segunda-feira, 21 de maio de 2012

Eu Quasi Robô

Tenho um amigo, psicanalista
por sinal, que quando ouve que um dia as maquinas vão tomar o
lugar dos homens, sempre responde: - Não vejo a hora de este dia chegar.



A dúvida é se esta visão
fica por conta de sua admiração pelas maquinas ou se por stress profissional.





O fato é que os robôs estão
cada dia mais presentes, cada dia mais precisos, cada dia mais eficientes. Queremos
robôs o mais semelhantes a nós ou nos queremos o mais biônicos possível? As
duas coisas estão acontecendo, mas qual o desejo fundamental?


É histórica a vontade humana
de que alguém nos faça os trabalhos desagradáveis, perigosos e repetitivos.
Fizemos escravos ao longo dos séculos.


Isso parece responder a
pergunta.





Mas de fato nossa relação com
a Robótica é mais sutil e mais profunda que o desejo natural de nos livrarmos
do Trabalho. De nos distanciarmos da maldição primordial que nos foi lançada ao
sermos expulsos do paraíso. Muito mais agonizante que “parirás com dor” é “viverás
do suor de teu rosto”.


De lá fomos expulsos por estarmos
à procura do Conhecimento, a prerrogativa primordial do Criador. E é com Ele
que temos um ajuste de contas a fazer.





Hoje cada um de nós carrega
no corpo algo artificial, algo biônico ou quase. Desde uma simplória prótese
dentária a um sofisticado coração artificial. Há maquinas ou protótipos fazendo
quase tudo que nosso corpo realiza. Dentro ou fora dele.


O claro objetivo é a
substituição. Estamos cada dia mais próximos de sermos nós próprios os robôs.





Na relação tremendamente
conflituada com o Criador ou tentamos displicentemente negá-lo ou dele nos
aproximar o máximo possível. Certamente pelos mesmíssimos motivos.


Dependendo da religião ou
dele nos aproximamos como iguais ou como servos completos. Algumas nos colocam em
seu próprio lugar, noutras comungamos de sua essência. O fato é que ou através
da ciência ou através da religião tentamos reproduzir suas mais evidentes
características.


E na pratica estamos Quasi
lá. Sem heresias.





Diferindo em forma e muito pouco
em conteúdo é religiosamente consensual que Suas mais fundamentais
características seriam a onisciência, a onipresença e a onipotência.


A onisciência e a onipresença
estão quase ao alcance, e de quase todos. Basta assistir a um noticiário
qualquer ou imaginar o aparato das agencias governamentais.


Olhe em volta: há algum device perto de você, nem que seja sua própria webcam. Apesar do
inconveniente da perda de privacidade ninguém está disposto a perder este
recurso.


Mesmo por que não há mais
como voltar atrás.




A onipotência avança em
progressão geométrica com o desenvolvimento científico das ultimas décadas. Apesar
de ter a característica do Paradoxo do Coelho que em direção ao objetivo sempre
dá um salto com a metade da distância que falta para chegar, mas que nunca
chega lá.


Há alguns anos atrás quem
falasse em mapeamento do genoma ou uso técnico do conhecimento do DNA,
provocaria risadas. Hoje só não está feliz o cara que espera pela confirmação
do exame de paternidade para dividir seu patrimônio.


A onipotência é relativa, mas
há aqui também uma sensação de Quasi.





Apesar de fascinantes não são
estas três características do divino que mais intrigam o Homem e nos empurram
em direção à ciência ou à religião.


Não são elas que nos fazem
hoje avançar tão rapidamente no domínio da Robótica.


Qualquer um de nós abriria
mão facilmente deste invólucro da consciência. Deste amontoado repugnante de
matéria orgânica em constante decomposição de que somos feitos. Este corpo onde
mal se nasce já se começa a morrer.


Qualquer um de nós
alegremente abriria mão dele por um biônico desde que nos fosse preservada nossa consciência,
nossa identidade.


Por que o que primariamente
nos move desde que começamos a olhar para as estrelas, o que nos guia no
objetivo final da Robótica não é nem a dor de nascer nem a de viver. É a consequência delas duas.





É esta angústia, é este
desejo primordial que nos levam a fazer que a Robótica faça de nós e não das
maquinas seu objetivo final
.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Oh Sweet Pulaski


Não me diga que você não sabe o que é um Wasp.


Claro que você já viu um. Claro que você conhece o tipo físico e o perfil sócio-psicológico de um americano que seja white, anglo-saxon, protestant.






É aquele cara que nos filmes aparece como intolerante, cheio de valores familiares, patrióticos e religiosos. Em geral do centro e do meio-oeste do país.


É o cara que normalmente estraga tudo nos filmes. O cara que hostiliza os forasteiros que aparecem na cidadezinha dele.




Aquele cara que considera NY como um território fora dos States e LA como uma aberração de drogados meio latina meio judaica.




Aquele tipo que em Apocalypse Now adora o smell of victory in the morning. Aquele tipo redneck que dispara no final de Easy Rider.


Achou o cara agora?





Pois é esse americano típico que fundou, criou e deu o tom do país. Pelo menos até há pouco.




É a maioria silenciosa americana, que assa peru com gravy, geléia de Cranberry e stuffing no dia de Ação de Graças, devora torta de maçã, adora frango frito e hambúrgueres. Aquele pessoal do Tea-Party e da NRA.


Esse tipo adorável está ameaçado por conta da maciça imigração e da maior taxa de natalidade de negros, latinos e asiáticos. You know these niggers and chicanos, these fucking bastards.






Hoje quinta-Feira dia 17 de Maio de 2012 passa a ser uma data tristemente importante para os Wasps. Segundo dados publicados pelo US Census Bureau o numero de nascimento de crianças brancas foi ultrapassado  há quase um ano pelo de crianças negras, latinas e asiáticas.




Whites 49,6%, Motherfuckers 50,4%.





Não adianta chorar e rezar para São Nathan Bedford Forrest nem ficar com saudades dos bons tempos.


Os Mofo imigraram muito nos últimos 40 anos, os rapazes estão se divertindo mais com as whores do que na igreja e os brancos estão envelhecendo rapidamente.


A idade média dos Wasps é de 42 anos enquanto os japas e niggers tem 30 anos e os chicanos ficam na média de 28 anos.





Kenneth Johnson da Universidade de New Hampshire disse ao Washington Post que o número de mulheres brancas entre os 20 e 30 anos recuou na última década. Roderick Harrison que foi do US Census Bureau e hoje está na Universidade de Howard disse ao New York Times que - Este é um marco histórico.


Hoje é o ponto de inflexão de uma sociedade branca que caminha na direção de uma cultura multiétnica e globalizada.



Os Wasps babies passam a ser a minoria.



Sarah é uma gracinha principalmente quando arrisca um Louboutin, mas Obama não é apenas um acidente histórico.

Alguém vai ter de refilmar o The Birth of a Nation do D.W. Griffith.



segunda-feira, 14 de maio de 2012

Bombeiros de Portugal


Qualquer pessoa que tenha morado ou ficado em Portugal por algumas semanas se surpreende com a quantidade de corpos de bombeiros que há no país. 


Há praticamente um corpo de bombeiros em cada bairro. Em qualquer trajeto que se faça dentro de uma cidade você vai encontrar pelo menos umas quatro corporações. 





No começo você acha engraçado e começa a pensar que está num país de incendiários. De certa forma é mais ou menos verdade, pois anualmente há incêndios florestais catastróficos e muitos deles são incêndios criminosos. 


Mas em geral os grandes incêndios são problemas do ambiente mesmo. 


Esta enorme quantidade de centrais de bombeiros chama a atenção principalmente por que são sempre Bombeiros Voluntários.


Por que tantos bombeiros? Por que todos são voluntários? São mais de 430 corpos de bombeiros e quase 40 mil bombeiros voluntários.


Haja incêndios!


Aí você já começa a achar que o problema dos incêndios é realmente um problema nacional gravíssimo a ponto de haverem tantas corporações e todas elas compostas por voluntários. 


Com o tempo você começa a ouvir histórias e saber de muitos incêndios criminosos. Você começa a achar que a população se divide entre incendiários e Bombeiros Voluntários.





Quando se começa a prestar mais atenção nos tais Bombeiros Voluntários você vai notar uma segunda coisa ainda mais intrigante.


O Estado não tem bombeiros. 


Diferentemente da maioria dos países os bombeiros portugueses não estão ligados a uma organização militar oficial. São bombeiros profissionalizados, bem equipados, mas voluntários e independentes. 


Aí a coisa começa a ficar muito, muito estranha. 


Por que Portugal é diferente? O que os bombeiros ou os incêndios portugueses têm de especiais?




O mistério aumenta quando se nota que a atividade nos centros dos Bombeiros Voluntários é intensa. 


Tantos incêndios assim?


Não. A atividade é de outra ordem.





Os Bombeiros Voluntários, que existem às centenas, não se ocupam apenas de apagar incêndios.


Nas sedes das corporações há muito mais além dos tradicionais caminhões vermelhos, carros, ambulâncias, helipontos e equipamentos de combate aos incêndios.


Os Bombeiros Voluntários funcionam como clubes de suas comunidades. Há piscinas, bandas, corais, bibliotecas, creches, aulas de ginástica, diversos esportes e serviço médico. 


E naturalmente festas e mais festas. Algumas delas muito tradicionais, algumas centenárias.

Estes grupos civis, espontaneamente surgidos nas comunidades e altamente organizados além de serem independentes do estado cumprem funções normalmente associadas ao próprio estado.






Os Bombeiros Voluntários de Portugal são realmente fascinantes.

Eles têm uma história de mais de 1.200 anos. Exatamente: mais de mil anos.


As raízes dos bombeiros de Portugal são mais antigas que a própria Língua Portuguesa, mais antigas que o próprio Estado. 


Parece piada de português, mas os ancestrais dos Bombeiros Voluntários de Portugal nem sequer falavam português pelo singelo motivo que o Português, como o conhecemos hoje, sequer existia. 


A história começa na época da invasão árabe.



Cerca dos anos 800 os mouros tomaram a península Ibérica.

No território onde hoje fica Portugal a igreja católica exercia na época a maioria das funções sociais, jurídicas e de governo local. Quando os árabes tomaram a região os sacerdotes católicos fugiram. Curiosamente os árabes não tiveram o menor interesse em preencher o enorme vácuo administrativo. 


Neste vazio social surgiram nas cidades os grupos de “homens-bons”. 





Eles se reuniam nas praças, faziam coletas voluntárias e assumiram inicialmente o cuidado com os órfãos e as viúvas. Depois eles passaram a cuidar da manutenção dos bens públicos. 


Os “homens-bons” foram expandindo suas responsabilidades e assumiram todos os serviços sociais. Alguns jurídicos e religiosos inclusive. 


Eles também organizaram cooperativas de produção de azeite, vinho e outros produtos. Através destas cooperativas a produção era comercializada com os mercadores árabes. 


Para o invasor estrangeiro nada mais prático do que dialogar com representantes legítimos da sociedade, que assumiam tarefas sociais, administrativas e que além de tudo se autofinanciavam. 


Estas associações permaneceram e sobreviveram ao longo dos séculos e a diferentes regimes políticos. 





Em 23 de Agosto de 1395 foi criado o primeiro Serviço de Incêndios de Lisboa. Para apaga-los naturalmente.

O decreto dizia que: "...em caso que se algum fogo levantas-se, o que Deus não queria, que todos os carpinteiros e calafates venham àquele lugar, cada um com seu machado, para haverem de atalhar o dito fogo. E que outros sim todas as mulheres que ao dito fogo acudirem, tragam cada uma seu cân-taro ou pote para acarretar água para apagar o dito fogo". 


Quando D. João I promulgou esta Carta Régia as organizações dos homens-bons estavam prontas para assumir estas responsabilidades. 


Muito tempo depois em 18 de Outubro de 1868 eles adotaram nome e organização legal como Companhia de Voluntários Bombeiros de Lisboa, depois em 1880 como Associação de Bombeiros Voluntários.

Um pouco antes em 17 de Julho de 1834 a Câmara Municipal havia criado a Companhia de Bombeiros de Lisboa, que ficou conhecida como a Companhia do Caldo e do Nabo, designação para a qual não se conhece nenhuma explicação lógica. No jokes, please. 





Hoje nos bombeiros voluntários de Portugal sobrevive uma das mais antigas organizações sociais da História. Provavelmente a mais duradoura organização humanitária que se tem notícia. 


Mais do que apagar incêndios eles mantêm acesa a velha chama democrática do desejo de auto-organização e auto-proteção social. 


Sem utopias, na prática.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Superinteligência


Processamento Distribuído é uma das idéias mais simples, criativas e bem intencionadas surgidas nas últimas décadas. O DPC - Distributed Parallel Computing - parte do princípio de que você nunca usa a capacidade completa de seu computador nem o usa o tempo todo.




Por que então não participar de uma rede que interliga milhares deles e compartilhar tempo e capacidade ociosa? Por que não deixar que esta capacidade, que não lhe custa praticamente nada, seja usada para uma causa nobre? Assim nascem os clusters de HPC - High Performance Computer. Milhares de computadores funcionando juntos em rede, cada um processando uma pequena parte de uma tarefa extremamente complexa. Funcionando juntos como se fossem uma única maquina.


Um supercomputador neural.





Bem isso já existe há muito tempo e você pode entrar agora em uma dessas redes e ajudar na pesquisa do câncer, do genoma humano ou qualquer outra causa que lhe seja simpática. Essas redes são administradas por grandes universidades, centros de pesquisa ou órgãos independentes.


Atualmente os projetos ativos mais significativos são o FightAIDS@Home, o Human Proteome, o Help Defeat Câncer e o African Climate Home. Você pode participar na luta contra a AIDS, contra o câncer, mapear as proteínas do genoma humano ou estudar o clima na África.





Há projetos de todos os tamanhos e para todos os gostos. Se você está mesmo interessado em ajudar dê uma olhada em  http://www.worldcommunitygrid.org/ .


Lá você pode participar da World Community Grid, o maior supercomputador público do mundo, uma iniciativa criada pela IBM em 2004.





Mas há muito mais coisas acontecendo em processamento distribuído. Para o bem e para o mal.


Você pode montar sua própria rede, sua grid ou seu cluster pedindo participações na própria internet e anunciando seu projeto.


Ou você pode alugar milhares de maquinas "slaves" através de agencias de hackers que assumiram o controle de computadores através de softwares implantados piratamente nas maquinas enquanto seus usuários navegavam na internet.


Você também pode participar nos cyberattacks das imensas redes de hackers criminosos como a Anonimous Hackers. Ou colaborar com agencias nacionais ou ideológicas de espionagem e de guerra eletrônica.


Na verdade tanto você quanto eu podemos estar participando dessas redes ou destes clusters, agora e sem saber.  O poder destes clusters é literalmente inimaginável. Um PC comprado hoje no supermercado da esquina, ou montado por seu filho de 12 anos, tem o poder de um supercomputador de 15 anos atrás. Imagine milhares deles conectados. Agora tente imaginar todo este poder de processamento operando ao mesmo tempo em rede.





Considere também que neste exato momento você está conectado em cloud, a nuvem de processamento que mantém milhões de usuários e milhares de centros de processamento e de armazenamento de dados ao redor do mundo, totalmente conectados. 


Você não sabe exatamente, na verdade ninguém sabe, onde você está hospedando suas informações, seus arquivos, suas fotos, seus detalhes pessoais. Tudo isso pode estar a seu lado ou pode estar do outro lado do mundo. Mais provavelmente está tudo dividido entre várias localizações diferentes. Você tanto não sabe onde ficam suas informações como não saberia como junta-las.





Supercomputador


Mas o ponto aqui não é a paranóia de se perder a privacidade e poder ser rastreado a qualquer momento em qualquer lugar. Não faz mais sentido se discutir esta possibilidade por um motivo muito simples. Ela já aconteceu. O ponto aqui é o atual crescimento exponencial da capacidade de processamento e a conseqüente expansão da AI, a Inteligência Artificial. 


Os clusters e redes de computadores que vimos antes configuram um supercomputador mundial, impessoal e sem proprietário. Baseado na rede, baseado na internet, estruturado no compartilhamento da capacidade de processamento de milhões de maquinas. Uma estrutura da qual seu computador pode já estar fazendo parte. 





Velocidade


Muitos de nós ainda não nos demos conta da velocidade do mundo em que vivemos.


Da velocidade em que crescemos, adquirimos bens materiais, acumulamos conhecimento e da assustadora velocidade do avanço tecnológico. Para avaliar esta velocidade considere que baseado nos avanços tecnológicos e no crescimento da população o desenvolvimento econômico dobrava a cada 250.000 anos nos primórdios da humanidade.






Depois do período Neolítico este desenvolvimento passou a dobrar a cada 900 anos. Depois da Revolução Industrial e atualmente o desenvolvimento dobra a cada 15 anos. Sessenta vezes mais rápido que na era agrícola e milhares de vezes mais rápido do que papai-do-céu permitia a Adão e Eva.


Nas últimas décadas acumulamos mais conhecimento e inteligência do que em todo o período anterior da história da humanidade. Lembre-se: estamos neste momento dobrando a produção a cada 15 anos.

Mas isso é muito pouco, isso já é passado.





Inteligência.


Desenvolvimento econômico e desenvolvimento tecnológico são absolutamente interligados. Os dois aspectos estão ligados ao desenvolvimento e aplicação da Inteligência. Dados econômicos refletem principalmente a aplicação da inteligência, artificial ou não, e seu desenvolvimento.


Robin D. Hanson do Instituto Futuro da Humanidade da Universidade de Oxford diz que o desenvolvimento tecnológico e da inteligencia artificial nos colocam hoje na fronteira de uma nova revolução. Em muito breve vamos dobrar a economia a cada quatro meses.


Esta velocidade está intimamente associada ao surgimento da superinteligencia artificial.




A Lei de Moore, formulada por Gordon E. Moore em 1965, diz que o poder computacional dobra a cada dois anos. Anos depois David House da Intel assumiu que este período baixara para 18 meses. Atualmente as maquinas podem estar dobrando de capacidade a cada ano.


Vamos juntar e cruzar estes dados.


Em conseqüência do aumento da Inteligência a humanidade está dobrando rapidamente sua produção. O que até recentemente levava 900 anos para acontecer agora dobra a cada 15 anos. As maquinas que armazenam este conhecimento e detêm este poder de processamento podem estar dobrando de potencia a cada 12 meses. Estas maquinas estão hoje completamente interligadas globalmente pela internet.





Boa parte destas maquinas trabalham juntas e de forma compartilhada compõe um supercomputador, sem localização, operando em nuvem e sem um proprietário. Existe hoje uma rede neural de milhões de maquinas formando um supercomputador universal, com imensa capacidade de armazenamento e processamento.


Repetindo. Existe hoje, existe agora, um supercomputador impessoal, sem localização, que abrange todo o planeta, funcionando ininterruptamente e se expandindo exponencialmente.


Guarde esta informação.





Superinteligência


As pesquisas e aplicações de robótica e de inteligência artificial estão acontecendo em muitos laboratórios e centros de pesquisa pelo mundo afora. Programas de computador criam novas maquinas e criam novos programas. A palavra chave aqui é criação.


Programas são capazes de gerar e criar novos programas mais poderosos e eficientes que eles próprios. Este é o caminho para a criação de uma superinteligência. Esta superinteligência por sua própria característica intrínseca tem a capacidade de projetar sucessivas gerações de entidades ainda mais poderosas.





Explosão de Inteligência.


Na curva de crescimento e de auto-modificação desta inteligência artificial haverá evidentemente um ponto onde ela estará além da capacidade de compreensão e do controle de seus criadores.


Este ponto de não retorno é conhecido como Singularidade Tecnológica ou Explosão de Inteligência. A partir deste ponto esta superinteligência fica além da capacidade, do controle e da compreensão humana. Isto é de nós. Este não é um cenário de ficção científica. Ele está ocorrendo agora.





Hei HAL


Originalmente este evento era previsto e esperado como uma ocorrência localizada em algum ponto do planeta e portanto controlável. Como nos filmes de ficção cientifica sempre haveria a possibilidade de controlar uma superinteligência com o prosaico gesto de desligá-la da tomada, like Kubrick.


Mas como desligar todos os computadores do planeta ao mesmo tempo? Se você respondeu quebre o Backbone, a superinteligência pensou nisso antes.


Fique quieto e coma seu cheeseburguer.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Viagem de Palavras


As palavras viajam no tempo e no espaço, de uma língua para outra e vão ganhando e perdendo sonoridades, agregando histórias e preparando a arqueologia das línguas.





Um caso interessante é o do curry, kari, caril.


Seguinte: o tempero indiano é conhecido e falado no Brasil como se fosse “curri”, assim mesmo, com esta sonoridade pavorosa.


É até compreensível por que o conhecimento do tal tempero indiano chegou ao Brasil principalmente através dos produtos ingleses.


Acontece que quando os ingleses conheceram o tal tempero, que tem a sonoridade original de “kári”, precisaram escrever isso em inglês. Neste caso a forma fonética mais próxima foi “curry”.





Nesta viagem do pobre tempero para o inglês os brasileiros o leram em português. E o “curry” virou “curri”.


O que já começa a ficar engraçado, pois o “kari” transformou-se em “curri”. Desnecessariamente, pois se os ingleses não têm um “a” aberto para fazer a correspondência fonética, em português ele existe. Portanto bastava chamá-lo simplesmente de “cari”.





Mas a coisa não fica por aí, pois os brasileiros ao invés de corromperem a sonoridade original da palavra poderiam sem muito esforço ter ficado no português de Portugal e usar o que os lusitanos usam. Lá o tempero chama-se “caril”.


O que também não é lá muito correto já que é possível ter a sonoridade original ao invés de bizarramente dizer “curri” ou “caril”. Basta dizer “cari”.






Detalhe: enquanto nas praias a oeste do Atlantico se diz que um prato é “ao”, lá do outro lado de lá se diz que um prato é “de”.


Se por aqui existe um frango ao curry lá o que existe é um caril de frango. O que ao fim e ao cabo significa que o que para os brasileiros é uma forma de fazer o prato para os portugueses já é o prato em si.


O que definitivamente não é a mesma coisa apesar do gosto ser o mesmo.


Ó Pessoa, ó Machado, que língua a vossa!





Mas o mais engraçado de tudo isso é que o tal tempero indiano, nem mesmo indiano é. Isso mesmo, o tempero à base de pimenta que o mundo inteiro relaciona com a Índia não é originalmente indiano.


Foram os portugueses que levaram a pimenta piri-piri para lá na época das navegações. Piri-piri as pequenas, malaguetas as grandes, ambas do gênero Capsicum.





E agora pasme: a Capsicum frutescens é originária nem mais nem menos que das Américas.


Aja viagem.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Adeus as armas?




Edvaldo Nogueira, prefeito de Aracajú. Comunista do PCdoB.





Edvaldo vem fazendo um verdadeiro road show pelo país mostrando seus achievements na prefeitura. Depois de quase doze anos de trabalho ele e seus aliados têm conseguido resultados de primeiro mundo num estado pobre do nordeste.





Os dados de saúde, educação, segurança pública e qualidade de vida são absolutamente fantásticos.


Coisas do tipo acabar com favelas construindo moradias dignas, um computador por aluno em escolas públicas, grade escolar franqueada de escola particular, salários de até 13 mil reais para médicos, praças e mais praças, triplicar orçamento, baixíssimo índice de violência, administração eficiente e outros mantras exóticos mais para Harvard do que Moscou.





Edvaldo tem uma forma simples para chegar a esse sucesso estrondoso.


Ele começou elaborando um planejamento estratégico para 20 anos e o uso de poucos conceitos básicos a serem disciplinadamente seguidos.


Faz avaliações permanentes de estratégias, corrige o que não funciona e cobra resultados.


Faz avaliações financeiras de contratos, renegocia com fornecedores e aplica a arrecadação em projetos que mostrem os melhores resultados práticos para seu patrão, para quem paga seu salário, a população da cidade.


E mais impressionante: quando a população exige uma obra que não faz sentido ele não realiza, enfrenta o povo e faz a obra mais eficiente. Depois vem o reconhecimento público.





Bem das duas uma.


Ou não se fazem mais comunistas como antigamente ou eles cansaram de comer criançinhas ao amanhecer.


O que é uma pena, pois realmente não dá para fazer piadas com bons administradores que ainda se dão ao luxo de não roubar e não deixar roubar. Uma avis rara na selva tupiniquim.





Parece que o Enver Hodjia é apenas um farol na parede. Mas como dói.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Paragwaj jest piękne


Ladrões furtaram uma ponte ferroviária centenária datada de 1901 que pesava dez toneladas, com 200 metros de trilhos, no oeste da República Tcheca, no trajeto entre Loket e Horni Slavkov a 150 quilômetros a oeste de Praga. 





Com a ajuda de um guindaste os ladrões se passaram por uma empresa privada que teria contrato com o órgão que administra o transporte ferroviário no país. 


- É a primeira vez que topamos com esse tipo de roubo organizado nas nossas ferrovias. O roubo de velhas vias de trem acontece, mas não nesta magnitude, disse Pavel Acha da empresa de administração ferroviária. 





Esta criatividade chega às raias do risível. 


Morei em Görlitz na exata tríplice fronteira Alemanha-Polonia-Tchecoslováquia na época em que as duas últimas ainda não participavam da União Européia. Portanto havia controle de fronteiras. Vigiadíssimas por sinal.


No caso da fronteira entre Polônia e Alemanha ela é determinada exatamente pela linha dos rios Oder e Neiße. Mais ou menos desde que Stalin deu um chega-prá-lá nos polacos.


Aliás esse é um caso interessantíssimo de freio-de-arrumação geográfico. Ou de desarrumação, depende de que lado da mesa de negociações você esteja.


A pobre bastarda de Versalhes perdeu um pedação a leste e foi compensada com um pedação a oeste.







O Neiße ao passar por Görlitz fica bastante estreito em alguns trechos.


Praticamente dá para jogar uma pedra de um lado e atingir o outro. Um esporte por sinal centenário entre poloneses e alemães, não apenas com pedras mas com objetos mais desconfortáveis.


No inverno o rio congela e é possível atravessar à pé de um lado para o outro. Claro que também dá para atravessar com veículos leves.




Leves, please. Por que se forem muito pesados podem causar mais stress nos poloneses que na camada de gelo do rio. 





Voltando à criatividade larápia. 


Como o rio fica estreito em alguns pontos e como na época se vivia o frenesi da reconstrução imobiliária descobriu-se na cidade um singelo estratagema dos irmãos metralha locais. 


Durante a noite eles usavam aqueles cranes, os quindastes gigantes da construção civil, para transportar Beemees, Jags e Mercs novinhos surrupiados do lado dos porsches. Digo, dos boches.






Afinal o Paraguai não é só aqui.

Medo de Dentista


Acaba de ser encontrado um cartão postal enviado por Adolf Hitler durante a Primeira Guerra Mundial enquanto ele se recuperava de um ferimento de batalha. 





O achado foi feito por Stuart Lee, da Universidade de Oxford, que trabalha como consultor em Munique para o projeto Europeana 1914-1918 de história européia. 


- Achei difícil acreditar que, em um evento local, para registrar histórias de pessoas comuns, eu estava vendo um documento inédito escrito por Hitler de próprio punho. 





No cartão de 1916, Adie, então com 27 anos, escreve para o amigo de regimento Karl Lanzhammer e conta que está passando por um tratamento dentário,




- Estou agora em Munique no Batalhão Ersatz. Atualmente passo por tratamento dentário. Aliás vou requisitar a volta ao campo de batalha imediatamente.




Segundo especialistas uma decisão como essa seria extremamente incomum nesse estágio da guerra mesmo entre os mais patrióticos. 




O que apenas confirma que o medo da conta do dentista (ou do próprio) pode ser muito maior do que se pensa.