sexta-feira, 22 de março de 2013

Tiborna


Tiborna pode ser um doce, um bacalhau,
uma maneira de comer o pão. Tiborna também é um ritual português. O doce é de
Nova Viçosa, o bacalhau do Entre-Douro-e-Minho, a maneira de comer o pão do
Alentejo e Olivença. O ritual, alentejano.





No início da colheita das oliveiras, entre Outubro
e Janeiro, é tirado o melhore azeite feito de azeitonas prensadas a
frio. Até hoje a tradição da Tiborna permanece lembrando um antigo ritual quando os lagareiros no fim do dia se juntavam em volta da mesa com a família e os amigos.


Celebrando o azeite recém extraído se assava o pão. Saído do forno ele é partido aos pedaços e mergulhado no azeite novo. Tempera-se com
alho, flor de sal ou com açúcar e canela. Acompanha-se com um tinto, naturalmente
da região, dali mesmo do Alentejo.


Ora um gole, ora o pão, o tempo passa, o vinho
alegra, o pão e o azeite alimentam. Chega a saudade dos que precisaram deixar a
terrinha. Chega o fado.





Tive bons amigos alentejanos, gente simples,
hospitaleira, festeira.


Quando não queríamos nos dar ao trabalho de acender o
lume para assar umas febras, deixávamos o porco para outro dia. Abríamos uma
garrafa de azeite, picávamos uns alhos, deitávamos tudo numa terrina. Noutra eu ajuntava ao azeite uns orégãos, às vezes uns coentros, um pouco de sal e pimenta
preta ralada. 
Às vezes havia também uns queijos d’Évora, às vezes uns
Saloios regionais. Mas o importante mesmo era o azeite novo, a tiborna.





- Então pá, vamos aos copos? E abríamos um vinho.


- Então pá, venha de lá esta tiborna. E vinha o azeite e o pão que mergulhávamos nele.

Tomávamos uns golos, metíamos conversa
até as horas. 
Um ritual difícil de parar. Mais vinho, mais
azeite, mais fados.


Dividíamos o pão e o vinho. Uma santa ceia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário