ex-oficiais da KGB soviética que desertaram para o Ocidente tem escrito livros e feito revelações impressionantes sobre a Guerra Fria e a espionagem internacional.














As revelações de Ford e Andrew e as informações de Gordevsky e Mitrokhin servem como referencia para um dos escândalos políticos mais assustadores da atual política internacional. Ou para entrar no rol das teorias conspiratórias.

Angela Merkel, codinome Anita.






Angela Dorothea Kasner, chanceler da Alemanha, nascida em Hamburgo em 1954, é a filha mais velha do pastor luterano Horst Kasner. Horst nasceu no bairro de Pankow em Berlim então parte do setor soviético. A familia de Angela se mudou para a Alemanha Oriental depois que seu pai obteve um pastorado em Quitzow perto de Perleberg próximo a Brandenburg. Esta decisão ao que parece foi para que eles se posicionassem melhor no que pudesse acontecer ao país dividido.








Horst também estava tentando melhorar a relação entre as igrejas luteranas alemães dos dois lados da fronteira. 














Os avós maternos de Angela viviam em Elblag, a antiga Elbing da Prússia Oriental na Polônia, quando ela nasceu. Nas imediações de Elblag fica a antiga fortaleza de Malbork construída no século XIII pelos Cavaleiros Teutônicos e que a Alemanha nazista tinha recebido nos termos do pacto de Não-Agressão com a URSS em setembro de 1939. Nesta fortaleza 1.900 comunistas alemães, devolvidos pela URSS à Alemanha sob os termos do pacto, foram executados pelos nazistas. Os avós de Angela eram comunistas e sabiam o que tinha acontecido aos camaradas entregues aos nazistas. Durante a guerra eles permaneceram na Polônia ao contrário de outros alemães. Tudo isso ajuda a entender a ligação de Angela com o comunismo.














Na Alemanha Oriental Angela freqüentou escolas públicas e tornou-se membro da FDJ - Frei Deutsch Jugend - a Juventude Livre Alemã, do Partido Comunista. Angela tornou-se tão proficiente em russo que foi oficialmente premiada. Apesar dela ter feito a Confirmação na igreja luterana - equivalente à primeira comunhão na católica - havia uma tensão crescente entre o severo pai pastor e a filha ambiciosa. 






Angela estudou na Universidade de Leipzig e se casou em 1976 com o colega de escola Ulrich Merkel.






Depois ela foi para a Academia de Ciências de Berlim onde se tornou secretária de agitação e propaganda do partido comunista e responsável pelo recrutamento de colegas para a FDJ. 






Na Academia ela estudava Física Quântica.














Física Quântica é uma ciência altamente teórica e complexa que combina a Mecânica Quântica com a teoria do Campo Unificado e este une a Teoria da Relatividade com o Eletromagnetismo. 






Na prática a física quântica tem todos os tipos de aplicações a respeito de plasmas, energia nuclear e eletromagnetismo. A União Soviética havia construído muitos dispositivos nucleares, armas, usinas, submarinos e RTGs, os geradores termométricos por radioisótopos, e estava tendo muitos problemas com estes equipamentos. Eles estavam ficando perigosamente obsoletos e a segurança nas usinas nucleares estava em níveis críticos.






Submarinos nucleares estavam apodrecendo nos portos de Murmansk e Archangel e RTGs estavam sendo abandonados como lixo atômico na península de Kola. Como os soviéticos não tinham tecnologia para lidar com esses problemas procuraram a Alemanha Oriental cuja Academia de Ciências de Berlim tinha grande reputação na área. O objetivo era encontrar know-how no Ocidente através dos contatos da Academia. 















A Academia fundada em 1700 a partir da Academia Prussiana de Ciências teve cientistas como Gottfried Leibniz, Max Planck e Albert Einstein. Recriada pela Alemanha Oriental depois da Segunda Guerra ela tinha mais de 200 membros, dezenas de cientistas do Ocidente e tinha aumentado seu corpo de cientistas em pesquisa de química e física quântica . Angela Merkel trabalhava no Instituto Central de Física e Química da academia.



















Para tirar proveito do potencial de Merkel ela foi recrutada pela Stasi - Staatssicherheit - o serviço de espionagem de Markus Wolf. A HVA - Aufkluring Hauptverwaltung - a seção internacional da Stasi utilizou Angela para lidar com os agentes que estavam sendo enviados através do Muro de Berlim.






Eles se infiltravam para coletar segredos nas instalações de pesquisa da Alemanha Ocidental, França, Noruega e em outros países do Ocidente. Angela tinha profundo conhecimento destas pesquisas através de seu trabalho, das reuniões e dos contatos do Instituto.















Esta sangria de informações científicas era conhecida pelo Ocidente e de certa forma tolerada por conta da preocupação com um desastre nuclear civil, que finalmente aconteceu em Chernobyl.


Esta tolerância pragmática em relação ao problema alemão Kennedy expressou muito bem ao comentar sobre a construção do Muro de Berlim.


- A Wall is better than a War.  


No período da Détente, a distensão entre Washington e Moscou os dois estados alemães haviam finalmente se reconhecido diplomaticamente e a Alemanha Oriental parecia ter um futuro brilhante nesta nova ordem. Nesta época a Stasi havia plantado uma eficiente rede de espionagem dentro do governo de Willy Brandt na Alemanha Ocidental. 















Graças aos arquivos da KGB que Mitrokhin forneceu a Andrew hoje se conhece o uso intensivo de agentes classe Romeo und Julia da Stasi que forneceram à KGB todos os tipos de informações.






Markus Wolf cérebro da Stasi criou esta arma letal. Romeus e Julietas eram os agentes que além do treinamento usual em espionagem também eram exaustivamente treinados em sexo. Exímios na Honigfalle, a armadilha-de-mel, aplicada em suas vítimas homens, mulheres e homossexuais.






Eles eram treinados para tudo. 














Apesar de pontos obscuros no que Anita fez para a KGB na Alemanha Ocidental há fortes evidencias de que ela pode ter sido o agente que se infiltrou na equipe de Egon Bahr. Bahr foi o criador da Ostpolitik, Abertura para o Leste, a política de aproximação com a Alemanha Oriental e com a URSS, implantada pelo Chanceler Willy Brandt. Egon era fortemente motivado pelo senso de manter a integridade nacional da Alemanha como um todo tanto quanto possível.






Em 1974 um dos agentes plantados pela Stasi no Gabinete do Chanceler foi exposto. Ao ser descoberto Gunther Guillaume, assessor de Willy Brandt, declarou orgulhosamente:






- Eu sou um oficial do Exercito Popular Nacional da República Democrática da Alemã.






O escândalo gerou uma crise terrível que levou à renúncia, à queda do ministério e a desmoralização internacional de Willy Brandt. Três anos antes ele havia ganho o prêmio Nobel da Paz .














Gunther Guillaume teria sido "sacrificado" pela própria Stasi que deliberadamente expôs seu próprio agente para detonar a crise e derrubar o governo de Willy Brandt. 






Apesar dos soviéticos discordarem, os alemães orientais tinham começado a suspeitar que Brandt tinha planos prejudiciais ao futuro da Alemanha Oriental. Anos depois, terminada a Guerra Fria, Markus Wolf o chefe da Stasi escreveu uma carta ao ex-chanceler dizendo que lamentava "que o serviço de inteligência da República Democrática Alemã, que estava sob meu comando, tenha contribuído para os eventos políticos extremamente negativos que levaram à sua renúncia em 1974".






- Bem isso não ajuda muito agora, teria comentado Willy Brandt.














Wilhelm Kahle, codinome Werner, era um técnico de laboratório da Stasi que assumiu uma identidade de alemão ocidental residente na Alemanha Oriental.Ele trabalhou no Ocidente em várias especialidades e em várias capitais, principalmente em laboratórios das universidades de Colônia e Bonn.






No final dos anos 70 seu trabalho de espionagem apesar de bastante extenso se tornou pouco significativo. A KGB suspeitou de sua lealdade quando descobriu através da comunicação dele com a mãe na Alemanha Oriental que ele estava com medo de ser chamado a Moscou por causa da riqueza que estava acumulando em Paris.






Em 1978 Kahle foi levado a Moscou para ser investigado e ser submetido a um detector de mentiras.






A KGB colocou nesta investigação sua melhor agente alemã, codinome Anita, que além de alemão falava russo fluentemente. 






Era a primeira vez que uma Julieta investigava um Romeo. Após intenso interrogatório o relatório de Anita confirmou as suspeitas da KGB e Kahle foi afastado. Ele foi removido formalmente do trabalho ilegal em 1982.














No governo seguinte ao de Willy Brandt o chanceler ocidental Helmut Schmidt dando continuidade a Ostpolitik, tratou dos entendimentos para a redução e limitação dos arsenais nucleares o acordo SALT - Strategigal Arms Limitation Talks - com o recém eleito presidente Reagan em sua visita a oficial a Washington entre 20 e 23 de Maio de 1981.






Na volta à Alemanha as discussões sobre os termos do SALT, que tratavam da limitação do arsenal militar do Estados Unidos e da URSS, se arrastaram por um mês na Chancelaria alemã. 






Neste período Yuri Andropov que comandava a KGB informou ao chanceler soviético Leonid Brezhnev que o SALT era uma farsa.






Ele informou que graças ao “relatório de um agente de especial importância” os termos e o objetivo do acordo eram permitir a Washington ganhar tempo para aumentar e construir armamentos com o objetivo de ultrapassar a União Soviética no campo militar.














Esta fonte da KGB também informou que agentes ocidentais estavam inundando Bonn tentando sabotar os crescentes contatos entre a Alemanha Ocidental e a URSS.






Um dos alvos principais era o projeto da construção do gasoduto que levaria o gás natural da Sibéria para o Ocidente, que para deleite de Moscou Schmidt estava pressionando para implantar.






Com um agente da KGB na Alemanha informando Moscou sobre os segredos da nova corrida armamentista de Washington não é de surpreender que Angela/Anita finalmente recebesse, após oito anos, seu Ph.D em Física Quântica. 






Graças as contatos e com as informações dos agentes no Ocidente ela tinha aprendido muito sobre o que estava acontecendo. Compilar os relatórios em um documento coerente pode ter sido suficiente para o Instituto lhe dar o grau. 














Esta área estava se tornando fundamentalmente estratégica para os soviéticos que enfrentavam o envelhecimento do arsenal nuclear e os vazamentos nucleares nas usinas atômicas como o que aconteceu em Chernobyl, justamente quando Angela recebeu o doutorado.






Mas infelizmente para Merkel suas esperanças de uma Alemanha socialista de todos os alemães não funcionou. Devido ao arsenal crescente de Reagan e a recusa de Gorbachev em participar da corrida armamentista, após o quase confronto não-nuclear com os anglo-americanos, a situação geopolítica mudou radicalmente. Depois da queda do Muro de Berlim em 1989 o bloco comunista sofreu o colapso fatal que desencadeou o fim do império soviético. 


















Angela Merkel, para se prevenir desta radical mudança de ventos, de repente se envolveu na política entrando para o novo partido da Alemanha Oriental o Demokratischer Aufbruch, o Despertar Democrático. Após as primeiras eleições democráticas na Alemanha Oriental ela se tornou porta-voz do primeiro-ministro da fase da pré-unificação Lothar de Maiziére, um respeitado político de longa data do CDU, o partido democrata cristão.










Suspeito de ser agente da Stasi Lothar de Maiziére desapareceu da política. Como sucessora de Lothar, Merkel foi eleita a unica vice de Kohl na presidencia do CDU. Coligado ao CSU, Helmut Kohl obteve o controle da Alemanha reunificada e a Chancelaria.














Como Chanceler, Kohl nomeou Merkel como ministra para Assuntos da Mulher e da Juventude em janeiro de 1991 e depois como ministra do Meio Ambiente em novembro de 1994. 






Merkel também conhecida como Ihr Mädchen – “sua menina” – custou muito caro a Kohl que teve de se envolver em todos os tipos de suborno para conseguir que a Stasi destruísse arquivos embaraçosos, especialmente os relacionados com Anita. 






Quando Kohl se recusou a identificar quem lhe fornecia o dinheiro ele se destruiu politicamente após 16 anos no cargo. Foi o fim do mundialmente venerado Chanceler da Reunificação.














Ernst Uhrlau coordenador de inteligência da Chancelaria Alemã e diretor do BND – Bundesnachrichtendienst – o serviço alemão de inteligência, teve um enorme trabalho para recuperar um arquivo que continha o índice dos agentes da Stasi. 






O arquivo da Operação Rosenholz que a CIA tinha mas se recusava a entregar. Este material foi microfilmado em 1988 um ano antes da queda do Muro e repassado para a CIA em 1990, antes mesmo da Reunificação. Acredita-se que membros da KGB entregaram os microfilmes aos próprios adversários.




O dossiê Roseholz compõe-se dos arquivos F16 e F22 do Stasi, o primeiro possui 290 mil arquivos com uma relação de 230 mil nomes. Numa entrevista à Associated Press em 10 de dezembro de 1998 Uhrlau lembrando as possibilidades de chantagem declarou que,









- É inaceitável a longo prazo para o governo da Alemanha que arquivos relevantes fiquem nos Estados Unidos e uma possível e provável cópia esteja na Rússia.



O governo alemão pressionou Washington pela repatriação do material mas só começou a ser atendido em 2000 quando um primeiro CD com 1800 arquivos chegou à Chancelaria Federal em Berlim. Agora todos os microfilmes reunidos em 381 CDs estão com a Gauck Behörde a agencia  encarregada da conservação, organização e investigação do antigo acervo da Stasi.




Segundo estes arquivos 59 membros do Bundestag, o Parlamento alemão, trabalharam para a Stasi e atualmente 34% dos antigos informantes exercem cargos influentes em empresas e associações comerciais na Alemanha reunificada. Ainda hoje mais de mil agentes que a Stasi mantinha na antiga Alemanha Ocidental não foram desmascarados. O fato é que Moscou tem esses arquivos.




O FSB, o serviço de inteligência russo sucessor da KGB, há muito tempo mantém os arquivos mais comprometedores e aqueles sobre Anita. Estes informações terminaram por ser reveladas à opinião pública mundial por Andrew graças ao acesso ele que teve aos Arquivos Mitrokhin.








Segundo Trowbridge estas revelações foram duplamente problemáticas por que na época Merkel havia se unido a sua antiga paixão Wilhelm Kahle, codinome Werner, o espião que ela interrogou e desmascarou em Moscou. Ela tinha se divorciado de Joachim Sauer seu antigo professor de Física Quântica no Instituto Central de Físico Química onde ambos tiveram carreiras similares e totalmente inexplicáveis. 












Sauer é ainda mais secretivo sobre sua vida pessoal do que Merkel. 




Ele se recusa até mesmo a comentar que nasceu na Alemanha Oriental, em Senftenberg, cinqüenta quilômetros ao norte de Dresden. Ele adotou uma vida extremamente discreta comparada com a crescente importância e popularidade de Merkel.




Talvez este ex-Romeu da Stasi tenha medo de que alguém, especialmente uma de suas vítimas das armadilhas-de-mel possa reconhecê-lo.










O passado de Anita na Stasi pode explicar por que Merkel tem uma excelente relação com Vladimir Putin, ex-dirigente da KGB, ex-presidente, atual primeiro-ministro e homem forte da Rússia. Também faz pensar por que "Angie" é aparentemente chantageada pelo Mossad, o agressivo serviço secreto de Israel, quando se trata do tratamento dado pelo país aos palestinos, da política da União Européia com o Irã e quanto aos erros do papa quando se trata do Holocausto.




Ela também tem seguido uma política tão alinhada com os social-democratas que seu ministro da Economia, Michael Glos do CSU, de repente se demitiu.








O que a imprensa tem atribuído a uma suposta falta de entendimento em relação às decisões da política econômica, Glos explica ameaçadoramente:






– Ela sempre acreditou que eu não tenho a menor idéia sobre um monte de coisas.














Angela Merkel, com requintado talento florentino, é uma hábil sobrevivente entre tantas reputações e carreiras políticas destruídas na Alemanha ao longo da Guerra Fria e após a queda do Muro. Mas quanto mais se sabe sobre quem “Angie” realmente é mais ela se torna vulnerável. Uma situação inaceitável para quem lidera a União Européia, chefia a terceira economia do planeta e tem virtualmente as chaves do Banco Central Europeu. 










Uma situação estrategicamente muito perigosa para o mundo, para a União Européia e para a Alemanha que pode ser chantageada no mínimo pelos Estados Unidos, pela Rússia e por Israel.