segunda-feira, 27 de maio de 2013

Origem do Eita!


Minha
prima Virgínia que ultimamente anda meio nostálgica de suas raízes nordestinas
chama atenção para expressões regionais que estão se espalhando pelo resto do
Brasil como o Vixe e o Eita, ambas expressões de espanto.





O
Vixe, e o Ixe, são o fascinante fenômeno de sucessivas contrações ao longo do
tempo da expressão Valei-me Minha Nossa Senhora Mãe Virgem Santíssima. A frase
original se contraiu não apenas para as expressões Nossa Senhora! , Nossa Mãe! e Nossa! mas para a ainda menor Nosss...


Da
contração de Virgem Santíssima! saíram o Virgem! , o Vixe e o Ixe.





Já
a expressão Eita! é de origem mais complicada.


Entre
a maior parte dos estudos etimológicos já conduzidos na garimpagem do Eita! há
uma versão mais aceita tanto pelas academias de Portugal quanto do Brasil.


Torredeita
é um
pequeno povoado no norte de Portugal em uma das mais importantes freguesias do concelho de
Viseu, de onde fica a cerca de 10 quilômetros. A região remonta ao século XIII apesar
de alguns historiadores acreditarem que o povoado é ainda mais antigo.





Para o Professor
Moreira de Figueiredo e para o Dr. José Coelho, um dos maiores arqueólogos
viseenses a origem etimológica do 
topônimo Torredeita esta ligada a “existência
do ribeiro que costumamos designar por “Rio Eita” e portanto de Torre d’Eita como
aliás durante muito tempo se escreveu o nome da frequesia”.





A expressão Eita está ligada a uma grande seca ocorrida há alguns séculos na
região que fez o ribeiro Eita secar. Dizia-se com espanto que a seca era tanta
que “secou até o rio Eita”. Com o passar do tempo a frase se consolidou como expressão
de grande espanto. Ao passar pelo natural processo de contração a expressão virou
“secou o Eita!”.





Muitos
anos depois junto com as sucessivas levas de imigrantes do norte de Portugal pra
o Nordeste do Brasil a expressão chegou até aqui. Semelhantemente ela foi usada
nas mesmas situações das secas que afligem a região. No processo de assimilação
cultural a expressão de espanto “secou o Eita!” acabou se contraindo para “secou,
Eita!” e finalmente “Eita!”





Well,
well. A freguesia de Torredeita, o rio Eita, o Professor Moreira de Figueiredo e o Dr. José Coelho são
reais. Já o que vem depois é pura sacanagem.


O tipo de besteirol que nossos
impostos financiam em centenas de pesquisas inúteis que enchem as prateleiras
de nossas universidades.

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