terça-feira, 13 de março de 2012

O Que Deve Ser Dito


O que precisa efetivamente ser dito.


Toda a polêmica em torno do poema "O Que Deve Ser Dito" do prêmio nobel Günter Grass publicado pelo Süddeutsche Zeitungtraz trás à reflexão um assunto tabu para toda a comunidade internacional. O Trauma Alemão. O Genocídio, o Holocausto.





Alemães têm vergonha de se dizerem alemães. Gerações pagam o preço do pecado que não cometeram. A comunidade internacional lucra com isso em muitos aspectos. Chantagem inclusive, não apenas psicológica, mas principalmente material.


Vergonha de que?


O Holocausto não é um crime maior que os de Stalin, na verdade é numericamente várias vezes menor. É igual ao que se cometeu recentemente nos Bálcãs, ao que se cometeu contra os Armênios, contra os Cossacos.

O Holocausto é muito menor que o holocausto brasileiro na Guerra do Paraguai. Brasileiros eliminaram 76% da população, nós brasileiros matamos 96% dos homens adultos do Paraguai.


O Holocausto é infinitamente menor que o maior de todos os genocídios, a eliminação completa pelos espanhóis das três civilizações pré-colombianas, Maias, Aztecas e Incas, na Era dos Descobrimentos.





São crimes de nacionalidades específicas? Há umas mais sangrentas que as outras?

Definitivamente não. A história da Civilização Humana não é uma fairy tale, é uma história sangrenta de assassinatos, roubos, eliminações, violações e apropriações.


Você e eu somos capazes de fazer o mesmo. Você e eu somos iguais tanto ao algoz quanto à vítima. São crimes cometidos por mim, por você, por nós.

São crimes do Homem. Pesam em todas as nossas consciências.


Apesar do insight de Hannah Arendt o fato é que a Banalização do Mal não é recente, ela é intrínseca da condição humana. Vide Stanley Kubrick no começo de 2001, A Space Odyssey.





Você e eu somos irmãos nesta grandeza e nesta tragédia de ser humano.


Homo homini lupus até o dia em que "livres das dentadas do mundo já não teremos no fundo desejo profundo por nada que não seja bom".

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